segunda-feira, 6 de abril de 2009

Casa 100K

Depois do famoso condomínio Bedzed em Surrey, Londres, o modelo de condomínios sustentáveis esta se difundindo pelo Mundo. A casa 100K é um exemplo de condomínio residencial sustentável, que pretende alcançar o mais alto nível de eficiência, de forma a que a edificação interfira o mínimo possível no meio em que se encontra e é capaz de suprir todas suas necessidades funcionais.
Veja interessante matéria publicada no mês de março em AU:

Novo padrão de moradia
Por Victor Martinez na resvista AU março 2008


Baixo custo, área de habitação personalizável e baixo impacto ambiental. Essas são as três diretrizes do projeto Casa 100k ?, o condomínio residencial que lança o conceito sustentável de habitação com a pretensão de atender três importantes questões: ambiental, financeira e social.

A proposta é do arquiteto Mario Cucinella, que desenvolveu o projeto para pesquisa em parceria com a multinacional italiana de cimentos Italcementi e com a Politecnica, uma consultoria de estruturas e sistemas. As 50 casas do complexo residencial, cada uma com 100 m², devem ser capazes de produzir toda energia consumida pela união de estratégias ativas e passivas sem nenhuma emissão de CO². Para isso, integram sistema fotovoltaico, bomba geotérmica, turbinas eólicas, reaproveitamento das águas pluviais e estratégias passivas do próprio projeto - o que transforma o complexo em uma máquina bioclimática.

A cobertura de cada casa terá 35 m² de placas solares, com capacidade de produção de energia elétrica de 42,4 kWh/m² por ano, que abrange todas as necessidades energéticas das edificações, mais a alimentação da bomba de calor geotérmica. As varandas possuem um telhado verde que contribui para estabilizar o microclima externo junto com as estufas de plantas, incentivando o arrefecimento passivo.


As unidades têm fachadas gêmeas para facilitar a ventilação natural cruzada no próprio complexo. A lateral da casa voltada para a direção sul possui maior proporção de vidros e mais espaços externos - como os das varandas suspensas - justamente para aproveitar tanto a luz natural quanto o calor durante o inverno.

Para reduzir o custo de construção gerado pela macroescala do projeto, está previsto o uso de pré-fabricados e drywall. Elementos modulares serão os protagonistas, porque além de sustentável, as casas se destacam pela flexibilidade. Os moradores, por exemplo, podem decidir a composição de suas casas escolhendo entre determinadas opções de planta.

Para os futuros moradores terem maior liberdade no projeto, o interior das residências foi concebido com grandes espaços abertos, que podem ser divididos utilizando componentes móveis, como painéis e partições removíveis e flexíveis. Os elementos para o acabamento interno podem ser selecionados pelas exigências do morador quanto ao conforto acústico, iluminação e temperatura.

Já a fachada recebe painel de revestimento com um sistema intercambiável de oito cores - para variar a vista externa e assegurar sua consistência com o design dos interiores. Pode ser feita com três tipos diferentes de materiais: um à base de fibroconcreto; outro, à base de celulose reciclada; e um terceiro, de um material chamado "txactive", uma espécie de concreto que absorve ácidos nitríticos e outros gases poluentes do ar, desenvolvido pela Italcementi.

O condomínio deve criar, ainda, uma "poupança energética": como se estima que nem toda energia gerada por cada casa é consumida pelos moradores, parte da produção energética será comercializada. Com essa venda, o investimento na compra da casa é compensado com o lucro energético gerado a cada mês. Além dessa produção individual, na Europa há diversos incentivos ficais para residências que gastam menos energia com o uso de fontes alternativas.


Essa forma de agrupamento residencial ainda oferece a oportunidade de incluir uma série de instalações comuns que podem ser usadas por todas as famílias. Em vez, por exemplo, de todas as casas terem suas lavanderias, seria criado um único lugar para todos os condôminos usarem. Essa estratégia, além de eliminar a compra repetida e a dispersão de equipamentos que consomem energia, produz poupanças significativas em termos de aquisição, funcionamento e custos de manutenção.

O projeto Casa 100k ? foi exposto na 11ª Exibição Internacional de arquitetura organizada pela Bienal de Veneza e ganhou o prêmio da Architectural Review, o Awards Futures Projects 2009, na categoria sustentabilidade.

3 comentários:

Carlos Batistini Neto disse...

mas e a questão dos custos, tem idéia do peso deste custo sobre as taxas condominiais?Acredito que as manutenções sejam bem caras..

Arq. Antonio Macêdo Filho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arq. Antonio Macêdo Filho disse...

Com a economia energética, reaproveitamento de águas, entre outras medidas sustentáveis, muitos condomínios reduzem sua taxa de condomínio em 50%.Exemplo de iniciativas sustentáveis, buscando a redução da taxa de condomínios é o que a incorporadora Ecoesfera implanta aqui no Brasil.