sábado, 19 de dezembro de 2015

Residencial Double, certificado AQUA-HQE com consultoria EcoBuilding, é premiado pela Ademi-AL

Compartilho, com satisfação, que o projeto do empreendimento Residencial Double, da V2 Incorporações, de Maceió, certificado AQUA-HQE nas fases de Pré-Projeto e Projeto pela Fundação Vanzolini, com consultoria de sustentabilidade da EcoBuilding, recebeu o Prêmio Master 2015 da Ademi-AL para os melhores empreendimento do Estado, na categoria Eficiência Energética.

O empreendimento é o primeiro do Estado de Alagoas a buscar a certificação AQUA-HQE e contará com uma série de estratégias de sustentabilidade, não apenas para uso eficiente de energia, mas também redução do consumo de água, gestão de resíduos, qualidade dos ambientes e conforto dos usuários, além de iniciativas de inclusão social previstas para a fase de obras do empreendimento.

Eng. Ronald Vasco recebe prêmio da Ademi-AL
Parabenizo a todos os envolvidos, em especial as equipes de projetos e gestão da V2, que afirma assim sua liderança de mercado e também a nossa equipe de consultores EcoBuilding em Maceió e em São Paulo, todos comprometidos de fato em alcançar os melhores resultados possíveis.

A seguir compartilho algumas notas de imprensa sobre o empreendimento e o certificado AQUA-HQE da Fundação Vanzolini, que destaca os itens e estratégias de sustentabilidade previstas para o empreendimento. 

Ficamos muitos satisfeitos em fazer parte deste time e em poder colaborar com mais esta importante iniciativa em favor da Construção Sustentável.




 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Conheça as vantagens de utilizar a energia solar para aquecer água

Da Redação - Correio da Bahia, publicado em 24/11/2015

Economia gerada por um Sistema de Aquecimento Solar Térmico (SAS) pode chegar a 50%.


A luz do sol já mostrou que é capaz de ajudar a gerar economia de energia com a iluminação de ambientes, a partir do aproveitamento da iluminação natural por portas, janelas, vitrais etc. Mas também é possível economizar usando a luz solar para outros fins. O aquecimento de água, por meio da instalação de um Sistema de Aquecimento Solar Térmico (SAS), é um deles.
O princípio é simples: para que o sistema funcione, são instaladas placas metálicas no telhado das construções, também conhecidas como coletores solares, além de um reservatório térmico, chamado de Boiler. Na prática, as placas captam a radiação solar e transferem o calor para a água que circula dentro da tubulação de cobre do Boiler.

Dentro desse reservatório, a água é mantida aquecida, o que possibilita que ela seja usada posteriormente. Para que o reservatório seja mantido sempre cheio, ele é alimentado para água fria da caixa d’água do imóvel. Também é possível ter reservatórios de várias capacidades, indo de apenas 100 litros – o equivalente a cinco garrafões daqueles de água mineral – até cerca de 20 mil litros – o mesmo que 20 piscinas plásticas infantis cheias. 
Segundo dados levantados pela Eletrobras, o chuveiro elétrico responde por 7% de toda a energia elétrica produzida no país, mas representa, em média, 40% de toda a energia consumida nas residências brasileiras. Utilizando o chuveiro elétrico, uma família e cinco pessoas no Brasil gasta cerca de 3.240 kWh por ano. Aquecendo a água com energia solar, o consumo cai para 2.400 kWh/ano.De acordo com dados do Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol), ligado à Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), cada metro quadrado de coletor solar instalado em determinado imóvel e usado durante um ano equivale a 56 metros quadrados de áreas inundadas para usinas hidrelétricas, 215 quilos de lenha, 66 litros de diesel e 55 quilos de gás.
A economia gerada pela instalação do SAS, segundo o Dasol, pode chegar a 50% na conta de energia elétrica. O investimento em um aquecedor compacto de 200 litros é de cerca de R$ 5 mil e, com a economia gerada, o retono vem em até 24 meses. Em compensação, o sistema tem uma vida útil de 15 a 20 anos, em média. Segundo a Abrava, este mesmo aquecedor gera uma economia de cerca de R$ 840 ao ano.

Outra vantagem do SAS é que a tecnologia é viável em todo o território brasileiro, por conta das condições climáticas. Isso também é possível porque, segundo informações publicadas pelo Atlas da Energia Solar, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um aquecedor solar precisa de uma temperatura relativamente baixa – inferir a 100ºC – para aquecer a água.
Além do SAS, outra possibilidade, mais moderna, é o Sistema de Aquecimento Solar Híbrido, que não possui um sistema auxiliar, como o elétrico ou a gás. Ou seja, quando o dia não é quente o suficiente, o chuveiro elétrico liga a resistência. Já quando os raios solares estão mais fortes, a resistência do chuveiro é desligada, o que faz com que se gaste e polua menos do que nos sistemas convencionais.
Segundo simulação feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nacional, o uso de um aquecedor solar híbrido em uma residência no lugar do chuveiro elétrico gera um economia de 33 kWh por mês, o que significa uma queda de 19% no consumo médio mensal de energia elétrica.
Além de reduzir o valor da conta de energia, o aquecimento da água por meio de energia solar significa menos gastos com geração de energia elétrica e menos poluição, já que a emissão de gases poluentes, como o CO2, passa a ser menor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Construções eficientes: etiquetagem

Da Redação - Correio da Bahia, publicado em 29/10/2015

Selo Procel Edifica classifica prédios de acordo com o nível de eficiência energética; tabela vai de A a E e economia pode chegar a 30%


O Selo Procel é um indicativo de eficiência energética em eletrodomésticos já bastante conhecido e respeitado nacionalmente. Mas o que talvez você não saiba é que o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – o Procel – também atesta a eficiência de edificações. O Procel Edifica foi um programa instituído em 2003 pela Eletrobras e que hoje, somado ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) deu origem ao PBE Edifica.
Por que é importante que um prédio também seja eficiente? Um estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Eficiência Energética em Edificações (CB3E), afirma que um prédio público de nível A de eficiência consegue economizar até 30% de energia em relação ao mesmo prédio de nível D. No caso dos prédios, a eficiência também é medida por letras – que vão de A, sendo a mais eficiente, até E – a menos eficiente.
De acordo com o PBE, a partir desse tipo de etiquetagem é possível “informar o nível de eficiência energética das edificações, reduzir o consumo de energia, aprimorar o conforto térmico, incentivar as inovações tecnológicas eficientes e garantir edificações energeticamente mais eficientes”.
Hoje, o PBE Edifica faz a etiquetagem em prédios comerciais e de serviços, edificações públicas e construções residenciais, com itens diferentes a serem observados. No caso dos prédios comerciais, é avaliada a envoltória – que controla as condições ambientais dentro do edifício –, a iluminação e o condicionamento de ar. Já nas construções residenciais, a etiqueta também leva em consideração, além da envoltória e da iluminação, o sistema de aquecimento de água, de elevadores e até mesmo de bombas centrífugas.
Desde agosto de 2015, a etiquetagem passou a ser obrigatória em todos os prédios da administração pública direta federal, além de autarquias e fundações, como hospitais, postos de saúde, clínicas, escolas, museus e centros de pesquisa e edifícios administrativos.
A Instrução Normativa 2/2014, que estabeleceu a regra, diz que precisam ser etiquetados todos os prédios construídos ou adaptados com recursos públicos federais, com área construída superior a 500m². A partir da data da publicação da Instrução, todos os novos prédios públicos federais já deverão ser construídos de forma que se encaixem nos critérios de eficiência nível A.
Para quem quer obter a etiqueta em uma construção, é importante saber que a certificação acontece em dois momentos: na fase de projeto e após a construção do edifício, sendo que, depois de pronto, a avaliação precisa ser feita in loco. É neste momento que a etiqueta é emitida.
Para solicitar a etiqueta, é preciso contratar um Organismo de Inspeção Acreditado (OIA) – cuja lista pode ser consultada no site do Instituto Brasileiro de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O custo do processo de varia em função da área construída.
No site do Inmetro também dá para conferir quais os prédios que já foram etiquetados e qual o nível de eficiência energética deles. Em Salvador, prédios como o Hotel Ibis Aeroporto Hangar, o Salvador Norte Shopping, a agência da Caixa Econômica Federal de Cajazeiras e o prédio da Petrobras, no Itaigara, já têm a etiqueta. Nos dados divulgados pelo Inmetro, ainda não há nenhuma edificação residencial na Bahia que tenha recebido a Etiqueta de Eficiência Energética.
Quando a edificação recebe a classificação A na envoltória, A na iluminação e A no ar condicionado, ela recebe o Selo Procel de edificações mais eficientes.
Meu comentário: Na EcoBuilding, trabalhamos com consultorias para etiquetagem de empreendimentos, com aplicação da etiqueta PBE Edifica e inclusive contamos com consultor local em Salvador, dentre outras capitais. Consulte-nos.

3 projetos verdes indicam as principais tendências da arquitetura sustentável

Por Mariana Barros, para Veja.com, em 19/11/2015

Intervenção em prédio corporativo, casa no litoral e outra na cidade grande destacam preocupação ambiental

Casa com horta e telhado gramado projetada
pelo escritório AMZ Arquitetos

Com a escassez de recursos, especialmente energia e água, e a crescente preocupação com o aumento da temperatura global, a arquitetura se apresenta como uma frente de propostas para vivermos melhor nas próximas décadas. Já estamos perto do dia em que projeto verde será uma redundância. Mas, enquanto esse momento não chega, conheça o que tem sido pensado por arquitetos e ambientalistas para reduzir impactos e buscar qualidade de vida para as próximas gerações.

Residência em São Paulo, AMZ Arquitetos

A casa desenhada pelo escritório AMZ Arquitetos e que está sendo construída no bairro de Alto de Pinheiros atualiza o conceito de chácara e ainda o insere no meio da cidade grande. O projeto traz uma solução inovadora ao transformar o telhado em um enorme gramado com acesso por rampa. Isso permite multiplicar a área permeável e proporcionar conforto térmico. Há espaço até para horta, localizada sobre o bloco de serviços. Painéis foto voltaicos geram energia elétrica, enquanto um sistema solar garante o aquecimento da água. “A construção respeita a topografia original do terreno, que significa menor movimentação de terra”, diz Pablo Alvarenga, um dos sócios do escritório ao lado de Manoel Maia e Adriana Zampieri. Ventilação cruzada e iluminação natural ajudam a reduzir a dependência energética.



Imagem do projeto do arquiteto David Ito 
no condomínio Recanto, em Ubatuba, no litoral paulista
Residência no litoral
Por David Ito

O arquiteto paulista David Ito realizou um feito ao vencer o International Property Awards, premiação realizada em Londres, com seu projeto L23, construído em Ubatuba, no litoral paulista. A região, bastante chuvosa, o fez criar sistemas de aproveitamento de água e também de ventilação natural que oferecesse conforto térmico. Seu novo projeto é novamente localizado em Ubatuba, no condomínio que está sendo construído pela Bio Empreendimentos e batizado de Recanto. O desenho tem a preocupação de interferir o mínimo possível no terreno e de se fazer valer do sol e do vento para reduzir o gasto energético. Haverá captação de água da chuva, aquecimento solar e mecanismos para garantir baixa manutenção. A casa, de 130 metros quadrados em um terreno de 420 metros quadrados, servirá de referência para as próximas construções. Futuros moradores receberão um guia de construção sustentável e informações sobre a estação de triagem de recicláveis e compostagem coletivas.


Edifício do Citibank Brasil na Avenida Paulista,
em São Paulo
Corporativo
Por Ricardo Cardim/SkyGarden Envec

A parede verde do edifício do Citibank, na Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu revestimento de 90 metros quadrados. “Foi um desafio por causa da luminosidade baixa, o que nos levou a escolher uma vegetação acostumada ao chão de floresta e que recebe pouca luz”, explica Ricardo Cardim, diretor da empresa SkyGarden Envec de paisagismo sustentável. A parede utiliza um tipo de terra não estraga e pode se manter estável por mais de vinte anos, sem que a vegetação tenha de ser trocada.

A irrigação é automatizada e feita por gotejamento, na hora de menor evaporação do dia, para economizar o máximo possível de água. Por outro lado, a água usada pelas plantas retorna através da transpiração vegetal, umidificando o ar, reduzindo a temperatura local e amortecendo o barulho. Também foi planejada para servir de abrigo a pássaros. “Nosso sonho é replicar o que foi feito lá em outros prédios da Avenida Paulista, que, embora seja um cartão postal cidade, é uma ilha de calor pela falta de verde”, diz Cardim. O Citibank planeja replicar o projeto na face que dá para os fundos do edifício.

Meu comentário: Na EcoBuilding, trabalhamos com consultorias para certificação de casas sustentáveis, com aplicação do Referencial GBC Brasil Casa, desenvolvido especificamente para residências e condomínios brasileiros. Consulte-nos.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Soluções inovadoras reduzem poluição e aumentam eficiência de prédios

Por Paula Moura, para o UOL, em São Paulo (SP), 14/07/2015

A luta contra a poluição nas grandes cidades conta com a tecnologia em diversos aspectos, mas, recentemente, inovações na área de arquitetura vêm ampliando essa participação. Há alguns anos, quem imaginaria um prédio cuja fachada absorve a poluição? O projeto é do escritório de arquitetura Elegant Embelishments, que fica em Berlim, capital da Alemanha e já foi implantado em um hospital no México. O escritório agora estuda baratear a cobertura que absorve a poluição das fachadas, que ainda custa cerca de 330 euros por metro quadrado.


Torre de Especialidades, na Cidade do México, com fachada revestida de dióxido de titânio, que absorve a poluição. O projeto é do escritório de arquitetura Elegant Embelishments, que fica em Berlim, na Alemanha

Segundo Schwaag, ainda não foi possível medir cientificamente o quanto o prédio consegue afetar o ambiente ao redor do prédio. "Os fatores que influenciam os resultados não são possíveis de serem controlados. Direção do vento, nível de poluição e de luz estão sempre mudando", diz. "O que podemos fazer é provar a atividade da fachada, que testes de laboratório provaram uma redução de 70% das taxas (de dióxido de carbono) em condições favoráveis de vento".



A forma da fachada foi inspirada em corais marinhos e é revestida com dióxido de titânio, um pigmento que age como catalisador de reações químicas quando ativado pela luz do sol. Quando os raios UV atingem o material, a reação converte monóxidos de nitrogênio, ou seja, um dos componentes da fumaça, em substâncias menos agressivas como o nitrato de cálcio e água e outras não tão desejáveis como o dióxido de carbono

"A fachada funciona como proteção contra a luz do sol e como fotocatalisador", explica Daniel Schwaag, um dos diretores do escritório. A forma foi inspirada em corais marinhos e é revestida com dióxido de titânio, um pigmento que age como catalisador de reações químicas quando ativado pela luz do sol. Quando os raios UV atingem o material, a reação converte monóxidos de nitrogênio, ou seja, um dos componentes da fumaça, em substâncias menos agressivas como o nitrato de cálcio e água e outras não tão desejáveis como o dióxido de carbono.

No Brasil

A variedade de materiais utilizados para evitar gastos energéticos e contra a poluição é bem grande. Para evitar o efeito ilha de calor nos prédios e a proliferação de fungos e bactérias, por exemplo, foram criadas tintas que refletem radiação e evitam o calor dentro dos prédios, além de serem autolimpantes e antifungo. "Tínhamos brancas, mas agora foram desenvolvidas pigmentações coloridas também", conta Felipe Faria, diretor do Green Building Brasil.

A organização segue parâmetros internacionais de certificação levando em conta a sustentabilidade das edificações comerciais, residenciais e públicas, oferecendo diretrizes sobre o aumento da eficiência energética, racionalização do uso da água, produção de energia renovável e uso de material de baixo impacto não apenas ecológico, mas também social. São 252 prédios certificados e 997 registrados no país, que fica atrás apenas de Estados Unidos e China no ranking de 143 países.

Faria cita que as tecnologias vão desde aproveitar a ventilação natural de um prédio ao uso de vidros que filtram calor, sistema inteligente de gerenciamento de água, ares condicionados com qualidade controlada por computadores, irrigação por gotejamento diretamente na raiz das plantas para evitar evaporação, e, é claro, uso da fotocatálise de várias formas, inclusive para limpar o ar condicionado."O estádio Mané Garrincha, por exemplo, tem uma cobertura autolimpante que sequestra CO2", lembra.

O bom e velho verde

Essas tecnologias conversam também com a boa e velha alternativa: mais verde na cidade. Além de sequestrarem dióxido de carbono do ar, as árvores ajudam a absorver água das chuvas, ajudando a conter enchentes, e elevam a umidade do ar, ajudando contra a formação de ilhas de calor. O telhado verde, que já virou lei para edifícios em Recife neste ano, consegue melhorar a temperatura dentro e fora do prédio. Em nível nacional, ainda está para ser votada uma lei federal sobre o assunto.

Entre 2012 e 2013, o geógrafo Humberto Catuzzo mediu a temperatura em dois prédios no meio da ilha de calor de São Paulo por um ano e 11 dias a cada dez minutos. No Edifício Matarazzo, sede da prefeitura, onde há telhado verde, a temperatura chegou a ser cinco graus mais baixa do que no Edifício Mercantil/Finasa, sem cobertura verde. Além disso, a umidade no prédio da prefeitura foi 16% mais alta.

"Houve redução de gasto de energia internamente, pois, no verão, fica mais fresco, e, no inverno, mais quente dentro do prédio", explica o professor. "A cidade de Chicago é um exemplo da aplicação dos telhados verdes e estudos mostram que há redução de gasto de energia com ar condicionado".  Em março, a prefeitura de São Paulo incluiu fachadas e telhados verdes como possibilidade de compensação ambiental.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Imóveis sustentáveis terão desconto de até 12% no IPTU em São Paulo

Fonte: Estadão, 15/10/2015

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vai encaminhar nesta quinta-feira, 15, para a Câmara um projeto de lei que prevê descontos de 4% a 12% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de imóveis com certificação de sustentabilidade, os chamados “prédios verdes”. O benefício terá validade de oito anos e servirá só para construções que obtiverem o selo após a lei entrar em vigor – ou seja, não será uma medida retroativa. Se aprovada, a lei ainda terá de ser regulamentada. “Trata-se de fazer do regime tributário da capital um instrumento de incentivo para novas práticas”, disse o prefeito.

Pela proposta, não haverá necessidade de aparelhar o Executivo com equipe técnica para vistoriar e certificar os imóveis. A ideia é reconhecer os selos já existentes no mercado da construção civil – como o Leed e o Aqua – para conceder aos imóveis descontos por faixas: 4%, 8% e 12%.

Na fase de regulamentação, uma tabela de equiparação entre os selos conferidos pelas certificadoras e a Prefeitura será divulgada. Haddad garantiu que as empresas certificadoras devem ser ouvidas durante a elaboração de tais regras.

Segundo estimativa do secretário municipal de Finanças, Rogério Ceron de Oliveira, a medida pode beneficiar de 500 a 1 mil imóveis paulistanos – o total, por ano, de prédios que são inaugurados ou repaginados e que, pela expectativa do poder público, tentarão obter as certificações ambientais. Pelas contas do secretário, a Prefeitura deixará de arrecadar de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões de IPTU por ano, conforme a adesão.

Experiência
“Isso é novidade. Nenhum município fora dos Estados Unidos e da Suécia adotou essa política”, afirmou Felipe Faria, diretor executivo do Green Council Brasil – o órgão é o responsável pela certificação Leed no Brasil.

Projetos semelhantes existem em outras capitais do País, mas com a vistoria e o método de responsabilidade da própria Prefeitura. É o caso de Salvador, que regulamentou legislação oferecendo desconto de até 10% no IPTU para proprietários de imóveis que implementam medidas sustentáveis.

A prefeitura da capital baiana emite certificados de acordo com os equipamentos instalados em um prédio. Os donos dos imóveis devem ter um mínimo de 50 pontos para obter um abatimento mínimo de 5% na taxa do imposto. Em Salvador, uma torneira com restritor de vazão, por exemplo, dá três pontos. Já um sistema de reúso de água da chuva em 90% da área de um a casa equivale a 10 pontos.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

“Casa do futuro” terá chão que produz energia e ar condicionado que vem do solo

Fonte: BBC Brasil

É a chamada casa do futuro: terá chão cinético, capaz de transformar os passos em luz. Será autossuficiente em energia elétrica e no abastecimento de água, com uso de chuva recolhida e filtrada. Os ambientes serão climatizados naturalmente, sem ar condicionado. Construída com pré-moldados, não terá nenhum material químico.

Ela será construída em Niterói, no Rio de Janeiro, às margens da Baía de Guanabara, numa praça pública. O projeto completo custa R$ 5 milhões, e é resultado de um “crowdsourcing”, financiamento coletivo pela internet, implantado pela empresa Enel Brasil, filial da gigante energética italiana.

O objetivo do experimento é colher informações sobre como as pessoas imaginam a vida doméstica no futuro. A casa faz parte do projeto N.O.V.A (Nós Vivemos o Amanhã), e foi a primeira a receber um dos mais importantes certificados ambientais na América do Sul, o Living Building Challenge.

“Se trata de uma experiência inédita, tecnológica, sim, mas, principalmente, sociológica, no campo do comportamento e dos desejos. Algumas soluções, como a fonte de energia solar, forneceremos nós mesmos, outras iremos buscar nas start-ups envolvidas”, disse à BBC Brasil o presidente da Enel Brasil, Marcelo Liévenes, durante a apresentação do projeto em Milão.

A construção integra o programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As obras começarão em novembro, e a conclusão está prevista para antes dos Jogos Olímpicos, em agosto de 2016.

“Usaremos antigas técnicas de arquitetura no Brasil com mais de 500 anos, como o cruzamento da ventilação, a fonte geotérmica, pois escavando 20 m no solo conseguimos climatizar os ambientes naturalmente, substituindo o ar condicionado. Temos ainda o ensinamento do modernismo, com a paisagem entrando na residência”, disse o arquiteto responsável pelo projeto, Arthur Casas.

Como será?


A construção terá 375 m² e será feita num terreno de 1000 m². As águas cinzas serão recicladas, assim como os dejetos e o lixo orgânico, que serão transformados em gás metano. Vidraças inteligentes dispensarão limpeza e irão alterar transparência em função da luminosidade externa.

O pavimento da casa será de concreto modulado, que pode ser facilmente retirado e substituído. As tubulações e fiações passarão por baixo dele. Já a quadra de esportes terá piso cinético, que produzirá energia para iluminar o campo. A casa não precisará de eletricidade durante o dia. Monitores ligados à internet informarão o consumo de luz, água e gás em tempo real, além de dados de saúde dos moradores.

Um concurso pela internet vai escolher a família que irá ocupá-la e os moradores serão, de certa forma, cobaias das novas tecnologias: os pesquisadores querem saber quais serão as mudanças de ritmos e hábitos no consumo, e em quanto tempo irão ocorrer. Eles irão acompanhar o comportamento dos habitantes na casa, através do fluxo de informações. “Queremos saber como as pessoas irão morar ali, como irão se adaptar às novidades. Isso é o que importa porque o futuro tecnológico é já obsoleto”, disse Liévenes.

A casa terá, ainda, um espaço para hóspedes, que pagarão pela estadia, como “bed & breakfast” ou “airbnb”.


Para enfrentar a crise (ou Por que certificar empreendimentos existentes)

Começo este post com uma indagação: 

Se você fosse um gestor de um empreendimento, no atual cenário de crise econômica no Brasil, como você classificaria a estratégia de adoção de uma certificação de operações de edifícios existentes?
a) Um investimento de longo prazo. O momento não é favorável.
b) Uma despesa a mais. Tô fora.
c) Um luxo até desejável, mas desnecessário.
d) Uma oportunidade de redução de custos.
e) Uma forma de valorizar meu empreendimento.

A mensagem que trago aqui, e que sugiro que seja compartilhada a gestores e proprietários de empreendimentos existentes e em operação, ajudará a responder a questão:

Para enfrentar a crise, o melhor a fazer é reduzir os custos e aumentar a eficiência, certo?

Ok. Então, o mais recomendável é mesmo que se adote uma certificação de operações de empreendimentos existentes. Elas são ótimas ferramentas para promover reduções de custos operacionais e aumentos de eficiência, trazem benefícios aos processos de gestão e à qualidade dos ambientes e, além disto, uma vez obtida a certificação, ainda valorizam o empreendimento e a imagem dos seus ocupantes, gestores e proprietários.

Acrescente-se ainda que medidas de baixo (ou nenhum) custo podem começar a ser implementadas e proporcionar resultados palpáveis já nos primeiros meses do período de implantação de um plano de ação que pode ser ajustado ao fluxo de caixa da empresa ou condomínio, de forma a viabilizar a sua implantação.


Os benefícios são tão importantes que o LEED EB-OM (sistema de certificação LEED para edifícios existentes, operação e manutenção) está se tornando obrigatório por lei em muitas cidades dos EUA para prédios públicos, justamente por se tratar de medidas de economia de custos e aumento da eficiência no uso dos recursos públicos que têm boa aceitação pela população, que por sua vez tem passado a exigir isto dos seus governos. 

Os sistemas de certificação fornecem um mapa bem claro, cheio de oportunidades de melhorias e aperfeiçoamentos, muitos dos quais de implementação simples e fácil para qualquer edifício que esteja procurando reduzir suas despesas operacionais e melhorar sua performance. Constituem também um instrumento de aferição de resultados de medidas já implementadas ou que venham a ser implementadas, servindo assim também como uma boa ferramenta de gestão operacional.


Além do LEED EB-OM, promovido pelo USGBC, temos no Brasil a possibilidade de adotar também a certificação AQUA-HQE de Uso e Operação, promovida pela Fundação Vanzolini.

(Está convencido? Se sim, então por favor compartilhe. Se ainda não, então por favor continue lendo)

Ok. E como fazer para avaliar se daria certo pro seu empreendimento?

A) Primeiro, é preciso que se faça um Estudo de Viabilidade Técnica, para identificação de potenciais, oportunidades e eventuais riscos, de forma que se possa definir, para o empreendimento específico, quais seriam as estratégias mais viáveis para serem implementadas. O estudo levará em consideração o uso de energia e água, programas de manutenção, limpeza e gestão de resíduos, política de compras, dentre outros aspectos operacionais e constituirá um poderoso e consistente instrumento para subsidiar a tomada de decisão quanto à sequência do processo, com um caminho claro para ser seguido. 

B) Com sinal verde para seguir, uma vez discutidas e definidas as estratégias a serem adotadas, define-se um Plano de Ação, que incorporará estas estratégias e definirá metas de desempenho a serem atendidas, em função de indicadores estabelecidos nos processos de certificação, assim como as medidas e intervenções a serem feitas para que estas sejam atendidas, bem como um cronograma de implementação destas estratégias, a ser definido conjuntamente com os gestores e proprietários.

C) Com um plano de ação definido, passa-se então à Fase de Implementação do Plano, que deve ser acompanhada de forma sistemática, para verificação e medição de resultados e realização de ajustes, se necessários, de forma que se garanta que ao final do período, as metas de desempenho anteriormente definidas sejam alcançadas com sucesso.

D) Finalmente, ao final do período de implementação, com uma boa documentação de todo o processo e assessoria adequada, obtém-se a Certificação Ambiental do empreendimento e todos ficarão felizes.    

O Empire State Building, em Nova York,
é provavelmente o caso mais visível, de
empreendimento existente que se tornou
um Green Building, certificado
LEED EB-OM Gold em 2010.
(E agora, convencido? Se sim, então por favor compartilhe. Se ainda não, então por favor continue...)


Ok. E quanto custa para certificar um empreendimento em operação?

Práticas operacionais sustentáveis nem sempre exigem investimentos significativos. Relaciono aqui algumas medidas de baixo custo e fácil implementação que contribuem para os processos de certificação e para o aumento da eficiência da operação:

- Programa de desligamento controlado de lâmpadas e equipamentos mecânicos como ar condicionado, elevadores e bombas;
- Otimização de programas de manutenção de máquinas e equipamentos elétricos; 
- Gerenciamento e controle do descarte de resíduos;
- Revisão / substituição de equipamentos e peças hidráulicas;
- Gestão da irrigação do paisagismo;
- Gerenciamento dos sistemas de exaustão mecânicas;
- Favorecimento do aproveitamento da luz natural onde possível;

Clique na imagem para conhecer algumas
estratégias de sustentabilidade
implementadas no Empire State Building 
- Promoção de políticas de caronas compartilhadas e uso de bicicletas para a promoção da redução do uso de automóveis;
- Promoção de política de compras de produtos sustentáveis e mais saudáveis.
- Levantamentos de dados por meio de medições de campo e entrevistas com os usuários quanto às condições ambientais.

Outras medidas que também podem trazer ótimos resultados são, por exemplo:

- Captação, tratamento e aproveitamento de águas pluviais e residuais para usos não nobres;
- Substituição programada de lâmpadas e reatores por outros de melhor eficiência;
- Instalação de medidores de consumo de ramais hidráulicos e equipamentos elétricos;
- Instalação / revisão ou atualização de sistemas de automação e gerenciamento predial;
- Instalação / revisão de sensores de presença / movimento para integração aos sistemas de iluminação e climatização;
- Implementação de um plano de comissionamento operacional;
- Instalação de equipamentos de geração de energia local, de fontes renováveis;
- Instalação / substituição de equipamentos mecânicos por outros de maior eficiência.

Os custos para implantação destas medidas, naturalmente, dependerão de uma série de fatores gerais e específicos de cada empreendimento. Estudos realizados nos EUA sobre vários casos realizados, atestam que os custos totais para obtenção da certificação LEED EB-OM são em média de US$ 1,58 / pé quadrado, o que equivale a aproximadamente R$ 60,00 / m2 (considerando-se o dólar a quase R$ 4,00 nestas datas!). Ou seja, para muitos empreendimentos, não chegaria a 1% do valor do imóvel.

A chave da questão está em definir e priorizar adequadamente, já no Estudo de Viabilidade, as estratégias de baixo ou nenhum custo que sejam aplicáveis ao empreendimento e prever no Plano de Ação a implantação gradativa destas e das demais estratégias, à medida em que os resultados passem a ser percebidos.

(Agora, você pode compartilhar. Não? Ainda não está convencido? Bom, se chegou até aqui, você quer ser convencido. Então vamos lá...)

Ok. E o que meu empreendimento ganharia com isto?

Os benefícios são muitos. Resumo aqui alguns, comprovados por meio de pesquisas realizadas em sua maioria nos EUA:
O Condomínio Comendador
Yerchanik Kissajikian (CYK)
,
 localizado na Avenida Paulista,
em São Paulo, onde estão localizados
os escritórios da Petrobrás, conquistou
certificação LEED EB-O&M em
2008, tornando-se o primeiro
caso de 
Green Building de operação
e manutenção no Brasil.
- Redução de custos operacionais (energia, água, insumos, resíduos); 
- Valorização do empreendimento, para venda ou locação, em imóveis comerciais;
- Aumento da atratividade e taxas de ocupação em empreendimentos comerciais;
- Melhor qualidade dos ambientes interiores, com aumento de produtividade (em escritórios, indústrias e edifícios escolares) e de vendas (empreendimentos de varejo);
- Aumento da retenção de talentos e redução da rotatividade de pessoal;
- Valorização da imagem da empresa ou instituição e da posição de liderança de mercado;
- Melhor gestão e controle dos processos operacionais e gerenciais, com instrumentos para aferição de desempenho e melhoria contínua.

A questão fundamental para o sucesso do processo e para a otimização dos retornos não diretamente mensuráveis, está na habilidade e eficiência com que se comunica aos usuários e visitantes do empreendimento, bem como ao público geral, os benefícios dos edifícios verdes e a importância de uma operação responsável e sustentável, comprovada, de maneira incontestável, por meio da obtenção da certificação.

O principal aspecto talvez seja justamente o de dar um bom exemplo, de criar um modelo de referência para o mercado. A adoção de uma certificação ambiental de empreendimentos reforça uma imagem de pioneirismo e de liderança dos seus proprietários e gestores, além de indicar uma clara preocupação com o futuro e com a sustentabilidade, promovendo o uso racional dos recursos hoje. É um bom recado para ser dado.


(E aí, já compartilhou? Ainda tem mais....)

Ok. Então por que afinal não estamos implantando mais certificações ambientais de empreendimentos no Brasil?

Bom, me arrisco a dizer que certamente por desinformação dos gestores a respeito do processo, seus custos e benefícios, e também em grande parte por falta de suporte e orientação técnica adequados.

Por esta razão, recomenda-se a contratação de uma consultoria especializada para assessorar, orientar e acompanhar os processos de certificação. Recomendo que se contrate pelo menos um Estudo de Viabilidade Técnica feito por gente competente, para se identificar os potenciais e as oportunidades. Será assim mais fácil justificar o investimento, com um olho nos custos e outro nos benefícios. 

Antecipo: vale a pena! Os custos dos serviços de consultoria são perfeitamente assimiláveis, em especial quando comparados às reduções de despesas e outros benefícios esperados, e ainda são diluídos ao longo do processo. 


Tem mais: O BNDES oferece linhas de financiamento com o objetivo de apoiar projetos de investimentos, visando à implantação, à modernização, à expansão da capacidade e ao aumento da produtividade e da eficiência do setor de comércio e serviços nacional. Os empreendimentos que adotarem a Etiqueta PBE Edifica para eficiência energética dispõem de condições financeiras diferenciadas.

Por tudo isto, recomendo a adoção das certificações ambientais de edificações. Trata-se na realidade de uma ótima oportunidade, em que todos saem ganhando.

Espalhe a notícia. Estará fazendo um bem para o nosso país. Agradeço.
Caso deseje saber mais a respeito ou avaliar um empreendimento, entre em contato. Ficarei satisfeito em apoiá-lo nesta iniciativa.
Até breve,

Antonio Macêdo Filho
LEED AP BD+C / DGNB Consultant
EcoBuilding Consultoria

amacedo@ecobuilding.com.br
+55 11 98306 7562

Veja também (posts relacionados):


Nova linha de financiamento do BNDES Eficiência Energética é lançada




quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Por que arquitetos devem assumir o papel de líderes nas questões de sustentabilidade

Artigo publicado originalmente na GreenBiz, de autoria de Lance Hoseydiretor de sustentabilidade da RTKL.

Knox Innovation Opportunity and Sustainability
Centre / Woods Bagot. Image © Peter Bennetts
Um dos grandes nomes da sustentabilidade, Hunter Lovins, certa vez disse que a indústria da construção é "dinamicamente conservadora - ela trabalha duro para permanecer no mesmo lugar."


Mas os velhos hábitos não podem resolver completamente novos desafios. De acordo com a 350.org, as empresas de combustíveis fósseis tem atualmente em suas reservas cinco vezes a quantidade de carbono que, se queimada muito rapidamente, poderia elevar as temperaturas atmosféricas a níveis catastróficos onde tempestades da escala do furacão Sandy poderiam se tornar frequentes. O progresso rápido e profundo é imperativo.

A arquitetura está em uma arena essencial para a inovação sustentável. As construções representam cerca da metade da energia gasta e das emissões anuais nos EUA e três quartos da eletricidade consumida. Com o ambiente da construção em crescimento - o parque imobiliário dos EUA aumenta cerca de 278 milhões de metros quadrados a cada ano - os arquitetos têm uma oportunidade histórica para transformar este impacto em algo positivo.

Há sinais encorajadores. Desde que o sistema de classificação LEED do Conselho Norte Americano de Construção Sustentável foi criado cerca de 15 anos atrás, mais de 929 milhões de metros quadrados de construção foram certificados ou registrados, de acordo com o USGBC. A economia de energia média para edifícios certificados é de cerca de 32 por cento, e para as próximas duas décadas é esperado uma diminuição de 16 vezes da tonelagem de carvão usado, segundo estimativas.

Em 2006, o Instituto Americano de Arquitetos sabiamente adotou a campanha de Arquitetura "Desafio 2030", uma iniciativa que visava a neutralidade de carbono na indústria até o ano de 2030. "Acreditamos que devemos alterar as ações da nossa profissão", diz o relatório do AIA 2030, "e incentivar nossos clientes e todo o design e indústria da construção civil a se unirem a nós para mudar o curso do futuro do planeta."

O AIA, no entanto, removeu em 2012 o projeto sustentável dos requisitos de educação continuada dos membros: "Reconhecendo que as práticas de design sustentável tornaram-se uma intenção de design dominante na comunidade de arquitetura, o conselho de diretores votou para permitir que a exigência de educação de design sustentável cesse no fim do calendário do ano de 2012", relatou o Instituto. Outros tipos de créditos de educação continuada seguem obrigatórios.

O Conselho do AIA defende que o design sustentável se tornou "convencional", mas não explica como chegou a essa conclusão. Nos últimos anos, alguns dos arquitetos mais famosos do mundo têm publicamente rejeitado a sustentabilidade, entre eles o medalhista de ouro do AIA, Frank Gehry, referindo-se a sustentabilidade como algo "falso", e o vencedor do Prêmio Nacional de Design, Peter Eisenman, insistindo que a sustentabilidade "não tem nada a ver com a arquitetura." Enquanto isso, de acordo com a própria documentação de progresso do AIA em relação às metas de 2030, apenas 12 a 13 por cento dos projetos das empresas relatadas estão alcançando as metas atuais. Os números poderiam ser muito menores para outros arquitetos já que os participantes de 2030 serão presumivelmente adeptos iniciais.

A decisão de suspender a exigência de design sustentável significa que enquanto o AIA insiste que os arquitetos "devem" alterar as suas ações, uma mudança, de fato, não é obrigatória. O USGBC teve sua cota de controvérsias com os críticos protestando que o LEED não vai longe o suficiente, mas que, no mínimo, representa um padrão de referência de realização, e os números citados acima mostram um claro progresso, mesmo que este progresso deva acelerar. O AIA, que se auto intitula a principal associação de arquitetos, não tem obrigações semelhantes para seus quase 80 mil membros. Apesar de toda sua retórica progressiva, os esforços do AIA não garantem qualquer grau de progresso.


Uma imagem do infográfico da ArchDaily sobre o LEED. Saiba mais em http://www.archdaily.com/228578/infographic-leed/

Os educadores também não parecem estar fazendo progressos significativos. Cinco anos atrás, Kira Gould e eu fomos co-autores de um relatório para o AIA, "Ecologia e Design: Alfabetização Ecológica na Educação de Arquitetura", que estudou como escolas de arquitetura estão abordando a sustentabilidade. O que encontramos, de modo geral, é que elas não estão, pelo menos não de forma voltada para o mercado. Algumas escolas oferecem um curso obrigatório introdutório, e muitos programas de graduação, tais como o de Ambientes Sustentáveis da ​​Cal Poly, são um modelo convincente para a educação interdisciplinar, mas são estudos eletivos. Até agora, nem uma única escola de arquitetura exige que seus alunos sejam totalmente treinados a partir dos princípios do design sustentável. O relatório ofereceu recomendações para transformar a educação, que incluiu o currículo modelo "Educação em Design Ambiental Sustentável", mas que eu saiba, nenhuma escola adotou estas orientações ou semelhantes.

Em janeiro, os chefes de 19 escritórios de arquitetura de renome, incluindo o meu próprio, assinaram uma carta ao Conselho Nacional de Acreditação Arquitetônica, a agência responsável pelo padrão americano de ensino da arquitetura, apelando para a mudança: "As escolas profissionais de projeto estão bem preparadas para fornecer a liderança no ensino superior necessária para enfrentar o que nós julgamos ser o maior desafio deste século - a preservação de um planeta habitável". Liderados por Ed Marzia do Architecture 2030, os arquitetos solicitaram ao NAAB que este exigisse que cada estudante de arquitetura "tivesse capacidade projetual para enfrentar os desafios ambientais encarados por diversas comunidades em todo o globo."

Na cultura projetual, a inovação, muitas vezes significa pouco mais do que novidade estética. Procure no Google a frase "arquitetura inovadora" e você encontrará diversas geometrias provocativas, mas poucas (ou nenhuma) soluções inovadoras para os problemas mais graves. O projeto pode ser um poderoso agente de mudança, mas as premiações de projeto e a atenção da mídia em geral celebram o visual sobre a inovação.




Eco-Sustainable House / Djuric Tardio Architectes. Image © Clément Guillaume

6 passos para transformar a profissão de arquitetura

O AIA está certo ao afirmar que os hábitos da profissão devem mudar, mas a mudança mais radical é necessária agora. Abaixo estão seis simples, mas dramáticos, passos para transformar a profissão e a prática da arquitetura. Se a sustentabilidade realmente tornou-se convencional, como o AIA insiste, a mudança não deve ser difícil de se alcançar.

1. Imediatamente, cada organização que premia arquitetos pode começar a recompensar somente estruturas que satisfaçam um padrão mínimo de performance sustentável.
2. Dentro de seis meses, cada revista de projeto pode começar a destacar somente construções que satisfaçam um padrão mínimo de performance sustentável.
3. Dentro de um ano, cada órgão público, incluindo os governos federal, estadual ou municipal, pode exigir que todos os projetos iniciados no mesmo ano cumpram as metas atuais para o Compromisso 2030.
4. Dentro de dois anos, cada escritório americano de arquitetura pode adotar o Compromisso 2030 e cumprir as metas para todos os projetos iniciados no mesmo ano.
5. Dentro de três anos, cada agência de licenciamento pode exigir que os arquitetos comprovem um nível mínimo de competência em relação ao design sustentável a fim de manter a licença para a prática profissional.
6. Dentro de quatro anos, cada escola de arquitetura pode alterar seu currículo para assegurar que cada estudante de graduação esteja completamente ciente dos princípios e práticas do design sustentável.


Lance Hosey é diretor da RTKL. Seu último livro, "A Forma do Verde: Estética, Ecologia e Design" (Island Press, 2012), é o primeiro estudo das relações entre beleza e sustentabilidade. 
Cita: Lance Hosey. "Por que arquitetos devem assumir o papel de líderes nas questões de sustentabilidade" [Why Architects Must Lead on Sustainable Design] 05 Out 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Fernanda Britto) Acessado 8 Out 2015.

Meu comentário: 
É notável como o nosso cenário não é lá tão diferente do deles, nos EUA. Temos todos ainda um longo caminho pela frente mas, no nosso caso, a adoção de certificações como o LEED ou outras, tem um efeito em ganhos de qualidade no processo de produção e no produto da construção em si que faz de fato grande diferença, com significativos ganhos para todos os envolvidos. Deve, portanto, ser estimulada por todos os que tenham algum poder de atuar a respeito, em especial as instituições do setor.




Sustentabilidade ganha vez para reduzir custos e aumentar eficiência

Reproduzido de masterambiental.com.br, originalmente publicado em 01/10/2015 

Matéria publicada no Valor Econômico em 22 de setembro destacou a importância das empresas contarem com profissionais de sustentabilidade, estratégicos no cenário de crise em que se encontra o país, especialmente com problemas hídricos e energéticos.

E por que será? Justamente porque os investimentos em sustentabilidade podem significar redução de desperdícios, aumento da eficiência operacional, redução de custos e incremento da lucratividade, além de motivação e bem estar de colaboradores e maior satisfação de partes interessadas e redução de conflitos com vizinhos e populações afetadas.
Sem adentrar ao mérito das causas dessa onda de desconfiança e corte de custos no cenário econômico, a maioria das empresas aumentou o investimento na área de sustentabilidade.
noticia-sustentabilidade-pesquisaSegundo a pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps) e a consultoria Delouitte, que entrevistou 370 profissionais que trabalham na área de sustentabilidade, evidenciou que a maior parte das participantes, 43% das empresas, manteve o mesmo valor de investimento. 29% aumentou e apenas 9% reduziu o orçamento.

Os profissionais representaram empresas dos mais diversos setores, como bens de consumo, serviços, indústria financeira, energia, construção civil, comunicação, agronegócio, educação, transportes, químico e petroquímico, automotivo, eletroeletrônico, mineração, siderurgia e metalurgia, telecomunicações, higiene e saúde, embalagens, indústria de cimento, farmacêutico, papel e celulose, têxtil, florestal, gráfica e marketing.

O fato é que ainda há um grande caminho pela frente no que tange a sustentabilidade empresarial. Na percepção dos profissionais, apenas 18,5% avaliaram que as empresas onde atuam estão em um alto grau de maturidade e efetividade. Essas empresas atuam como líderes na promoção do conceito de sustentabilidade. 32% consideraram que as empresas em que trabalham ainda estão em fase de desenvolvimento, 18,5% em estágio básico e 7% ainda é incipiente.

Conforme a pesquisa, para 
51% dos entrevistados, a área de sustentabilidade deve ter como principal objetivo consolidar uma visão estratégica de sustentabilidade junto a todas as outas áreas da empresa.