segunda-feira, 28 de março de 2011

Estádios da Fifa deverão ser sustentáveis

Por Débora Spitzcovsky, para Planeta Sustentável - 22/03/2011

Nova norma estabelece que, para serem homologados pela Fifa, estádios deverão possuir certificado de construção sustentável. No Brasil, para acelerar o processo, o BNDES está oferecendo vantagens de financiamento para as obras das arenas esportivas que estão alinhadas com os princípios estabelecidos para esse tipo de construção.

Projeto do Estádio Mané Garrincha para a Copa de 2014: a arena esportiva de Brasília foi a primeira do Brasil a entrar com pedido para certificação LEED.

Os grandes impactos da construção civil no meio ambiente já não são segredo para ninguém: de acordo com dados da ONG GBC-Brasil - Green Building Council Brasil*, o setor é responsável por 65% da produção anual de lixo do país, além de responder por 25% das emissões de CO2e e 41% do consumo de energia elétrica. Para tentar mudar essa realidade, muitos movimentos no Brasil e no mundo defendem os princípios da construção sustentável e, agora, até mesmo a Fifa - Federação Internacional de Futebol está aderindo à causa.


A mais nova exigência do Caderno de Encargos da Fifa, para os estádios que têm a pretensão de serem homologados pela Federação, é que as arenas esportivas possuam certificado internacional que ateste que suas obras foram realizadas em alinhamento com os princípios da construção sustentável. A certificação ainda deverá ser emitida por um dos três principais selos verdes do ramo: o Green Star, o Green Globes ou o Leed - Leadership in Energy and Environmental Design*, que no Brasil é concedido pela GBC.

Paralelo a isso, o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social divulgou outra novidade que promete incentivar ainda mais o setor da construção sustentável: a instituição acaba de criar duas linhas de crédito - uma para arenas esportivas e outra para hotéis - que oferece vantagens de financiamento para as obras comprometidas com os princípios da construção responsável.

As novidades parecem, mesmo, ter despertado o interesse do setor esportivo pelas obras sustentáveis: cinco dos 12 estádios brasileiros que foram escolhidos para sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 já entraram com pedido para certificação Leed. "O primeiro foi o Mané Garrincha, em Brasília, que já possuía projetos que seguem essa linha de atuação. Em seguida, vieram os outros estádios, que ficam em Cuiabá, Belo Horizonte, Manaus e Salvador", contou Marcos Casado, gerente-técnico da GBC-Brasil, que ainda completou: "Há uma sexta arena esportiva que entrou com pedido de certificação Leed, mas não foi eleita para sediar os jogos de 2014: a do Grêmio, em Porto Alegre. Lá, o Internacional - que é privado e ainda não demonstrou interesse no selo Leed - foi eleito como estádio-sede da Copa, mas acredito que ele corre o risco de perder esse posto para o Grêmio, exatamente por conta dessa questão da construção sustentável".

BENEFÍCIOS PÓS-COPA DO MUNDO

Na opinião dos profissionais da GBC-Brasil, as novidades não só ajudarão a termos uma Copa do Mundo mais verde em 2014, no Brasil, como também trarão benefícios para o país após o evento esportivo. "Os torcedores experimentarão os benefícios dos estádios sustentáveis - como melhor conforto e maior visão do gramado, além das vantagens ambientais - e começarão a demonstrar maior interesse nessas arenas esportivas. Logo, os estádios que ainda não estão de acordo com os princípios da construção sustentável sentirão a concorrência e também vão querer elevar seu padrão de qualidade", disse Maria Clara Coracini, que é diretora-executiva da GBC-Brasil.

Já o gerente operacional da ONG, Felipe Faria, lembra de um outro benefício, que está relacionado à paixão do brasileiro pelo esporte e, sobretudo, pelo futebol: "Eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas mobilizam todo o país e, por isso, tem um potencial gigantesco para transmitir mensagens à população. Acredito que, ao chamar a atenção para a questão da sustentabilidade, esses eventos podem ajudar a acelerar o processo de conscientização das pessoas".

Para Faria, ao vivenciar os benefícios das construções sustentáveis, os brasileiros passarão a levar mais em conta os critérios socioambientais na hora de comprar um imóvel. "Isso vai ajudar a aquecer o mercado residencial da construção sustentável, que ainda enfrenta dificuldades. Muitas construtoras alegam que não adotam os princípios da certificação Leed porque os clientes ainda não entendem os benefícios de pagar um pouco a mais pelo imóvel para ter economia financeira e maior bem-estar no futuro. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 podem ser excelentes oportunidades para mudar essa visão dos consumidores", afirmou.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Workshop Internacional "Integrated Design Process for Green Buildings"

A EcoBuilding e o GBC Brasil iniciam em fevereiro uma série de Workshops Internacionais que, ao longo de 2011, trarão ao Brasil importantes e destacados profissionais dedicados à Construção Sustentável, que exporão os conceitos e informações mais atualizados no setor em todo o mundo, bem como suas experiências em projeto e execução de Green Buildings.

Em fevereiro: Workshop Internacional "Integrated Design Process for Green Buildings", com a arquiteta LEED AP Elsa Yasukawa (California, EUA) - Consultora internacional, LEED Faculty para o U.S. Green Building Council.


Mais informações e inscrições: info@ecobuilding.com.br / (11) 2626 9575.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Documentário relata a vida e obra do arquiteto Norman Foster


Por Mauricio Lima, para AU, publicado em PiniWeb, janeiro 2011.

Filme entrou em circuito comercial em Londres. Dirigido pelos espanhóis Norberto Lopez Amado e Carlos Carcas, o documentário sobre o arquiteto inglês Norman Foster entrou em cartaz na última quarta-feira (26). O filme relata a ascensão de um dos principais arquitetos do mundo e de sua busca para melhorar a qualidade de vida através do design.

O filme apresenta as origens de Foster e a concepção de projetos emblemáticos como o Aeroporto de Pequim, o Reichstag, o edifício Hearst e o Viaduto de Millau, na França. Segundo o site oficial do filme, Foster apresenta algumas soluções surpreendentes para os problemas que a urbanização do mundo pode causar.

A ideia de realizar o documentário partiu do produtor executivo Antonio Sanz. O filme, escrito e narrado pelo diretor do Design Museum de Londres, Deyan Sudjic, foi exibido três vezes durante o Festival do Rio 2010 e não tem previsão de estreia nos cinemas. O filme também recebeu o prêmio de melhor filme europeu no Festival de São Sebastião 2010 e de melhor documentário no Festival de Docville 2010.

Confira trailer e trecho do filme:

Fundação Vanzolini cria certificação Aqua para empreendimentos hospitalares


Por Mauricio Lima, para AU, publicado em Piniweb, dezembro 2010

Selo de sustentabilidade tem como objetivo incentivar a construção de empreendimentos com melhor qualidade sanitária e maior conforto ambiental. Certificação é baseada em 14 critérios de sustentabilidade

A Fundação Vanzolini lançou a certificação Aqua de sustentabilidade para empreendimentos hospitalares. O objetivo é garantir maior qualidade sanitária dos ambientes, além do conforto acústico, olfativo e visual para as novas construções do setor.

A certificação é baseada em 14 critérios de sustentabilidade e compreende quatro fases: projeto arquitetônico, projetos executivos, construção e operação.

Os benefícios da certificação para este setor estão baseados em critérios de desempenho avaliados por meio de auditorias presenciais demonstrando que as novas construções serão planejadas, projetadas e construídas de forma a obter condições ótimas de redução dos impactos ambientais e de consumo de água e energia elétrica, fazendo o melhor aproveitamento dos recursos e promovendo conforto e saúde aos usuários.

Mais informações estão disponíveis no site do processo Aqua.

Falta de mão de obra qualificada é o pior problema da construção na opinião de 68,4% dos empresários do setor

Da redação de Construção Mercado (Ed. Pini), publicado em Piniweb.com.br, em 31 de janeiro 2011.

Índice aumenta entre as empresas de grande porte, chegando a 85,4%, aponta pesquisa da Confederação Nacional da Indústria

A falta de trabalhador qualificado continua sendo o principal problema da construção civil. Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com empresários da construção civil, no quarto trimestre de 2010 o percentual de respostas para essa alternativa aumentou pela segunda vez consecutiva, alcançando 68,4%, contra 64% e 62% nos dois trimestres anteriores. Essa situação é comum a todos os portes, mas particularmente pior entre as grandes empresas, em que 85,4% das empresas assinalaram a alternativa. A "Sondagem da Construção Civil" referente ao mês de dezembro foi realizada com 375 empresas do setor entre 3 e 20 de janeiro de 2011.

De acordo com a pesquisa, a elevada carga tributária manteve-se como a segunda alternativa mais assinalada, mas caminhando em direção contrária à falta de trabalhador qualificado: 55,3% de assinalações no quarto trimestre, contra 58% e 60,9% nos dois trimestres anteriores. Os terceiro e quarto itens mais assinalados são o alto custo da mão de obra e a competição acirrada do mercado, com 27,4% e 24% de assinalações, respectivamente.

O indicador referente à evolução do nível de atividade do setor ficou em 51 pontos, ante 53 pontos registrados em novembro de 2010. O índice vai de 0 a 100 e valores acima de 50 registram aumento. De acordo com a pesquisa, o destaque na evolução do nível de atividade são as grandes empresas e o setor de construção de edifícios, que ficaram acima do seu nível usual para o mês. As empresas de pequeno porte apresentaram leve decréscimo, indicando 48,4 pontos.

A construção civil continuou contratando no quarto trimestre de 2010. O indicador de evolução do número de empregados situou-se em 53,7 pontos, sendo que a contratação foi comum a todos os portes, mas as grandes empresas são destaque com indicador em 58,2 pontos.

No mês de agosto, os empresários do setor continuam otimistas em relação ao nível de atividade dos próximos seis meses (61,9), a novos empreendimentos e serviços (62,8) e a compra de matérias-primas (59,9). Ainda, estima-se que as contratações continuem aumentando (62).

Clique aqui para acessar a pesquisa completa.

Comentários:
Visando atender à demanda por profissionais de elevada qualificação em todo o país, o INBEC e a UNICID oferecem cursos de especialização para Arquitetura e Engenharia com ênfase em áreas de forte crescimento no país nos últimos anos, o que também se espera para os próximos, tais como: Construção Sustentável, Gerenciamento de Obras e Tecnologias da Construção, MBA em Energia, Arquitetura de Hospitais e Hotéis, Petróleo e Gás, Infra-estrutura de Transportes, Geoprocessamento, Créditos de Carbono, dentre outros.

Há turmas em programação em diversas capitais do país. Mais informações e inscrições em: http://www.inbec.com.br/. Em São Paulo, contatar: saopaulo@inbec.com.br / (11) 2626 9575.

Arq. Antonio Macêdo Filho
amacedo@ecobuilding.com.br

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Brasil é o 5º no mundo em selo verde para construção sustentável

Publicado em Estadão.com.br, em 27 de janeiro de 2011.

O Brasil ficou com o 5.º lugar no ranking de maior número de certificações Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental, na sigla em inglês) para construções sustentáveis em 2010. Com 23 selos verdes emitidos no ano passado pelo Green Building Council Brasil, o País ficou atrás dos Estados Unidos, dos Emirados Árabes Unidos, do Canadá e da China.

Veja também: Infográfico - um prédio sustentável

Além dos empreendimentos que já ganharam o selo verde, outros 211 terminaram 2010 em processo de certificação, entre eles estádios de futebol, shopping centers, bairros e escolas. Para 2011, a expectativa é de que 35 empreendimentos sejam certificados e outros 300 estejam em processo de certificação no Brasil.

Tem ocorrido um aumento da construção sustentável, em que empreendimentos reutilizam a água, usam novas tecnologias de aquecimento e geração de energia, reduzem a quantidade de lixo gerado e usam materiais ecologicamente corretos nas obras.

De 1986 a 2006, apenas 500 empreendimentos eram considerados ecologicamente corretos em todo o mundo. Em 2010, eram mais de 100 mil edifícios comerciais e quase 1 milhão de residências. Numa construção certificada, o consumo de energia é 30% menor, em média, e o de água cai entre 30% e 50%.

Fonte: GBC Brasil

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

MBA em Construções Sustentáveis - Pós Graduação Lato Sensu INBEC / UNICID / GBC Brasil - 400 h. - Matrículas Abertas

Caros leitores,

Com satisfação recomendo o curso de MBA em Construções Sustentáveis, pós-graduação lato sensu com 400 h., promovido pelo INBEC - Instituto Brasileiro de Extenção e Cursos com a UNICID - Universidade Cidade de São Paulo, em convênio com o Green Building Council Brasil.
O curso tem minha coordenação, juntamente com o Eng. Marcos Casado, do GBC Brasil, e conta com corpo docente de elevada capacitação e reconhecimento.
As matrículas estão abertas para turmas em São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, e em breve também em outras capitais do país.
É sem dúvida um excelente curso, de elevado nível, e ótimo meio para solidificar conhecimentos nesta área que é uma das mais promissoras do país e que tem demandado cada vez maior capacitação técnica para lidar com as demandas do mercado que busca criar empreendimentos de melhor desempenho e mais sustentáveis.
Para mais informações e inscrições, favor clicar na imagem abaixo.
Agradeço aos colegas que encaminhem esta informação para outros que poderiam também se interessar pelo curso e fico à disposição para prestar mais informações sobre este e outros cursos de pós-graduação promovidos pelo INBEC e UNICID.
Até breve.

Arq. Antonio Macêdo Filho
amacedo@ecobuilding.com.br


Questão de luz

Por Giuliana Capello, Maggi Krause e Marcio Moraes, para Especial Casa Sustentável 2010

Campeãs de consumo, as lâmpadas incandescentes já estão com os dias contados na Europa. Mas sua reciclagem é bem mais simples que a das fluorescentes. Já o led, durável e econômico, exige um alto investimento inicial. Difícil decisão? Siga as dicas dos especialistas

Enquanto aqui no Brasil o assunto só ganha o noticiário quando acontece um apagão, a União Europeia planeja medidas drásticas. Substituir as lâmpadas incandescentes por opções mais eficientes (de modo progressivo, claro) é lei desde março de 2009. A meta: reduzir o consumo de eletricidade em 80 terawatts por hora até 2020 - o equivalente ao consumo da Bélgica ou de 23 milhões de lares europeus!

Mas por que esse tipo de lâmpada tem fama de vilão? De toda a energia elétrica necessária para que ela funcione, pouco (entre 8 e 15%) transforma-se em luz, o restante vira calor. Só na Europa, 32 milhões de toneladas de carbono são despejadas na atmosfera por ano, segundo a Comissão de Energia da UE. Então as fluorescentes irão reinar? Por lá, sim. Mesmo contendo mercúrio, mais complicado de reciclar, será fácil devolver lâmpadas em postos de coleta .

Especialistas brasileiros ponderam que a substituição precisa de critérios. "Ao acender, a fluorescente consome quase 50% mais do que gasta para se manter ligada", explica Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux). Por isso, em locais de uso rápido, como despensas e lavabos, sua vida útil diminui e ela perde a vantagem econômica.

"A incandescente, nessas condições, é mais adequada. Use um sensor de presença ou um dimmer para reduzir o consumo", ensina o designer Guinter Parschalk, especialista em iluminação. "Em ambientes que pedem aconchego, a incandescente se faz insubstituível", avalia o designer Fernando Prado. Na comparação, esse tipo de lâmpada leva vantagem em outros dois quesitos: tem produção nacional - a maioria dos bulbos compactos vem da China - e reciclagem bem mais simples, um alívio do ponto de vista ambiental.

Qualquer que seja a escolha, alguns comportamentos devem mudar. "Arquitetos e engenheiros precisam buscar um ponto de equilíbrio entre a iluminação natural e a artificial e usar lâmpadas de alto desempenho energético, sem deixar de lado o conforto", defende o arquiteto paulista Marcio Moraes, que bolou a tabela comparativa acima. Analisando-a, se observa que a diferença no total de custos vem do consumo de energia. E que os sistemas 1 e 2 possuem índice de reprodução de cor (IRC) igual a 100%, ou seja: as cores dos objetos não se alteram. A opção com led (diodo emissor de luz) promove menor gasto de energia, mas custa mais. "Ainda é algo novo, com preços altos. O desenvolvimento de novas tecnologias tende a reduzi-los", avalia o designer Fernando Prado.

O ciclo de vida do led é mais sustentável: não há contaminação no descarte e o alumínio ou o aço da estrutura podem ser reciclados. "Por durarem muitos anos, vão bem em áreas de difícil acesso, como piscinas, sancas e jardins", diz Guilherme Sartori, gerente de produtos da Osram. Também funcionam bem em locais onde se precisa da luz durante todo o dia, como em elevadores e halls de condomínios. "Nesses casos, a economia de energia é significativa", diz o engenheiro Luiz Nilton Palladino, da Soliton, indústria de tecnologia em led. Segundo ele, em obras com muitas luminárias o cabeamento da energia sai mais em conta, pois são utilizados cabos com bitola menor. "Além de possuir tons variados, o led não emite raios infravermelho e ultravioleta, por isso não prejudica a pele das pessoas e não gera calor, reduzindo o consumo de ar condicionado", explica Nilton.

Descarte Resposável

Cerca de 6 milhões de lâmpadas fluorescentes são descartados anualmente no Brasil. A reciclagem, porém, não chega a 4% desse total. "Isso vira um problema ambiental em função da presença do mercúrio, que vai para o solo e os lençóis freáticos", alerta Carlos Pachelli, da Tramppo, tel. (11) 3039-8382, empresa paulista que recicla o material. Em São Paulo, as lojas Dominici e La Lampe passaram a coletar o resíduo dos clientes.

Outras recicladoras:
• Bulbox, tel. (41) 3357-0778, Curitiba.
• Recicle, tel. (47) 3333-5055, Indaial, SC.
• Recitec, tel. (31) 3213-0898, Belo Horizonte.
Veja outras no site http://www.coletasolidaria.gov.br/.

A conta na ponta do lápis

Para iluminar um ambiente de 15 m2, com pé-direito de 2,80 m, forro branco, paredes em tom areia e piso de madeira, três lâmpadas incandescentes comuns de 100 w garantem a iluminância média (150 lux), recomendável pela Norma NBR 5 413 para atividades gerais em uma residência. Veja o que acontece quando substituímos essas lâmpadas por outras equivalentes, mas com tecnologias diferentes. Compare e economize!

SISTEMA 1

3 lâmpadas comuns incandescentes (R$ 2,50 e 100 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 620 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 100%
Quantidade média de luz no ambiente - 150 lux
Vida média da lâmpada - 750 horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 10
Energia gasta em 1 ano - R$ 126
Total de gastos em 1 ano - R$ 136

SISTEMA 2

3 lâmpadas halógenas energy saver (R$ 6,50 e 70 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 450 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 100%
Quantidade média de luz no ambiente - 135 lux
Vida média da lâmpada - 2 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 9,75
Energia gasta em 1 ano - R$ 88,20
Total de gastos em 1 ano - R$ 97,95

SISTEMA 3

3 lâmpadas fluorescentes compactas (R$ 18,50 e 23 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 1 400 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 80 a 89%
Quantidade média de luz no ambiente - 130 lux
Vida média da lâmpada - 6 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 9,25
Energia gasta em 1 ano - R$ 28,98
Total de gastos em 1 ano - R$ 38,23

SISTEMA 4

3 lâmpadas led (R$ 206 e 8 w cada)
Fluxo luminoso nominal - 600 lúmens
Índice de reprodução de cor - IRC - 80%
Quantidade média de luz no ambiente - 123 lux
Vida média da lâmpada - 70 mil horas
Gasto com compra de lâmpadas em 1 ano - R$ 25,75 (total diluído em 24 anos)
Energia gasta em 1 ano - R$ 10,16
Total de gastos em 1 ano - R$ 35,91

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Projeto de edifício de escritório une forma e eficiência

Caros,

Em recente concurso de projetos para a sede do Conselho de Administração de Santa Catarina, em Florianópolis, sagrou-se vencedor um projeto que se destaca por suas estratégias voltadas para a eficiência energética.

Reproduzo a seguir, em versão original em inglês, texto publicado no site Inhabitat.com, a respeito do projeto e aproveito para parabenizar os seus autores, da AUM Arquitetos. É um belo projeto e um bom exemplo.

Brilliant Brazilian Office Tower Marries Form with Efficiency

by Andrew Michler, 12/29/10

This beautiful mid-rise in Brazil will soon be the home of the Council of Administration of Santa Catarina. AUM arquiteto’s winning design not only achieves visual richness in a simple form, but it also features an outstanding energy-efficient plan that synthesizes the look and the function of the building. The design begins with location — a choice lot overlooking the Atlantic Ocean. The office tower uses the sea breezes to cool off and a host of other techniques to avoid running the AC — all while providing multiple connections to the outdoors and to the greater community.


The design strategy focuses on using passive means to cool the building. The screened façade on the sides blocks the rising and setting sun, while a patch of green roof and overhangs helps mitigate midday sun exposure. Patios and overhangs at the front of the building scoop up the sea breezes though operable windows.


Modules set within the side of the façade indent on each floor to allow office occupants to enjoy a small patio and green space complete with trees. The front and back also have outdoor space providing views of the sea and forested hillside respectively. The building is topped off with a solar electric array to help offset power consumption.

The entire building rests on just four pillars, with a large indoor theater for event hosting and three levels of tuck-under parking to make the best use of space. The overall design is efficient in terms of energy and space while being open to the surroundings to take advantage of the choice location and climate.

Ministérios se unem para incentivar energia solar

Da redação do Site Inovação Tecnológica - 29/12/2010

Embora a matriz energética brasileira já seja predominantemente baseada em energias renováveis e o Brasil tenha elevado potencial de irradiação, a participação da energia solar ainda é incipiente no País.

A usina heliotérmica que deverá ser construída em Pernambuco usará a tecnologia de cilindros parabólicos.[Imagem: Abengoa]

Reportagem recente da revista Photon (importante publicação de energia solar fotovoltaica em âmbito internacional) intitula o Brasil como "o gigante que está dormindo embaixo do sol".

Mas talvez este cenário possa começar a mudar a partir de 2011.

A reboque das iniciativas do setor privado, voltadas sobretudo para o uso da energia solar térmica para o aquecimento de água residencial, o governo federal deu os primeiros passos para uma política pública mais sólida para o setor da energia solar no Brasil.

Energia heliotérmica

Foi assinado nesta semana, em Brasília, um Acordo de Cooperação Técnica entre os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e de Minas e Energia (MME) com o objetivo de fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico para o aproveitamento da energia solar no Brasil.

O foco dos esforços será a energia heliotérmica, que usa concentradores solares para aquecer fluidos e gerar eletricidade.

O princípio de funcionamento de uma usina heliotérmica é similar ao de uma termelétrica, com a diferença que o calor que alimenta as turbinas é gerado pela luz do Sol. Atualmente existem três tecnologias principais na área: cilindros parabólicos, torre central e disco parabólico.

O acordo entre os Ministérios prevê o acompanhamento conjunto de atividades, compartilhamento de informações, fomento para a elaboração de projetos-piloto, de pesquisa e demonstrações, de capacitação técnica e de acordos nacionais e internacionais, além da criação um Comitê Gestor.

Heliotérmica em Pernambuco

De acordo com o Coordenador de Energia e Inovação de Tecnologia do MCT, Eduardo Soriano, "o acordo vai alavancar a implantação da Planta Piloto de Geração Heliotérmica no Semiárido", em Pernambuco, com aporte inicial de R$ 23 milhões, sendo R$ 18 milhões do Fundo Setorial de Energia (CT-Energ) e R$ 5 milhões da Secretaria de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente do estado (Sectma).

A Plataforma de Pesquisa Experimental abrange tecnologias de diversos tipos de sistemas, nos moldes de plataformas de pesquisa existentes no exterior, como a de Almeira (na Espanha). A primeira tecnologia a ser implantada será a de cilindros parabólicos.

O projeto conta com parceiros como a Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Fapape), o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), dentre outras instituições em fase de negociação.

Tecnologia solar no Brasil

Na avaliação do ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o documento é um marco do desenvolvimento da tecnologia solar no Brasil e, para isso, é essencial que o País elabore mecanismos que estimulem a produção de pesquisas e tecnologia nacional.

"É importante o Brasil não somente ir lá fora e comprar uma central solar, mas trazer a comunidade acadêmica, centros de pesquisa e também, numa outra etapa, as empresas que pretendem participar de todo o processo", afirmou Zimmermann.

Veja também a reportagem Energia solar no Brasil pode ser vantajosa a partir de 2013.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Residências: etiquetas para quem consome menos

Da Agência Ambiente Energia

As primeiras etiquetas de eficiência energética residencial foram entregues, no final de novembro, a nove projetos, entre os quais a Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul (foto). Elaborada pela Eletrobras e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalizaçao e Qualidade Industrial (Inmetro), a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia busca estimular a redução do consumo de energia em residências e edifícios multifamiliares, fazendo a classificação dos imóveis, assim como já acontece com os eletrodomésticos.

Voluntária, a certificação é concedida dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). “A população já entende a etiquetagem e as empresas da construção civil certamente vão querer obtê-la como um diferencial para o seu produto”, avalia o diretor de Tecnologia da Eletrobras, Ubirajara Rocha Meira. Para o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentábel, Marcelo Takaoka, apenas com a adoção de tecnologias de eficientização já existentes é possível obter uma redução de até 40% da energia consumida nas residências brasileiras.

Segundo dados da Eletrobras, atualmente, edificações residenciais, comerciais, de serviços e públicas representam quase 45% do consumo brasileiro de energia, sendo que as residências respondem por 15% desse total. A economia que pode ser obtida a partir da redução do consumo com imóveis planejados, construídos ou reformados de forma eficiente interessa também ao governo, pois significa mais disponibilidade de energia para o crescimento rápido do país.

“A avaliação das edificações residenciais baseia-se em aspectos que apresentam consumo significativo de energia elétrica, ou seja, o desempenho térmico de fachadas e coberturas, com ênfase na iluminação e ventilação naturais, e na eficiência do sistema de aquecimento de água”, explica Solange Nogueira, gerente da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras/Procel Edifica.

Metodologia – Para criar a etiqueta de eficiência energética residencial, o Inmetro selecionou diversas metodologias e combinou-as num processo sintetizado. A etapa seguinte foi a acreditação dos organismos de inspeção para emiti-las. Atualmente, o Laboratório de Eficiência Energética da Universidade de Santa Catarina (LabEEE), que colaborou no desenvolvimento dos Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais (RTQ-R), é o único autorizado pelo instituto.

De acordo com Roberto Lamberts, supervisor do LabEEE, a metodologia de avaliação foi definida a partir de 150 mil simulações feitas para os diferentes climas brasileiros. Os critérios são diferentes para as oito regiões bioclimáticas do país. O engenheiro explica também que a etiquetagem está constituída de três índices, que avaliam o nível de eficiência do imóvel no verão, no inverno e o aquecimento de água. Há também um índice para avaliar o desempenho da edificação quando refrigerada artificialmente.

No caso de edifícios multifamiliares, cada unidade de apartamento terá etiqueta individual correspondente ao seu nível de eficiência energética e o prédio como um todo receberá sua própria etiqueta com o número de unidades por estágio de eficientização, que varia de “A” a “E”. Também serão avaliadas e receberão etiqueta as áreas de uso comum dos prédios.

Conheça os primeiros projetos certificados:

* Eletrobras Eletrosul, pela Casa Eficiente – Florianópolis (SC)

* Parceria Finep, Caixa e Núcleo de Pesquisa em Construção da UFSC, por meio do Programa Habitare, pelo protótipo de habitação de interesse social – Florianópolis (SC)

* Central de Crédito Rural com Interação Solidária, por duas residências – Chapecó (SC) e Frei Rogério (SC)

* Construtora Sphera Quattro, pelo empreendimento multifamiliar Residencial SJ1 – São José (SC)

* Empresa Cidade Pedra Branca, pelo empreendimento multifamiliar Travertino – Palhoça (SC)

* Construtora Rossi, pelo empreendimento multifamiliar Condomínio Atlântida – Xangri-lá (RS)

* Construtora Tecnisa, pelos empreendimentos multifamiliares Residencial Moai e Residencial Flex Guarulhos – São Paulo (SP) e Guarulhos (SP).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O que o brasileiro pensa sobre sustentabilidade

Da redação da revista Época, dezembro 2010
Estudo mostra que aumentou a preocupação com o aquecimento global e que o brasileira leva em conta a responsabilidade social das empresas na hora de comprar. Entre 2009 e 2010, o brasileiro ficou mais preocupado com o meio ambiente e com as escolhas que influenciam o futuro do planeta

O brasileiro leva em conta as iniciativas sustentáveis das empresas antes de fazer compras e está ficando cada vez mais preocupado com problemas ambientais como a quantidade de lixo gerada e o aquecimento global. As conclusões são do estudo Futuros Sustentáveis, realizado pela consultoria Havas e pelo instituto de pesquisas GlobalScan.

Entre os nove países pesquisados entre março e abril deste ano, o Brasil ficou em terceiro lugar na lista daqueles onde as pessoas disseram se preocupar “sempre” com as questões ambientais, sociais e éticas na hora de fazer uma compra. Responderam desta forma 16% dos 2,5 mil entrevistados no Brasil, contra 20% dos indianos e 18% dos mexicanos. Na Alemanha e no Reino Unido, os últimos colocados, apenas 3% responderam à questão desta forma.

Os brasileiros também se mostraram mais propensos a premiar uma empresa que se mostra responsável do ponto de vista socioambiental do que a punir outra que não seja. Dos entrevistados, 90% disseram já ter recompensado uma empresa, enquanto 82% disseram já ter punido. Segundo os números dessa pesquisa, essa tendência é verificada em outros países em desenvolvimento, como a China, Índia e México, mas não nos países desenvolvidos pesquisados. Na França, por exemplo, 78% dos entrevistados disseram ter premiados empresas responsáveis enquanto 76% afirmaram ter punido as que não são.

Esse comportamento aparentemente se deve ao espaço que temas ambientais têm na lista de preocupações dos brasileiros. O estudo mostrou que 65% dos entrevistados se dizem “muito preocupados” com a poluição ambiental, terceiro assunto mais citado em uma lista de dez temas, atrás apenas da violência e da educação. Na comparação com a pesquisa anterior – realizada entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 – a preocupação com a poluição cresceu quatro pontos porcentuais, mesma tendência de outros temas semelhantes.

O excesso de lixo gerado, quarto tema mais citado, foi classificado como de “muita preocupação” por 62% dos entrevistados, antes 54% em 2009. O mesmo nível de preocupação foi obtido pelo tema “esgotamento de recursos naturais”, que tinha 58% em 2009 e passou a preocupação com a saúde, que se manteve estável em 59%. Se disseram muito preocupados com o aquecimento global 58% dos entrevistados, ante 49% de 2009. No mesmo período, houve redução das preocupações com pobreza (de 56% para 54%), desemprego (52% para 48%) e a economia (44% para 42%).

A pesquisa também mostra que 91% dos entrevistados acreditam que as grandes empresas devem estar ativamente envolvidas na resolução dos problemas sociais e ambientais do país, enquanto em 2009 os que tinham essa opinião somavam 88%. Para 85%, o apreço por uma companhia aumentaria se ela estivesse ligada a uma entidade de caridade ou ONG e 64% disseram que aceitariam pagar até 10% a mais em um produto fabricado de maneira socioambientalmente responsável.
O estudo deixa claro que, além de investir na própria imagem de responsabilidade social, as empresas devem divulgar seus produtos desta forma. Segundo os entrevistados, o que mais dificulta a compra de produtos sustentáveis é a falta de informação e a dificuldade de descobrir se eles realmente são sustentáveis. A segunda razão mais citada para não comprar os produtos foi o preço – para 52% – e a terceira foi a falta de acesso a esses produtos (37%).
Na lista de companhias mais responsáveis do ponto de vista socioambiental apareceu em primeiro lugar a Natura (27%), seguida por Petrobras (22%), Nestlé (15%), Vale (14%), e os bancos Bradesco e Real (9%).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Blog do Macêdo atinge 11.000 visitas no mês de novembro

Caros,

É com satisfação que informo que o Blog do Macêdo ultrapassou as 11.000 visitas no mês de novembro, ou seja, mais de 360 por dia, em média. É uma marca que impressiona.

É também mais um indicativo de que as pessoas de fato estão cada vez mais se interessando e buscando se informar a respeito das sustentabilidade na Arquitetura e Construção.

Fico satisfeito em poder contribuir para a qualificação de profissionais e estudantes na área em todo o país, como faço também com os cursos que realizamos pela EcoBuilding, com a graduação em Arquitetura Sustentável pela UNICID, que dirijo, e com os cursos de Pós-graduação em Construção Sustentável pelo INBEC, em convênio com o GBC Brasil.

Agradeço aos colegas que seguem, incentivam, indicam, comentam ou apenas visitam o Blog do Macêdo. Vocês são o principal estímulo.

Obrigado a todos!

Arq. Antonio Macêdo Filho
amacedo@ecobuilding.com.br
amacedo@unicid.br

Santa Catarina terá centro de certificação para painéis fotovoltaicos

Da redação do Jornal da Energia - São Paulo, 29 de Novembro de 2010

Portugueses assinam acordo para transferir tecnologia para o Estado; ideia é atrair investidores do setor solar

O Estado de Santa Catarina deve receber em breve um laboratório de energia solar fotovoltaica que, com capacidade para certificar painéis de geração de energia a partir do sol, que poderá servir para incentivar os investimentos na fonte no País. O negócio começou a ser tratado neste mês, em Portugual, durante a realização de um fórum sobre energias renováveis. Ao final do evento, o Estado assinou um protocolo de intenções com a estatal Lógica, gestora do Parque Tecnológico da cidade portuguesa de Moura.

O documento prevê a instalação do laboratório em parceria com a Fundação Científica e Tecnológica em Energias Renováveis, criada por várias instituições de ensino e pesquisa de Santa Catarina. A intenção é certificar os equipamentos fotovoltaicos não só no Brasil, mas também na América Latina. “A implantação de um laboratório em parceria com a instituição responsável pela maior central de energia solar do mundo pretende estimular a produção desses painéis no Brasil e fazer nosso país avançar na geração de energia solar, ainda pouco explorada pelo potencial que temos”, explica o deputado estadual Pedro Uczai, que articulou a negociação.

O parlamentar, que coordenou as três edições do fórum Sustentar em Santa Catarina, esteve na edição portuguesa do evento e destacou a importância dos investimentos no setor solar não somente pela questão ambiental, mas também pela "oportunidade econômica e social". De acordo com o deputado, a construção de um laboratório semelhante na cidade de Moura, em Portugal, estimulou a criação de uma nova cadeia produtiva e a geração de mão de obra na área.

O protocolo de intenções firmado com os portugueses ainda prevê o desenvolvimento de esforços para instalar no Brasil duas fábricas de produção de painéis fotovoltaicos, a partir de diferentes tecnologias.

Residências ganham etiqueta de eficiência energética

Por Vanessa Barbosa, para Exame.com - 30/11/2010

No Brasil, as edificações respondem por 45% do consumo nacional de energia elétrica, sendo as residências responsáveis por 22% desse total. Para promover a economia e o uso racional da energia elétrica nas habitações familiares, a Eletrobras e o Inmetro lançaram nesta segunda-feira (29), em São Paulo, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para casas e edifícios residenciais.

A etiqueta será concedida pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que já emite outras duas certificações semelhantes voltadas para eletrodomésticos e edifícios comerciais, públicos e de serviço. Mas dessa vez, os consumidores estão sendo munidos de mecanismos para escolher um novo lar levando em conta o seu desempenho energético. Uma escolha amiga do meio ambiente e boa para o bolso: morar em um prédio eficiente em energia pode reduzir de 30% a 40% a conta de luz no fim do mês.

Os empreendimentos participantes do programa (de adesão voluntária), são avaliados quanto ao desempenho térmico durante o inverno e o verão, e aos sistemas de aquecimento de água, iluminação e refrigeração. Para cada um dos pré-requisitos é dada uma classificação, que vai de "A" a "E", dependendo dos niveis de eficiência energética verificados. A média ponderada das categorias determina a nota final do prédio.

Segundo o diretor de tecnologia da Eletrobras, Ubirajara Moreira, aos poucos os programas de eficiência energética ganham mercado e despertam o interesse social. "É um processo em formação que vem envolvendo o setor privado e ganhando reconhecimento do consumidor", afirmou.

Durante o lançamento, também foram entregues as primeiras etiquetas de eficiência energética residenciais. Ao todo, nove empreendimento receberam a certificação. Um deles foi a Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul, em Florianópolis (SC), que possui soluções de eficiência energética como geração de energia fotovoltaica. O empreendimento é atualmente a sede do LMBEE - Laboratório de Monitoramento Ambiental e Eficiência Energética, responsável pela realização das avaliações técnicas das edificações do programa Procel Edifica.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Philips e CERTI selam parceria por OLED´s no Brasil

Da redação de Uol.com.br - Convergência Digital, 29/11/2010 (publicado sem as imagens, que acrescentei)

A Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) e a Philips firmaram um convênio de cooperação com duração de três anos para a execução do projeto EMO (Emerging Marketing OLED), que viabilizará o desenvolvimento de soluções de iluminação para os mercados emergentes utilizando a tecnologia OLED.

O novo recurso é reconhecido por revolucionar o conceito de fonte de iluminação, pois permite o uso de lâminas emissoras de luz no lugar de lâmpadas e pela eficiência energética que proporciona. Este projeto conta com o suporte do BNDES-FUNTEC.

Com inúmeras patentes nessa área, a Philips é detentora da tecnologia mais avançada de OLED para iluminação no mundo. Por meio da parceria firmada no Brasil, a empresa possibilitará que o aprimoramento dessa tecnologia seja realizado em território nacional.

Durante os três anos do projeto os profissionais, técnicos e engenheiros do CERTI trabalharão em melhorias para as inovadoras lâminas emissoras de luz. Com elas, a Philips produzirá luminárias OLED, que devem ser comercializadas no Brasil a partir de 2013. Atualmente, o OLED é pesquisado e desenvolvido pela Philips somente na Alemanha, em um de seus diversos laboratórios, a Lumiblade.

“Quando falamos de OLED, falamos do futuro da iluminação que já vem se transformando com a realidade dos LEDs e que associado ao OLED impactará positivamente todos nós, porque, entre outras vantagens, é uma tecnologia energeticamente eficiente. Em breve, recorreremos a estes recursos em todos os ambientes e vivenciaremos uma experiência única com a iluminação. O projeto EMO é o primeiro passo para a realização desta nova perspectiva”, afirma o CTO e diretor de Tecnologia da Philips do Brasil, Walter Duran.

O OLED (Organic Light-Emitting Diode, na sigla em inglês), um diodo orgânico emissor de luz, será a próxima tendência em iluminação no mercado global nos próximos anos, complementando as já inovadoras soluções atuais de LED. O produto é baseado em uma tecnologia inovadora que revolucionará os conceitos de iluminação conhecidos atualmente.

Com o OLED, as lâmpadas e luminárias formadas por pontos de luz darão lugar a uma única lâmina capaz de produzir uma luz difusa, potente, muito semelhante à natural, mais confortável, de longa vida útil, baixa voltagem, com mais eficiência energética, que permite um design ousado e de fácil reciclagem por não conter elementos tóxicos ao meio ambiente em sua composição.

Com o advento dos OLED flexíveis muitas das superfícies poderão ter luz própria, como por exemplo, o interior de uma geladeira (nunca mais ficará escura, difícil de localizar algo). O teto curvo de um automóvel pode ser coberto de OLED flexível; imagine o que pode ser feito com esta “flexibilidade”. O produto recebe o nome de orgânico devido à utilização de moléculas de Carbono em sua composição. Funciona por meio de uma corrente elétrica que passa por semicondutores prensados entre duas lâminas de vidro extremamente finas.

Atualmente possui 1,8 mm de espessura, com a possibilidade de ainda chegar a 1,5 mm. Muito leves, podem ser utilizados sem a necessidade de grandes estruturas de sustentação. As luminárias OLED serão a nova tendência em iluminação e destacam-se também por sua alta eficiência energética, que possibilita uma economia de até 80%, com vida útil de cerca de dez mil horas. Já quando o assunto é a potência dessa luz, o OLED pode chegar a 150 (Lumens/Watt), 15 vezes mais do que as lâmpadas incandescentes.

sábado, 27 de novembro de 2010

GreenBuild Conference & Expo - Chicago 2010 - Minhas impressões.

Caros,

Neste mês de novembro estive em Chicago, onde visitei a GreenBuild Conference and Expo, realizada entre 17 e 19/11/10.

Havia estado também na edição de 2008, em Boston, a maior já realizada (veja post anterior a respeito). De modo geral, comparando-se os dois eventos e o contexto do mercado, passados dois anos, posso observar que o mercado da construção sustentável, ao menos por lá, está mais maduro.

Pavilhão de exposições. Foram mais de 1.000 expositores este ano.

Passou a fase do deslumbramento e do "quero ser verde" para a fase do "Ok, vamos fazê-lo. O que precisamos?". Em Boston o que mais se via era empresas distribuindo folhetos com destaques para os seus produtos ou serviços verdes. A maioria delas participando pela primeira vez de eventos do tipo.

Sala de uma das muitas sessões de educação do evento

Agora, em Chicago, o esforço não era mais sobre o marketing verde, mas sim sobre produtos e soluções. A crise imobiliária dos EUA afetou diretamente muitos mercados. A feira reproduziu isto (está menor do que em 2008), e parece-me que os conceitos mais importantes passaram agora a ser "inovação" e "eficiência".

Aqui estou com colegas arquitetos da Sérvia, da Suíca e dos EUA (Rives Taylor, que estará em São Paulo mais uma vez em breve), em frente ao Art Institute of Chicago, projetado por Renzo Piano

Isto ficou claro pelos temas das Education Sessions, mais voltadas a casos e aplicações e menos focadas em explicar como funciona o LEED, por exemplo.
Aqui estou com Jerry Yudelson, autor do livro "Green Building - A to Z", dentre outros relacionados à construção sustentável.

Em Boston, muitos buscavam se introduzir no mercado da construção sustentável. Agora a questão é como melhor atender à demanda, com eficiência e qualidade. Mesmo entre os representantes brasileiros presentes ao evento, havia muito mais de descoberta dois anos atrás do que agora. O mercado está amadurecendo. As pessoas agora estão buscando parcerias, aumentando o networking com os diversos agentes do mercado, buscando oportunidades.

Outro fato importante neste contexto: O Brasil é agora outro país, aos olhos do mundo. Todos estão muito interessados em possíveis oportunidades por aqui. Sabem que há muito o que fazer e que o mercado brasileiro está também amadurecendo, em especial no que se refere à sustentabilidade na construção.

A próxima GreenBuild será em Toronto, Canadá, pela primeira vez fora dos EUA, evidência da internacionalização que já se verifica com o LEED. Certamente teremos ainda mais a compartilhar com o mundo.

Prédios "energia zero" são o futuro da construção civil, afirma especialista

Por Vanessa Barbosa, de EXAME.com
Para Charles Kibert, engenheiro e professor da Universidade da Flórida, edifícios autossufientes em energia serão o antídoto contra a escassez de recursos.

Charles Kibert, da Florida University: "A esperança da construção civil está nos Edifícios de Energia Zero, que produzem mais energia do que consomem no período de um ano".

No futuro, toda a energia consumida por uma família em atividades cotidianas como aquecer a água, usar eletrodomésticos e até mesmo recarregar um veículo elétrico, será fornecida pelo próprio edifício através de fontes renováveis. A afirmação é do engenheiro e professor da Escola de Projeto, Construção e Planejamento da Universidade da Flórida Charles Kibert.

Segundo o especialista, o "Santo Graal" para a sustentabilidade energética da construção civil (setor que consome um terço de toda energia produzida no mundo) são os chamados Edifícios de Energia Zero (zero energy buildings ou ZEBs, na sigla em inglês), que produzem mais energia do que consomem ao longo de um ano.

Longe de um exercício de futurologia, os ZEBs já estão sendo incorporados na estratégia energética de diversos países no mundo, como Alemanha e Noruega e também nos Estados Unidos. Segundo Kibert, a Califórnia determinou recentemente, que os edifícios residenciais tenham energia zero até 2020 e os comerciais até 2030. "Em um planeta em constante aquecimento, viver dentro do orçamento da energia produzida pela natureza será imperativo", afirma.

Em visita ao Brasil para participar do 3º Congresso de Construção Sustentável, realizado pelho Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, o especialista falou à EXAME.com.

EXAME.com: O que são os Zero Energy Buildings e porque eles serão imperativos no futuro?

Charles Kibert: Prédios comerciais e residenciais são grande consumidores energéticos. Nos EUA, eles usam 40% da energia primária e 70% de toda a eletricidade produzida. Se continuarem nesse ritmo, em 2025 eles estarão consumindo mais que o setor industrial e de transportes juntos. A esperança está nos Edifícios de Energia Zero, que ao longo de um ano produzem mais energia do que consomem.

Os métodos de produção podem ser os mais diversos. Nos Estados Unidos, o mais comum é o fotovoltaico, que usa a energia do sol para gerar energia. Tudo depende das características de cada região. A Alemanha tem menor incidência de sol, entretanto produz mais energia solar que a gente devido à sofisticação das tecnologia usada e aos incentivos governamentais.

Para ser um ZEB, um edifício também precisa contar com moradores conscientes, capazes de viver com um "orçamento energético" determinado pela capacidade de produção do sistema adotado.

EXAME.com: Que outras fontes alternativas, além da solar, podem ser usadas?

Charles Kibert: O sistema fotovoltaico é o mais comum por causa de sua simplicidade; são placas estáticas de captação colocadas em um telhado. Mas é possível , também, ter um gerador eólico no topo do edifício e gerar energia a partir do vento. Outras alternativas são a biomassa e até a geotérmica, gerada através do calor proveniente do interior da Terra ou do vapor quente de fontes de água subterrâneas.

EXAME.com: Um edifício pode produzir mais energia do que consome?

Charles Kibert: Pode sim, e os que conseguem são chamados de Net Positive Buildings. A Alemanha possui um sistema bem desenvolvido que conta com um programa para incentivar a adoção de energias renováveis chamado feed-in tariff. Esse mecanismo garante o pagamento de um bônus para a energia que você produz. Nos EUA, temos um sistema parecido na Flórida, onde o consumidor 12 cents pela energia vida da rede elétrica local, mas recebe 25 cents se vender a energia produzida na sua própria casa. Trata-se de um sistema que estimula a produção excedentes de energia limpa nas residências.

EXAME.com: Qualquer tipo de edificação pode ser autossuficiente em energia?


Charles Kibert: Sim, mas todo o sistema deve ser pensando já na concepção da obra e implementado no começo das construção. É muito difícil e extremamente caro adaptar um edifício comum. Atualmente, na Califórnia, as construções residenciais estão mais adiantadas no processo do que as comerciais. Prédios residenciais tendem a ser mais baixos e ter menor área, o que facilita a implementação do sistema de energia alternativa. Quanto maior o prédio, maior a área necessária para implantação do sistema gerador.

Exame.com: Em que nível estão as regulamentações para ZEBs nos EUA?

Charles Kibert: Na Califórnia todos os edifícios residenciais têm que ser zero energy building até 2020, e os comerciais, até 2030. Mas pouco a pouco, todos os EUA têm se mobilizado nesse sentido. A política de energia nacional já determina que, em vinte anos, os ZEB´s sejam tecnicamente viáveis sob quaisquer circunstanciais para construções comerciais.

EXAME.com: Alguma certificação de construção verde, como o LEED, por exemplo, exige que um edifício seja ZEB?

Charles Kibert: Nos EUA, a American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE), um importante centro desenvolvedor de standards energéticos criou, recentemente, um novo selo de energia para edificações cujo padrão máximo de qualificação (A+) só pode ser alcançado por Zero Energy Buildings.

Mas se levarmos em consideração o selo de construção sustentável LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), emitido pelo Green Build Council, veremos que pelo menos 60% de todos os pontos exigidos têm relação com a eficiência energética do prédio.

EXAME.com: Quais os países mais adiantados no desenvolvimento de ZEBs?

Charles Kibert: Há pesquisa e desenvolvimento em todas as partes do mundo, na Noruega, Canadá, Japão, nos EUA, Holanda, Itália, etc. A auto-suficiência energética tem atraído muito atenção hoje em dia por conta do aumento do preço da energia, pelo aquecimento global e problemas climáticos. Ao longo do tempo, os ZEBs diminuem os custos com energia porque usam recursos alternativos e, evitando, o uso de energia de origem fóssil conseguem diminuir as emissões de gases efeito estufa. É uma proposta bastante atrativa sob vários pontos de vista.

Como transformar empreendimentos existentes em empreendimentos sustentáveis

Por Luiz Henrique Ferreira, para administradores.com.br


O processo de reabilitação de edifícios para torná-los sustentáveis é bem mais complexo do que uma construção nova já sustentável

A cada dia que passa ouvimos falar mais sobre sustentabilidade, preservação do mei ambiente e aquecimento global. Estes conceitos, que até pouco tempo se restringiam aos grupos acadêmicos e ambientalistas, passaram a fazer parte de nossa realidade, devido ao aumento do acesso à informação e também aos primeiros indícios reais de esgotamento da capacidade do planeta em prover recursos naturais para a nossa sobrevivência.

A Construção Civil é responsável pelo consumo de boa parte dos recursos naturais do planeta, tanto na fase de obras quanto na fase de uso e operação dos edifícios. Apesar de ser uma fase de enorme impacto ambiental, a construção de edifícios dura no máximo dois anos, enquanto que o seu uso pode facilmente passar dos 50 ou 100 anos. Durante todo tempo de vida útil do edifício, ele irá consumir recursos naturais e despejar resíduos no planeta, consumindo muito mais energia, água e gerando muito mais resíduos do que na fase de obras.

Apesar do "boom" imobiliário dos últimos cinco anos, a idade média das construções na cidade de São Paulo ainda é de aproximadamente 25 anos. Isso significa que temos edifícios novos e eficientes, mas também edifícios muito antigos e ineficientes, que foram projetados e construídos numa época em que os conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental nem sequer existiam! Portanto, apesar das iniciativas atuais de se construir de maneira sustentável, temos um grande desafio que é tornar os edifícios já existentes sustentáveis, pois eles acabam sendo os grandes responsáveis pelo esgotamento da água e energia do planeta.

Crédito: Felipe Spencer

O processo de reabilitação de edifícios para torná-los sustentáveis é bem mais complexo do que uma construção nova já sustentável. Em alguns casos mais críticos, a ocupação do edifício durante o processo de reabilitação pode tornar-se inviável, porém em outros a reabilitação ocorre com o edifício em funcionamento. Além da questão da ocupação dos edifícios, normalmente o processo de reabilitação sustentável encontra dificuldades devido ao canteiro de obras restrito, alta quantidade de resíduos de demolição, falta de cadastramento da situação real do edifício e incômodos gerados aos usuários e vizinhos.

O primeiro passo para tornar um edifício existente sustentável é uma análise minuciosa da situação atual em relação aos requisitos de Alta Qualidade Ambiental (AQUA), que são baseados na qualidade intrínseca do edifício (QI) e na qualidade ambiental das práticas (QAP). A qualidade intrínseca do edifício demonstra como a construção em si atende aos critérios de sustentabilidade, como elementos de sombreamento de fachada (brises), sistemas de ventilação natural, facilidade de acessos para manutenção, iluminação natural, entre outros.

A qualidade intrínseca do edifício não está diretamente relacionada ao emprego de soluções de alta tecnologia, e sim a um bom projeto arquitetônico e a uma execução consciente, que levam a um alto desempenho ambiental e a uma economia significativa de energia e água durante a operação. Já a qualidade ambiental das práticas (QAP) decorre da maneira pela qual os usuários se relacionam com o edifício, e é tão importante quanto a QI, uma vez que o usuário é o grande responsável pelos impactos ambientais decorrentes de sua operação. Para se ter uma ideia, uma simples torneira aberta por 6 minutos gasta toda a água necessária para uma pessoa sobreviver um dia inteiro, considerando o consumo per capita recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Desta forma, não adianta nada o edifício ser totalmente sustentável se as práticas de operação não forem sustentáveis.

Uma vez concluída a análise inicial, chamada diagnóstico, é preciso traçar uma estratégia ambiental do edifício, hierarquizando quais iniciativas deverão ser postas em prática primeiro, sempre levando em consideração a relação custo x benefício x preservação do meio ambiente. A estratégia ambiental global do edifício tem como finalidade evitar que se tomem medidas isoladas, aparentemente sustentáveis, porém quando dentro de um contexto global sem resultados expressivos. Um exemplo interessante é a instalação de sensores de presença em todos os ambientes do edifício, inclusive os com lâmpadas fluorescentes: estudos comprovam que para ciclos menores do que 15 minutos é mais viável deixar o acionamento da lâmpada por interruptor do que instalar um sensor de presença.

Neste caso, a análise leva em conta, não só o consumo de energia, mas também o impacto ambiental decorrente do descarte das lâmpadas fluorescentes, que têm a sua durabilidade reduzida proporcionalmente ao número de ciclos. Resumindo, do ponto de vista global, a aparente redução no consumo de energia elétrica em uma lâmpada fluorescente com sensor de presença pode gerar um impacto ambiental maior, devido à redução da sua vida útil.

Por fim, não existe uma receita pronta para tornar os edifícios existentes em edifícios sustentáveis, pois a complexidade de uma construção é muito grande. A receita ideal é utilizar uma metodologia reconhecida para tornar o edifício sustentável, implementada por uma equipe que conheça a fundo os requisitos de Alta Qualidade Ambiental (AQUA), de modo que a reabilitação sustentável possa efetivamente atingir os resultados desejados, contribuindo efetivamente para a redução da escassez de recursos naturais e biodiversidade.

Luiz Henrique Ferreira é diretor da Inovatech Engenharia, consultoria especializada em construções sustentáveis.

Procel Edifica para prédios residenciais será lançado nos próximos dias

Por Ana Paula Rocha, para AU (Ed. Pini), publicado em PiniWeb - Novembro 2010

Etiquetagem avaliará as unidades habitacionais autônomas, as edificações residenciais multifamiliares como um todo e as áreas de uso comum do empreendimento

A Eletrobrás e o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) devem lançar em 29 de novembro a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Procel Edifica) para prédios residenciais. A informação foi dada por Solange Nogueira, chefe da divisão de Projetos de Eficiência Energética em Edificações do Procel/Eletrobrás, no 3º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado nos dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo.

"No dia 10 de novembro termina a consulta pública dos Requisitos de Avaliação da Conformidade para o Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais (RAC-R). Para esse mesmo dia, está marcada uma reunião entre a Eletrobrás, o LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina) e outros agentes responsáveis pela etiquetagem para se discutir as sugestões recebidas na consulta pública. No dia 11, vamos fazer uma reunião da comissão técnica do Inmetro e esperamos que no dia 29 o Procel Edifica para Prédios Residenciais já esteja publicado no site do Inmetro", disse Nogueira.

O RAC-R, que define de que modo as edificações serão avaliadas, descrevendo a parte burocrática necessária para a obtenção da etiqueta, estava em consulta pública desde o dia 13 de outubro. Segundo Solange Nogueira, nesse período, mais de 300 sugestões foram recebidas pelo Inmetro.

A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Procel Edifica) para prédios residenciais avaliará as unidades habitacionais autônomas, as edificações residenciais multifamiliares como um todo e as áreas de uso comum do empreendimento. Nas unidades habitacionais autônomas os principais pontos analisados serão a envoltória e o sistema de aquecimento de água. Já nas edificações multifamiliares os pontos resultarão da ponderação da avaliação das suas unidades autônomas e da avaliação da área externa. "Cada parte avaliada também pode receber pontos adicionais quanto à ventilação e iluminação naturais, uso racional da água, condicionamento de ar e até mesmo medição individualizada nos apartamentos", afirma Roberto Lamberts, do LabEEE.

Assim como nos prédios comerciais, dependendo do consumo de energia verificado, os edifícios residenciais serão classificados de "A" a "E", sendo "A" o mais eficiente. Somente em 2010, o Inmetro já etiquetou 12 prédios comerciais.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A internacionalização da certificação LEED

Por Antonio Macêdo Filho, Novembro 2010

A internacionalização da certificação LEED, de origem estadunidense, deve ser considerada em função das características de cada país onde se pretende aplicá-la. Padrões de referência de desempenho de equipamentos, hábitos de usos e consumos, desenvolvimento da indústria e fornecedores de materiais são alguns dos aspectos que tem grandes variações regionais, sem falar, evidentemente, de questões climáticas e ambientais.

Ao se adotar referências internacionais para certificação de empreendimento, corre-se o risco de menosprezar aspectos relevantes localmente, ou até mesmo adotar estratégias que podem eventualmente ser contrárias aos objetivos originais de melhor desempenho ambiental.

Por outro lado, uma certificação de reconhecimento internacional agrega importante valor a um empreendimento, diferencia e identifica, de forma clara, o compromisso dos envolvidos com a sustentabilidade daquela construção.

É importante, portanto, estudar e conhecer bem as características e recomendações de cada certficação, fazer as considerações que cabem em relação à realidade de cada local ou região e adotar, dentre as opções disponíveis, com visão ampla, as melhores práticas para favorecer a sustentabilidade de um empreendimento.

Projeto Integrado

Para se alcançar os melhores resultados, é preciso uma abordagem holística e abrangente, que somente será possível com o envolvimento, desde o início do processo, dos diversos agentes envolvidos no planejamento, projeto, execução, operação e manutenção do empreendimento a ser construído. Isto exige esforço, tempo e preparo da equipe de profissionais, inclusive para se envolver e conhecer bem a certificação que se pretende adotar, em especial se se trata de um modelo internacional como o LEED, a certificação ambiental de edificações mais conhecida e amplamente disseminada pelo mundo.

A versão 3 do LEED, de 2009, incorpora entre as suas categorias uma nova dedicada a Prioridades Regionais, como forma de favorecer o reconhecimento de características e demandas locais. A princípio válida apenas para os EUA e Canadá, recentemente, no mês passado, foi publicada uma nota informando a incorporação às Prioridades Regionais de demandas originadas em outros países.

No Brasil,  as contribuições a estas e outras evoluções podem ser feitas por quaisquer profissioanais que desejem participar das discussões promovidas pelos comitês técnicos LEED organizados pelo GBC Brasil. São espaços abertos onde se podem fazer sugestões para a melhor aplicação dos princípios da certificação. A internacionalização do LEED precisa disto: nossas considerações.

Arq. Antonio Macêdo Filho
amacedo@ecobuilding.com.br

Em tempo:

Na próxima semana, participarei em Chicago, EUA, de mais uma edição da GreenBuild Conference & Expo, evento anual promovido pelo USGBC e maior forum de construção sustentável do mundo. Muitos dos mais influentes profissionais do planeta na área estarão também presentes.

Além de mim, muitos dos profissinais envolvidos com os cursos oferecidos no Brasil pela EcoBuilding e também na pós-graduação em construção sustentável oferecida pelo INBEC e UNICID estarão também lá, sempre buscando a informação mais atualizada para compartilhar com os demais profissionais envolvidos com a sustentabilidade na construção no país.

Trarei mais informações na volta aqui no blog, no site e no twitter da EcoBuilding.

Até breve.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Arquiteto diz que energia solar pode ser financiada por emissões

‘Acho que cada país tem de estipular uma taxa sobre o carbono’, diz Norbert Lecner
Por Karina Ninni - estadao.com.br, 09 de novembro de 2010

Norbert Lechner é professor da Faculdade de Arquitetura, Design e Construção da Universidade de Auburn, nos EUA, e autor do livro "Heating, Cooling, Lighting: Sustainable Design Methods for Architects", uma bíblia da arquitetura sustentável. Ele veio ao Brasil para o 3º Simpósio Brasileiro da Construção Sustentável, que termina nesta terça-feira em São Paulo, e falou ao Estadão.

Estadão - Em seu livro Heating, Cooling and Lightening, você afirma que as construções são responsáveis por 48% de toda a energia consumida no mundo (40% para a manutenção dos prédios e 8% para a construção propriamente dita). Você acredita que o setor da construção civil terá incentivos para mudar esse cenário nos próximos anos mesmo que os líderes reunidos em Cancún não decidam por um acordo legalmente vinculante sobre emissões?

Lechner – A popularidade do sistema LEED (sistema de certificação) nos EUA indica um interesse crescente pelas construções sustentáveis. Muitos, senão a maioria, dos atores do setor de construção estão interessados no que chamamos “green building” nem tanto por questões ideológicas, mas porque querem estar preparados para ganhar dinheiro com aquilo que acreditam ser o futuro do setor. Com base nos resultados de negociações internacionais passadas sobre aquecimento global, eu não espero que acordos internacionais sejam a resposta para o problema. Acho que cada país tem de estipular uma taxa sobre o carbono. Quando alguns países-chave adotarem uma taxa, os outros os seguirão.

Estadão – A casa “zero em energia” (zero energy) é um projeto realmente possível? Temos as ferramentas para construir casas que consumam quase nada de energia?

Lechner – Do ponto de vista técnico, ela é possível, sim, tanto que já existem projetos. As construções zero em energia são baseadas em duas estratégias: eficiência energética e uso de energia renovável. Normalmente, o consumo de energia é reduzido em 80% por medidas de eficiência energética e os 20% que sobram podem ser produzidos por células fotovoltaicas, ou seja, energia solar. E esta pode se tornar economicamente viável se taxarmos o carbono.

Estadão – Do ponto de vista arquitetônico, é mais difícil criar um projeto sustentável em cimas tropicais ou em cimas temperados?

Lechner - Os climas temperados são muito complicados porque raramente são realmente temperados. São quentes no verão e muito frios no inverno. Portanto, as construções têm de ser desenhadas para atender a demandas opostas: aquecer no inverno e resfriar no verão. Isso inclui, por exemplo, dominar mecanismos de sombreamento a ponto de deixar o sol do inverno passar para o ambiente, mas não o sol do verão. Quanto aos climas tropicais, há dois tipos: quentes e secos e quentes e úmidos. Os primeiro são mais fáceis, porque neles as técnicas de resfriamento econômicas em energia funcionam muito bem. Nos climas quentes e úmidos, isso não acontece. Portanto, em locais de clima equatorial as construções têm de ser desenhadas para minimizar o uso de ar condicionado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

II Missão Técnica EcoBuild Londres 2011 - 26/02 a 07/03

Caros,

Estão abertas as reservas para a segunda missão técnica EcoBuild Londres, com organização da ArqTours, by Raquel Palhares. Assim como em 2010, visitaremos também Amsterdã, entre os dias 26 de fevereiro e 07 de março de 2011.

Como sempre, além da feira, está prevista ainda uma agenda de visitas técnicas com foco especial nas questões relacionadas à sustentabilidade nas construções, com orientação e acompanhamento técnico. Recomendo.



Mais informações sobre a EcoBuild: http://www.ecobuild.uk/
Reservas pelo: raquel@arqtours.com.br
ou (11) 2361 6659 / 2359 0018
Vagas limitadas. Garanta a sua.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nova película solar transforma janelas em painéis solares

Publicado originalmente em IdeiasGreen.com.br, em 05/11/2010

Cientístas do departamento de energia dos Estados Unidos desenvolveram um material super fino que poderá transformar uma janela comum em painel solar. Se esse projeto for bem sucedido, janelas inteiras poderão ser cobertas com essa película.
O material foi desenvolvido nos laboratórios nacionais de Los Alamos e Brookhaven. Na apresentação do projeto, os cientístas explicaram que a película é feita de uma material chamado 'fullerenes', que são moléculas compostas de 60 átomos de carbono em formato de bola de futebol. Ainda existe um longo caminho até que o material seja produzido em escala comercial, mas os cientístas estão muito confiantes com a evolução dos estudos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Condomínio em Florianópolis faz demonstração com turbina eólica em miniatura

Publicado originalmente em CicloVivo.com.br, em 27/10/2010
As duas turbinas do condomínio terão a mesma estrutura, mas com o dobro do tamanho da atual, alcançando 1,20 metro de diâmetro e seis metros de altura. (Imagem: Divulgação)

Uma escultura de metal que gira com a força do vento vem chamando a atenção de quem passa pelo bairro Novo Campeche, em Florianópolis, atraindo muitos olhares curiosos.

O equipamento é, na realidade, uma turbina eólica da marca norte-americana Helix Wind, numa versão menor das que serão posteriormente instaladas no topo das duas torres residenciais do inovador condomínio Neo Next Generation, que está sendo erguido a poucos metros dali.

Bem diferente das enormes hélices das turbinas eólicas tradicionais, o equipamento possui dimensões reduzidas e se destaca pelo design vertical de alta tecnologia e com forte apelo estético, que aproveita ao máximo a força do vento para gerar energia limpa, completamente livre da emissão de carbono.

Trazido para o Brasil pelo empreendedor e urbanista Jaques Suchodolski, idealizador do projeto do Neo, o equipamento foi instalado apenas a título de demonstração e visualização desta tecnologia sustentável.

As duas turbinas do condomínio terão a mesma estrutura, mas com o dobro do tamanho da atual, alcançando 1,20 metro de diâmetro e seis metros de altura. Cada uma será capaz de gerar cerca de cinco kilowatts de maneira silenciosa e segura, numa configuração ideal para a instalação em residências e edifícios.

Com previsão de entrega das obras em março de 2012, o condomínio Neo Next Generation será o primeiro empreendimento residencial no Brasil a contar com um gerador próprio de energia eólica. Utilizando os mais modernos conceitos de sustentabilidade, o projeto prevê o uso de energia limpa para o aquecimento da água de todos os 24 apartamentos, resultando em uma economia de 50% na conta de luz para os proprietários. Além da energia eólica, o condomínio contará com uma estrutura de reaproveitamento de água da chuva e estação de tratamento de água.