domingo, 3 de outubro de 2010

Dúvidas Frequentes: Como se tornar um LEED® AP?

Caros,

Sempre recebo e-mails de estudantes e profissionais interessados na certificação LEED e em se tornarem LEED AP´s. Eles têm dúvidas e normalmente não sabem onde encontrar as respostas. Sempre tento ajudar. Por isto reproduzo aqui um conjnto de perguntas e respostas divulgadas pelo Green Building Council Brasil.

Para informações sobre cursos e treinamentos dedicados à certificação LEED e à construção sustentável em geral, favor consultar: www.ecobuilding.com.br.

- O que é LEED® AP?

LEED AP é a sigla para os Accredited Professionals , ou seja, os profissionais que Acreditados pelo Green Building Council por entenderem o processo de certificação e serem facilitadores do processo LEED®.-

- Como se tornar LEED® AP?

Para isso, deve-se cadastrar no site do GBCI.ORG, que é o orgão do USGBC responsável pela acreditação profissional, pagar taxa de inscrição para a prova e agendar o teste.

- Onde é feita a prova?

A prova é feita em institutos prométricos aqui no Brasil mesmo, com sistema online, tal qual as provas do PMI; Tem em várias cidades brasileiras. Na hora da inscrição, já saem as opções possíveis dos locais mais perto de você;

- Tem prova em português?

Não, ainda é toda em inglês.

- Como estudar?

Os manuais do LEED® podem ser comprados diretamente no site do USGBC. Alguns outros livros podem ajudar, mas o manual oficial tem todas as informações necessárias para a prova. No Construa Verde tem uma lista de publicações que considero interessantes para ajudar, tanto para o processo LEED® quanto para o processo de projeto sustentável como um todo. Os sites do GBC Brasil e também da EcoBuilding têm informações que podem auxiliar.

- Onde estudar?

Existem alguns cursos que o GBC Brasil promove, mas não é o requisito para aprovação. O que vale é a prova mesmo. Mas eles são bons para darem um panorama geral e explicar alguns itens mais a fundo. Algumas faculdades e instituições também tem alguns cursos voltados so sistema de pontuação LEED®. Vale entrar no site do GBC Brasil e ver a lista de cursos.

- A prova é muito complicada?

Não é complicada, mas bem detalhada e com muitas informações; No entanto, não há nada que não esteja colocado nos Guias e no site do USGBC. Mas preste atenção nos detalhes e perguntas com múltiplas respostas.

- Existe somente um tipo de LEED AP?

Não. Hoje com o LEED 2009, cada especialidade LEED® terá uma aplicação específica também para os LEED AP´s; Por exemplo: se você for trabalhar mais com obras novas, vale fazer a Acreditação Profissional para o LEED NC, que é o New Construction. Se for trabalhar com processos de Prédios Existentes, faz-se o teste para LEED EB_OM, que é para Existing Buildings Operation & Maintenance e assim por diante. Eu fiz a prova quando ainda era um título só para todos os casos e a partir de agora tenho 2 anos para escolher alguma especialidade e refazer a prova.

- Pode-se ter mais de uma especialidade?

Sim, podem-se escolher mais de uma. No entanto, para cada tem-se que fazer o teste específico.

- O título vale indefinidamente?

Não, a partir deste ano, o profissional deve fazer uma nova avaliação a cada dois anos. A vantagem é a garantia que todos envolvidos estão sempre atualizados com as novidades do sistema. Mas há muita polêmica entre os LEED® AP´s em relação a este novo método.

Boa sorte!!

Para mais informações e pesquisas:

http://www.usgbc.org/

http://www.usgbc.org/DisplayPage.aspx?CMSPageID=2011

http://www.gbcbrasil.org.br/

Blog muito interessante com várias dicas úteis aos LEED AP´s:

http://www.reallifeleed.com/

sábado, 2 de outubro de 2010

Rain Collector Skyscraper: edifício capta água das fachadas

Estudantes de arquitetura da Polônia desenvolveram o Rain Collector Skyscraper, um projeto de edifício que capta a água da chuva que cai no telhado e, também, a que escorre pelas paredes externas do prédio
Por Marcia Bindo para a Revista Vida Simples – 09/2010

Se o edifício ao lado existisse, seus moradores certamente enxergariam aquela torrencial chuva da tarde com novos olhos: no lugar do estorvo, garantia de água sem custo - para o bolso e para o planeta. A ideia de projetar o Rain Collector Skyscraper, um edifício capaz de coletar não só a água que cai acima do telhado mas também a que escorre sobre toda a estrutura externa, partiu de dois estudantes de arquitetura poloneses, Ryszard Rychlicki e Agnieszka Nowak. Segundo eles, vivemos um momento de grandes inovações tecnológicas, o que nos permite pensar em inúmeras maneiras de integrar forma e função aos projetos mais inusitados.

Nesse caso, eles conseguiram aliar a necessidade que temos de economizar água à forma do edifício. "A média diária de consumo de água por pessoa pode chegar a 150 litros. Cerca de 85 litros desse total podem ser substituídos pela água da chuva", explicam. Um sistema de canais e um funil que percorre a parte central do edifício captam a água, que passa por um sistema de tratamento e é distribuída para os apartamentos. Essa água pode ser usada para lavar roupa, na descarga do banheiro, para aguar as plantas e na limpeza da casa em geral. O excesso de água fica guardado em reservatórios na parte inferior do edifício. O projeto ganhou menção honrosa este ano pela proposta num concurso para estudantes de arquitetura.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

‘Não é sustentável permitir que a cidade se espalhe ainda mais’

Arquiteto britânico especialista em urbanismo sustentável reuniu-se com a prefeitura de São Paulo para discutir ações para a cidade
Publicado originalmente em Estadao.com.br, em 08 de setembro de 2010

O arquiteto e urbanista Brandon Haw, sócio do escritório de arquitetura britânico Foster Partners, trabalha atualmente em um projeto ambicioso: a construção da cidade Masdar City, nos Emirados Árabes. O empreendimento quer ser a primeira cidade sustentável do mundo e um polo de pesquisas em tecnologias limpas. A conclusão do projeto, que teve início em 2007, está prevista para o ano de 2018.

Em visita a São Paulo, Haw reuniu-se com a prefeitura para discutir ações para tornar a cidade mais sustentável no futuro. Ele será um dos palestrantes do Fórum Urbanístico Internacional, que vai ser realizado pelo Secovi-SP no dia 21 deste mês (setembro 2010).

O que tornará Masdar City a cidade mais sustentável?

Haverá muitos atributos, pois a escala do projeto nos permitirá trazer tudo, habitação, transporte, infraestrutura, energia, água, para uma escala mais sustentável. E não estamos falando apenas de tecnologia. A base para o planejamento de Masdar são as comunidades tradicionais do deserto e sua relação com o ambiente. As construções serão orientadas conforme sua posição em relação ao sol, por exemplo. Masdar será desenhada para reduzir significativamente a demanda por energia, que será fornecida apenas por fontes renováveis, especialmente solar fotovoltaica. Mas a cidade será flexível o suficiente para incorporar as novas tecnologias emergentes.

O que uma metrópole como São Paulo precisa fazer para se tornar mais sustentável? É possível reorganizar a cidade para atender a essas questões?

O futuro de metrópoles como São Paulo claramente está em aumentar a densidade de suas áreas centrais. Com 11 milhões de habitantes, o investimento em infraestrutura é fundamental para que se ofereça maior mobilidade a seus habitantes. Não é mais sustentável, economicamente, socialmente ou ambientalmente, permitir que a cidade se espalhe ainda mais.

Uma opção é revitalizar bairros que já existem?

A revitalização de áreas centrais, a exemplo do que já ocorre na Nova Luz e na Mooca/Vila Carioca, é uma oportunidade e tanto para criar bairros vibrantes. Isso não se limita aos edifícios. É preciso rever a hierarquia das ruas e dos espaços abertos, criar usos múltiplos para os bairros, de modo que eles se tornem bons lugares para se morar e para trabalhar, com boa estrutura de transportes públicos. Há várias iniciativas de sucesso. Londres está revitalizando bairros inteiros para receber as Olimpíadas de 2012.

A tendência de selos para construções verdes pode ser indutora de cidades mais sustentáveis?

Métodos voluntários de construção verde como Leed e Breeam têm sido úteis em estabelecer padrões ambientais para as construções. Mas o grande papel indutor cabe à legislação. Na União Europeia, todas as novas moradias terão de ser neutras em carbono até 2016.

"Skins" arquitetônicas: prédios terão pele para se adaptar ao clima

Por Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/09/2010

Engenheiros, arquitetos e biólogos juntaram-se para usar a flexibilidade e sensibilidade das células humanas como modelos para as "skins" arquitetônicas.[Imagem: University of Pennsylvania]

Engenheiros, arquitetos e biólogos da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, juntaram-se para criar um novo material que tornará as casas e os edifícios capazes de reagirem às mudanças no clima.

Os pesquisadores querem usar a flexibilidade e a sensibilidade das células humanas como modelo para a criação de "peles" para edifícios e casas, que poderão adaptar-se às mudanças no ambiente para aumentar a eficiência energética das construções.

Skins arquitetônicas

Com base nas respostas dinâmicas que as células humanas geram, os cientistas esperam projetar e construir interfaces entre sistemas vivos e sistemas artificiais que implementem algumas das principais características e funções dos sistemas biológicos.

Os principais alvos da pesquisa são a sensibilidade e o autocontrole dos tecidos biológicos, que serão transpostos para materiais que possam ser fabricados em escala suficiente para recobrir edifícios inteiros.

A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos gostou tanto do projeto que destinou nada menos do que US$2 milhões para a construção dos primeiros protótipos.

Materiais biomiméticos

O grupo está usando algoritmos computacionais para medir e visualizar em tempo real como as células interagem e modificam a geometria dos seus substratos. [Imagem: Sabin+Jones/LabStudio]

As células vivas alteram suas matrizes extracelulares e, portanto, afetam seu ambiente circundante, com um gasto mínimo de energia, graças a uma combinação de forças físicas e as operações químicas.

A esperança dos pesquisadores é usar esses mecanismos celulares como inspiração para a criação de materiais biomiméticos passivos, sensores e sistemas de imageamento que serão integrados no edifício na forma de peles sensíveis que acionem sistemas de controle da iluminação e do aquecimento.

O grupo está usando algoritmos computacionais para medir e visualizar em tempo real como as células interagem e modificam a geometria dos seus substratos. Esses programas estão sendo utilizados para projetar materiais flexíveis com padrões 1-D, 2-D e 3-D.

Eventualmente esses substratos poderão receber dispositivos nano e microeletromecânicos que implementem novas funções e propriedades e que façam a interface com os sistemas de controle ambiental do edifício.

"Nossa expectativa é que os edifícios possam no futuro responder aos fatores ambientais, como calor, umidade e luz, e responder a eles de forma eficiente," diz Shu Yang, coordenador do projeto.

domingo, 19 de setembro de 2010

Brasil: colapso energético até 2022

Publicado por ecohabitar em Julho de 2010, reproduzindo Ambiente Energia
Por João Campos, da UnB Agência

O Brasil vai enfrentar uma crise energética e ambiental nos próximos 12 anos. Para combater os danos será preciso triplicar a rede de metrô, ampliar as malhas ferroviária e hidroviária e investir em fontes de energia hidrelétrica e nuclear. O anúncio foi feito pelo professor e ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro, em palestra no Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília. A conclusão faz parte do relatório Plano Brasil 2022, elaborado pelo governo federal.

São Paulo à noite, em imagem de satélite (NASA)

A necessidade de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, alarmada por cientistas de todo o mundo, tem obrigado países a desenvolver fontes de energia alternativas ao petróleo. O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo. No entanto, segundo dados o relatório, apenas 30% do subsolo do país é conhecido. “Estima-se que tenhamos a primeira ou segunda maior reserva de urânio do mundo. E temos capacidade para explorar a fonte, falta direcionar políticas”, comenta Samuel.

Veja matéria completa aqui.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Prédios com etiqueta de eficiência energética economizam até 40% de luz

Apesar do apelo econômico, o Procel Edifica, emitido pelo Inmetro, ainda tem pouca adesão de construtores e incorporadores no Brasil

Por Vanessa Barbosa, para EXAME.com

Segundo o Ministério de Minas e Energia, setor de edificações responde por 42% do consumo de energia do país.

São Paulo - Conta-se nos dedos o número de empreendimentos brasileiros que possuem a etiquetagem de eficiência energética Procel Edifica. Lançada há pouco mais de um ano e válida para prédios comerciais e públicos, ela foi concedida a apenas 10 edifícios. Outros 40, que já foram avaliados pelo Inmetro, aguardam a emissão da etiqueta.

A análise faz parte do Programa Nacional de Conservação e Eficiência Energética em Edificações (Procel-Edifica), que promove a economia e o uso racional da energia elétrica nas edificações. Até o momento, a etiqueta se aplica somente a edifícios comerciais e públicos, que são analisados a partir de três características: sistema de iluminação; condicionamento de ar; e envoltória (análise da fachada, áreas de vidro, janelas, etc.).

Para cada um dos pré-requisitos é dada uma classificação, que vai de "A" a "E", dependendo do nível de eficiência energética da edificação. A média ponderada das três etiquetas determina a nota final do prédio. O sistema de ar-condicionado, por ser um dos que mais consomem energia, tem peso 4, e os demais, peso 3.

Atualmente, a adesão ao programa é voluntária. Mas não por muito tempo. "A ideia é tornar obrigatória a etiquetagem energética dos edifícios, assim como acontece com os eletrodomésticos", afirma Rodrigo Casella, arquiteto do Procel Edifica. "Até o final do ano, ela também deverá ser estendida para edificações residenciais".

Os prédios construídos segundo padrões de eficiência energética custam, em média, de 5% a 7% a mais que os tradicionais. Entretanto, a economia gerada pode chegar até 40%. Para Casella, o apelo econômico (e atrativo) da etiquetagem revela-se o canal mais efetivo para aumentar a adesão dos empresários do setor da construção civil, que ainda é baixa. "Eficiência energética significa economia na conta de luz, ou seja, além dos benefícios para o ambiente, a etiquetagem pesa menos no bolso", enfatiza o arquiteto.

Por uma Copa e Olimpíadas "verdes"

Nos próximos seis anos, o país deve presenciar um boom de novas construções para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Para estimular a adoção de soluções de baixo impacto ambiental pelo setor, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou uma linha de crédito para hotéis em construção ou que pretendam passar por uma reforma.

Um dos pré-requisitos para inscrição no ProCopa Turismo é que o empreendimento tenha a classificação "A" do Procel Edifica. A linha de crédito é de R$ 1 bilhão e se destina a cidades-sedes e capitais, com valores que variam de R$ 3 milhões a R$ 10 milhões.

Leia mais:

Construções sustentáveis ganham mercado no Brasil

Fórum discute, em setembro, sustentabilidade no mercado de construção civil

sábado, 11 de setembro de 2010

A sustentabilidade nos alicerces do desenvolvimento

Há, evidentemente, uma clara intenção por parte dos governos federal e estaduais de converter o Brasil num amplo canteiro de obras
Por Ieda Novais, para Administradores.com.br

O bilionário americano Sam Zell, do grupo Equity International, esteve no Brasil nos dias 23 e 24 de junho para verificar oportunidades e expandir investimentos no País. Zell, que já tem participações em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, afirmou na ocasião que o país vai muito bem, disse não temer o risco de superaquecimento da economia e elogiou a opção brasileira por apostar no crescimento sem abrir mão da disciplina fiscal.

A percepção de Zell está correta. De fato, o Brasil desponta hoje, no cenário mundial, como o mais promissor dos países emergentes. Mas há lacunas que precisamos preencher nas áreas de infraestrutura – e este quesito abrange um amplo escopo, que vai da universalização do acesso aos serviços básicos de saneamento à ampliação e melhoria dos portos, aeroportos e rodovias, do suprimento das carências da população em termos de moradia à construção de usinas que gerem a energia necessária ao crescimento do País.

Há, evidentemente, uma clara intenção por parte dos governos federal e estaduais de converter o Brasil num amplo canteiro de obras. E será muito sábio otimizá-las, ou seja: além de materializar tudo aquilo de que o País precisa, os responsáveis pelas grandes e pequenas obras que estão previstas devem estar atentos à questão ambiental.

Isso é necessário por dois motivos. Primeiramente, é imprescindível cumprir uma agenda importante para o povo brasileiro, que cada vez mais clama pelo respeito ao meio ambiente e pela atenção aos problemas sociais. Em segundo lugar, existe uma possibilidade real de gerar créditos de carbono para o País. Neste sentido, os cuidados ambientais se transformam em bom negócio.

Créditos de Carbono

Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. A redução da emissão de outros gases de efeito estufa (GEEs) também pode ser convertida em créditos de carbono – para isso, utiliza-se o conceito de carbono equivalente. Esses créditos podem ser negociados no mercado internacional, onde, grosso modo, os países industrializados adquirem créditos dos países em desenvolvimento, e, dessa forma, obtêm uma espécie de aval para emitirem GEEs em suas atividades.

O crédito de carbono é gerado quando uma empresa consegue diminuir suas emissões abaixo das cotas determinadas pelas leis em vigor. Quando isso acontece, ela pode vender, a preço de mercado, o excedente de "redução de emissão" ou "permissão de emissão".

O setor da construção civil responde por 40% do consumo de energia, 30% do uso de matérias-primas, 20% da água, 40 % das emissões globais de GEEs, 30 % dos resíduos sólidos descartados e 20 % dos efluentes líquidos lançados nos corpos d'água. É um setor que, por sua própria natureza – sem trocadilhos! –, gera imenso impacto ambiental. Por outro lado, gera empregos para mais de 110 milhões de pessoas ao redor do mundo e recebe investimentos da ordem de três trilhões de dólares anuais.

Unindo agora as pontas de raciocínio, temos um setor economicamente forte, vital para o crescimento econômico de qualquer país, e em especial do Brasil, mas que ao mesmo tempo é ávido consumidor de recursos – e, justamente por isso, pode se transformar em gerador de créditos de carbono, na medida em que for capaz de tomar providências que o tornem sustentável.

Um primeiro passo é o uso exclusivo de madeira certificada, ou seja, oriunda exclusivamente de manejo sustentado. O Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) forneceu as metodologias necessárias para que se estime a contribuição dos Produtos Florestais Madeireiros na redução do carbono atmosférico (antes de se tornar matéria-prima, a madeira é árvore, que, quando jovem, captura CO2 da atmosfera). A Organização Internacional de Padronização (ISO) já está desenvolvendo uma norma técnica que permita a contabilizar as emissões de GEEs das cadeias produtivas de vários setores, incluindo o da madeira.

Outra medida interessante é priorizar a aquisição de materiais como tijolos e ferro de indústrias que praticam boas políticas ambientais, especialmente no tocante ao uso de energia limpa e à redução do consumo de recursos hídricos. Também é possível implantar, na própria obra, mecanismos para o aproveitamento da luz natural e para o uso racional dos recursos hídricos. Além disso, cada projeto deverá ser pensado de modo a causar o menor impacto possível ao meio ambiente no qual esteja inserido.
Aliando engenharia de alto padrão e criatividade, as empresas brasileiras responsáveis por tocar as obras que vão colocar o Brasil no caminho do sonhado protagonismo econômico e social poderão desempenhar um papel verdadeiramente transformador – e, principalmente, terão um interessante universo a desbravar no terreno da sustentabilidade.

Ieda Novais - diretora corporativa da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

Comentários de Antonio Macêdo Filho:
Parebenizo a autora pelo artigo e acrescento: o setor da construção está atento a estas questões e muitos dos seus agentes estão já tomando medidas para adotar práticas de sustentabilidade em seus projetos e obras, em todas as escalas. Me orgulho de ter sido um dos pioneiros no Brasil a chamar a atenção para o tema, no setor da construção, e de estar contribuindo ativamente neste processo, em especial no que se refere à capacitação e desenvolvimento profissional, em diferentes níveis.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Senado lança cartilha sobre edifícios públicos sustentáveis

Publicação aborda temas como compras sustentáveis e a importância de o gestor público conhecer o conceito das construções verdes
Por Mauricio Lima, para PiniWeb

Capa da cartilha

O Programa Senado Verde, que objetiva introduzir a gestão ambiental nas rotinas administrativas, criou uma cartilha sobre Edifícios Públicos Sustentáveis, que aborda temas específicos como a questão das compras sustentáveis e a importância de o gestor público conhecer o conceito das construções verdes. A publicação também mostra como os investimentos em sustentabilidade podem se reverter em economia para o órgão público. A cartilha, desenvolvida pelo arquiteto e servidor do Senado Mario Viggiano, aponta, de forma detalhada, como funciona o processo para que um prédio público seja sustentável.

A publicação também mostra que a preocupação com a sustentabilidade deve estar presente em todas as fases do projeto, começando pelo arquitetônico, que deve coordenar uma perfeita integração com os projetos de todos os sistemas do edifício.

Aspectos como a paisagem, a organização do canteiro de obras, a utilização econômica da água, a possibilidade da cobertura verde, o uso correto de energia, a irrigação, o clima, materiais utilizados na obra e lixo estão divididos e explicados na cartilha. Cada uma das seções mostra como o prédio público deve trabalhar com essas questões para se tornar sustentável. Nas seções, aparecem também tecnologias que facilitam o aproveitamento de energia, água e lixo.

A cartilha ainda conta com tabelas demonstrando de forma econômica a vantagem de um edifício sustentável, além de exemplos de como dimensionar reservatórios de água e sistemas de energia fotovoltaica.

Para visualizar a cartilha, clique aqui.

Comentários do Prof. Arq. Antonio Macêdo:

A cartilha de construções sustentáveis do Senado está organizada de maneira bem didática, está também bem ilustrada e aborda todos os principais aspectos relacionados ao projeto e construção de edifícios sustentáveis, não apenas públicos. É, portanto, bom instrumento de consulta, especialmente para estudantes e profissionais não especializados que buscam uma visão ampla da questão.


Os anexos, em especial, que tratam de dimensionamento de instalações de aproveitamento de água e geração de energia fotovoltáca, além de cálculo de tempo de retorno de investimentos e agenda de trabalhos, me pareceram bem interessantes, pela forma simplificada com que trata destes assuntos, que podem parecer um tanto àsperos para a maioria.

Aproveito para parabenizar o Senado pela iniciativa, a equipe que desenvolveu o trabalho e os profissionais que desenvolveram as pesquisas que susidiaram a cartilha.

Curso de Aplicação da Certificação LEED EB (edifícios existentes) - GBC Brasil / EcoBuilding - São Paulo, 14 de setembro

Tecnologia nacional permite conexão de painéis solares à rede elétrica

Publicado originalmente em engenhariaearquitetura.com.br, setembro 2010 (sem referência à autoria)

Os sistemas fotovoltaicos se adaptam facilmente à arquitetura e a qualquer tipo de espaço vazio em que haja incidência de luz, como paredes, fachadas e telhados de prédios e residências. O sistema, além de causar menor dano ambiental, permite sua utilização em pequena escala e ainda pode ser instalado próximo ao ponto de consumo, de forma distribuída, minimizando perdas por transmissão e distribuição da geração centralizada. O sistema pode ser facilmente instalado nas cidades e nos grandes centros urbanos, permitindo a produção local de energia elétrica limpa.

Ao produzir parte da energia elétrica que consome, a residência pode reduzir sua dependência do fornecimento de energia convencional, proveniente da concessionária distribuidora de eletricidade, podendo ainda vender o seu excedente de energia para a mesma.

Produto foi testado com êxito durante dois meses no Instituto de Física da Unicamp

No Brasil, o uso de pequenos geradores conectados à rede elétrica de baixa tensão não está regulamentado. No entanto, cientes de que a
regulamentação é questão de tempo, e em sintonia com o que ocorre em países como a Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão, alguns pesquisadores brasileiros desenvolvem tecnologias que permitam a conexão de painéis solares fotovoltaicos diretamente à rede elétrica. É o caso dos engenheiros Ernesto Ruppert Filho e Marcelo Gradella Villalva, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Durante pesquisa de doutorado, eles desenvolveram um conversor eletrônico (também conhecido como inversor) que permite a interligação de fontes alternativas de energia com a rede elétrica convencional. O conversor retira energia dessas fontes e injeta na rede elétrica. A tecnologia do conversor pode ser usada com painéis solares fotovoltaicos e também com outras fontes de energia (por exemplo, geradores eólicos, que usam a energia do vento para produzir eletricidade). Veja a organização de um sistema fotovoltaico conectado à rede elétrica na figura 1.

O conversor é um elemento essencial em qualquer sistema de geração de eletricidade conectado à rede elétrica. Além de fazer a conexão com a rede, é essencial porque transforma a energia de corrente contínua gerada pelos painéis fotovoltaicos em energia de corrente alternada, que é o tipo de energia usada para alimentar todos os aparelhos eletrodomésticos, máquinas e equipamentos que nós conhecemos.

Figura 1. Organização de um sistema fotovoltaico conectado à rede elétrica. Divulgação Fusion Engenharia Ltda

A pesquisa que produziu um protótipo de conversor eletrônico foi desenvolvida no Laboratório de Eletrônica de Potência da FEEC. O produto foi testado com êxito durante dois meses no Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física, na Unicamp, numa instalação de painéis solares com capacidade de 7,5 kW. O equipamento será agora industrializado pela Fusion, uma empresa de tecnologia criada para desenvolver a energia solar no Brasil. “O nosso sistema permite a conexão direta dos painéis à rede elétrica, sem utilizar baterias. Toda a energia gerada pelos painéis é injetada na rede elétrica e é consumida pela própria residência ou prédio”, resume Marcelo Villalva. “Considerando uma situação em que o consumo é menor do que a energia gerada, ocorre a exportação de energia para a rede elétrica. Neste caso, a concessionária de energia elétrica recebe energia em vez de fornecer, ou seja, o seu medidor de energia gira no sentido contrário”, acrescenta o pesquisador.

Como no Brasil ainda não é possível vender energia em baixa tensão para a concessionária de energia elétrica, deve-se dimensionar o sistema solar fotovoltaico para que a energia produzida seja menor ou igual à energia consumida. Na prática você compra menos energia da concessionária e usa a energia solar para suprir uma parte do seu consumo”, acrescenta Marcelo Villalva. Outra forma de utilizar a energia solar é nos sistemas com baterias, mas neste caso não existe conexão com a rede elétrica. Para isso é necessário associar um banco de baterias com um inversor ao sistema do painel solar para poder acumular a energia e depois utilizá-la”, afirma Ruppert. Villalva aproveita para dar dicas de instalação: “o ideal é instalar os painéis solares nas coberturas para poder utilizar a melhor inclinação para cada região geográfica, além de permitir orientar os painéis para o Norte, que proporciona o melhor aproveitamento ao longo do dia. A instalação em fachadas reduz o aproveitamento, pois os painéis ficam na posição horizontal e nem sempre podem ser voltados para o Norte.”

 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Crédito para edificações sustentáveis

Por Agência Ambiente Energia

Um estímulo adicional para garantir a sustentabilidade na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016.

Grupo de trabalho integrado pelo Procel, o Inmetro e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LABEEE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre outras entidades, elaborou o Programa para Classificação do Nível de Eficiência Energética das Edificações Brasileiras. Segundo a Eletrobras, o programa permitirá qualificar hotéis para as cidades-sede e envolvidas com os grandes eventos esportivos a serem realizados no Brasil. Um dos pré-requisitos para inscrição no ProCopa Turismo, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é que o empreendimento tenha a classificação “A” do Procel Edifica.

Com um linha de crédito de R$ 1 bilhão, o ProCopa Turismo destinará para cidades-sedes e capitais valores que variam de R$ 3 milhões a R$ 10 milhões, com prazos de pagamento que vão de 12 anos (projetos de ampliação, reforma e modernização) a 18 anos (novos empreendimentos).

Para Rodrigo Casella, arquiteto do Procel Edifica, a participação no programa de certificação não ajudará apenas a atender às exigências do BNDES. “Respeitar critérios de sustentabilidade também é melhor para a economia dos proprietários, que desperdiçarão menos energia nos empreendimentos”, disse. Para ganhar a classificação “A” do Procel, segundo Casella, os edifícios são avaliados segundo três sistemas individuais: envoltória (fachadas e cobertura), sistema de iluminação e sistema de ar condicionado. O prazo necessário para a avaliação é de 60 dias, dependendo da complexidade do projeto.

Veja o passo a passo para participar do ProCopa Turismo

Cidade, doce cidade - o homem, por escolha, optou por áreas urbanas.

Por Ana Paula Severiano, para Revista Nova Escola / Especial Meio Ambiente – 08/2010
 
A densidade demográfica em pontos específicos do globo não deixa dúvida: o homem, por escolha, optou por áreas urbanas. É lá que estão as melhores oportunidades de emprego, saúde, cultura e lazer - e os maiores problemas. O desafio do momento é transformar esses grandes centros em locais sustentáveis e agradáveis de viver

Ao contrário das cidades antigas, que eram muradas para evitar o ataque inimigo, as metrópoles de hoje crescem sem limites. Desde 2007, mais da metade da população mundial está na zona urbana. A rapidez com que a migração ocorreu impressiona. No começo do século 20, nove em cada dez pessoas ainda moravam no campo. Mas, a partir da década de 1950, o cenário mudou. "As cidades absorveram quase dois terços da explosão populacional global e hoje o crescimento é de 1 milhão de bebês e migrantes por semana", afirma Mike Davis, professor da Universidade da Califórnia, no livro Planeta Favela.

Tóquio, Nova York, Mumbai, São Paulo, Moscou, Cairo, Xangai: essas são algumas das cidades com mais de 10 milhões de habitantes definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como megacidades. "Elas articulam a economia global, ligam as redes informacionais e concentram o poder mundial", diz o cientista social Manuel Castells. Por isso, há tanta gente vivendo no mesmo espaço. É nas regiões mais urbanizadas que se encontram as melhores oportunidades de emprego e renda, bem como de acesso a Educação, saúde, lazer e cultura. Mas nessas aglomerações há também os maiores desafios de gestão socioambiental.

Os problemas de um habitante de São Paulo são diferentes dos enfrentados por um morador de Londres. Nos países desenvolvidos, o desafio é encontrar fontes de energia alternativas para substituir os combustíveis fósseis. Na esfera social, inquieta o crescimento de periferias formadas por imigrantes ilegais. Nos países em desenvolvimento, as questões são mais básicas. "Aqui, precisamos discutir o destino do lixo e do esgoto domésticos e a qualidade do transporte público. Também temos de debater a falta de áreas verdes e a questão das moradias em locais irregulares", diz Pedro Jacobi, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Lá ou cá, o objetivo é o mesmo. "Na construção de cidades sustentáveis, colocamos centralmente o resgate de melhores condições de vida prejudicadas pelo crescimento desordenado", diz Marta Romero, urbanista e professora da Universidade de Brasília (UnB).

É DO SÉCULO 18 A IDEIA DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL

A palavra sustentabilidade está nas campanhas publicitárias, é escrita com letras grandes na bolsa de pano que substitui a sacola plástica na hora das compras e repetida nos discursos de empresários e políticos. O engenheiro florestal alemão Hans Carl von Carlowitz foi o primeiro a empregar o termo (originalmente, nachhaltigkeit), no livro Silvicultura Econômica, de 1713. Na época, as florestas de sua região, a Saxônia, foram devastadas pela exploração de minas de prata: os terrenos tinham sido desmatados para escavação, e a madeira, utilizada nos fornos a lenha em que se fundia o metal. Carlowitz trabalhava como inspetor geral de mineração do estado e em seu livro sugeriu um manejo florestal sustentável para garantir o estoque de madeira no futuro. Na visão do inspetor, os homens deveriam respeitar o limite de recuperação da floresta e o ritmo de crescimento das árvores para não provocar danos irreparáveis. Ele propunha o replantio de espécies nativas e a substituição da madeira por recursos alternativos.

No fim dos anos 1960, outra palavra começou a mudar de significado: desenvolvimento. Em 1968, cientistas, industriais, diplomatas e economistas sem vinculação partidária se reuniram em uma vila de Roma, na Itália, para discutir a relação entre recursos naturais e desenvolvimento. Esse grupo ficou conhecido como Clube de Roma. Em seu primeiro relatório, Os Limites do Crescimento, de 1972, o Clube já advertia que o modelo de progresso baseado no uso irracional dos recursos naturais estava falido. Ou seja, desenvolvimento não poderia ser sinônimo apenas de crescimento econômico. No mesmo ano, a ONU realizou a Conferência de Estocolmo, a primeira reunião internacional para discutir o meio ambiente. Mais de uma década depois, em 1983, criou-se a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas.

Em 1987, a expressão "desenvolvimento sustentável" foi definida no relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento. Segundo o documento, "desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem colocar em risco a possibilidade das gerações futuras".

ECO-92 INCLUI REDUÇÃO DA POBREZA NA IDEIA DE SUSTENTABILIDADE

O impacto do Relatório Brundtland e a organização cada vez maior dos movimentos ambientalistas culminaram na Conferência Eco-92, realizada na cidade do Rio de Janeiro.

A Agenda 21, que sintetiza as propostas da conferência, é um marco porque consagrou a ampliação do conceito de sustentabilidade, que passou a agregar as dimensões social e econômica. Desde a Eco-92, a sustentabilidade não significa apenas usar de forma consciente e eficiente os recursos naturais. "Sustentabilidade é também redução dos níveis de pobreza, criação de emprego e renda, redução das desigualdades e da violência e democratização das informações e decisões", explica a socióloga Lúcia Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Quando a discussão sobre a qualidade de vida nas áreas urbanas ganhou força, em meados da década de 1970, pensava-se que o único jeito de minimizar os impactos ambientais e os problemas sociais era impedir o crescimento das cidades. No entanto, as tentativas de manter as pessoas no campo, por razões econômicas e culturais, foram frustradas. Para Lúcia Ferreira, as cidades são indiscutivelmente polos de atração. "Mas mandar as pessoas de volta a seus locais de origem não resolve. É o momento de rever as políticas públicas", diz.

Não há uma receita para o sucesso, porém boas práticas adotadas no Brasil e no exterior indicam que, sim, é possível escapar do colapso (veja o infográfico na página 64). Para isso, os gestores devem entender as cidades como organismos que precisam entrar em equilíbrio: "O consumo de recursos renováveis não pode exceder a capacidade de reposição deles. Assim como a taxa de emissão de poluentes não pode superar o ritmo de absorção e transformação por parte do ar, da água e do solo", diz Marta.

O arquiteto Carlos Leite, especialista em desenvolvimento sustentável, é otimista (veja nota no rodapé do texto). Há mais de dez anos, ele viaja o mundo para conhecer alternativas sustentáveis em lugares separados não apenas pela distância geográfica mas também pelas diferenças culturais. Para ele, as cidades ideais não existem. "Elas são feitas por homens e refletem os problemas dos homens. Mas existem exemplos que evidenciam ser possível mudar e achar as fórmulas para construir cidades mais sustentáveis, onde o encontro das pessoas entre si e com o ambiente seja privilegiado."

CONSTRUINDO NOVOS VALORES

A discussão sobre a sustentabilidade deverá, no futuro, resultar em mais organização e mobilização da sociedade civil. A escola, no entanto, ainda não cumpre bem o papel de sistematizar essas informações e promover a reflexão crítica. Veja abaixo os principais erros no ensino do conteúdo e como evitá-los.

Propor atividades pontuais, como uma campanha de reciclagem de latas.

- Cabe à escola promover a mudança dos hábitos não sustentáveis, buscando aprimorar as relações das pessoas entre si e com o meio ambiente.

- Restringir o tema às aulas de Geografia ou Ciências.

Uma escola que adota práticas sustentáveis precisa envolver toda a equipe na mudança de hábitos para desenhar seu "ecossistema".

Impor ações aos alunos sem promover discussões sobre o tema com base no conhecimento científico.

- Crianças e jovens que são informadas e participam das decisões no ambiente escolar têm mais chance de cobrar o poder público e promover ações ambientais.

- Ignorar as relações do contexto local com o global.

Focar a prática da escola na reflexão e na proposta de soluções para os problemas da comunidade, mas relacionando-os ao ecossistema global.

Consultoria - Lúcia Legan, fundadora do Ecocentro do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), e Marcos Sorrentino, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP

PARA SABER MAIS:

Bibliografia

• A Cidade na História, Lewis Mumford, 742 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3082-8042 (edição esgotada)

• Planeta Favela, Mike Davis, 272 págs., Ed. Boitempo, tel. (11) 3875-7285, 41 reais

Internet

• No site do Instituto Brasileiro de Administração Municipal, é possível fazer o download do documento Cidades Sustentáveis.

Fontes:

Sustainable Places

BNC

Sustainable Cities

Hammarby Sjöstad


Nota: O Prof. Arq. Carlos Leite, citado na matéria, apresentará o curso "Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes" na EcoBuilding, em São Paulo, em 01 e 02 de outubro. Mais informações em: www.ecobuilding.com.br  ou (11) 2361 6659 / 2359 0018.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Uso racional da agua é tema de debate na 1ª Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo


São Paulo, agosto de 2010 - A preocupação e o uso racional da água estão entre os pilares da construção sustentável. O assunto será um dos principais debates da 1ª Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo O, que acontece entre 1 e 3 de setembro, no prédio da Fecomércio, na capital paulista. O segundo dia do evento terá um módulo totalmente dedicado ao tema.

Estudos do (GBC) Green Buildings Council, ONG responsável pela emissão do certificado LEED, o principal selo da construção sustentável no mundo, apontam que empreendimentos que adotam esse modelo de construção custam entre 1 e 7% a mais que os padrões convencionais, mas como utilizam modernos sistemas de aproveitamento de águas pluviais e tratamentos de água este valor gasto a mais é recuperado em pouco tempo. Em operação, o empreendimento sustentável chega a reduzir em até 40% o consumo de água, o que assegura retorno financeiro a curto prazo.

Alguns cases do gênero serão apresentados na 1ª Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo O. A mesa do módulo "Uso Racional de Água" acontece no dia 2 de setembro, a partir das 9h e será presidida por Antonio Macêdo Filho, diretor do EcoBuilding arquiteto, máster em Arquitetura Bioclimática pela Universidade Politécnica de Madrid e diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniCid – Universidade Cidade de São Paulo.

O módulo é composto por quatro palestras: "Sistemas economizadores de água: tecnologia, educação e gestão", com Wilson Passeto, diretor da ONG Água e Cidade; "PURA - Programa Uso Racional de Água", ministrada por Marcos Yamada, da Duratex S.A - Divisão Deca; "A medição individualizada como ferramenta de gestão de condomínios residenciais"; apresentada por Osvaldo Barbosa de Oliveira Júnior, gerente técnico da Ista Brasil e uma sobre "Sistemas de Tratamento e Reuso de Água", com Vírgínia Dias de Azevedo Sodré, da Infinitytech.

A 1ª Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo , realizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado e pelo GBC Brasil, é uma ferramenta para impulsionar a abertura de mercado da construção sustentável no Brasil. O evento conta com patrocínio de mais de 30 empresas de todo o mundo.

. 1ª Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo, de 1 a 3 de setembro, dias 1 e 2: 9h às 18h e dia 3: 8h às 16h, no Fecomercio, Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista - São Paulo (SP)
http://www.expogbcbrasil.org.br/.

Fonte: Revista Fator, 21/08/2010 - 08:28 h.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eólicas dominam leilão de energia renovável

Por Vanessa Barbosa - 25/08/2010 - EXAME.com

Os ventos estão favoráveis ao setor de energia eólica neste final de agosto e sopram perspectivas promissoras. Com o maior número de projetos inscritos, a eólica promete ser o destaque nos leilões de energia renovável que o governo realiza nesta quarta e quinta.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 366 usinas obtiveram habilitação para participar do leilão de reserva que acontece hoje (25). A energia ofertada por elas chega a 10.745 megawatts (MW). Destas, 316 são de eólica, 40 são de biomassa e 10 são de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Para o leilão de amanhã (o A-3, com energia prevista para entrar no mercado em outubro de 2013), foram habilitadas 320 eólicas, com 8.304 MW.

Parque Eólico de Osório/RS

Os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Rio Grande do sul possuem os projetos com maiores potenciais de geração de energia habilitados, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). Somando a participação das regiões nas duas vendas públicas, o Rio Grande do Norte lidera, com 6.577 MW, à frente do Ceará, com 4.257 MW e do Rio Grande do Sul, com 3.262 MW.

No primeiro leilão de eólica, que aconteceu em dezembro de 2009, foram contratados 1805 megawatts (previstos para entrar no mercado em 2012) de 71 projetos, a maioria do Norte e Nordeste. Segundo o diretor da ABBEólica, Pedro Perrelli, metade das oito bacias eólicas do país (áreas com alto potencial de geração) concentra-se nessas regiões.

Ventos favoráveis para os negócios e demanda alta

O Brasil possui 65% do potencial instalado para geração de energia eólica da América Latina. Hoje, o país conta com 45 parques, que somam 794 MW de potência - o que equivale a apenas 0,7% da matriz energética brasileira. Essa energia é capaz da abastecer cerca de 600 mil residências, ou uma cidade com 3 milhões de habitantes.

Apesar da participação tímida na produção de energia, o setor já é considerado complementar às hidrelétricas. "Não existe dúvida de que a âncora para o crescimento da matriz de geração de energia no Brasil é a hidráulica", afirma Perrelli. "Mas diante da escassez de recursos naturais e da busca por fontes renováveis, a eólica aparece como principal geradora, depois da hidráulica".

Outra característica que favorece essa complementação entre hidrelétricas e parques eólicos, segundo Perrelli, é a "sazonalidade invertida". "Essas duas fontes geradoras têm potências alteradas de acordo com as condições do tempo, explica. "Durante a seca, venta mais e chove menos. Com isso, o nível das águas das hidrelétricas diminui, enquanto a geração das eólicas é otimizada". O inverso segue lógica parecida. Em dias de muita chuva, as hidrelétricas ficam a pleno vapor, mas as eólicas deixam a desejar por causa da baixa incidência de ventos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Dicas para uma construção civil sustentável

Por Ivan Nogueira, publicado originalmente em Comunidade Obra Sustentável, Agosto 2010

Apesar da dificuldade encontrada para aliarmos a construção civil com a sustentabilidade, o consumidor está cada vez mais exigente quanto a procura de produtos ecologicamente corretos. Por isso, a meta de boa parte das indústrias de materiais de construção tem sido atender esta clientela. A cada semana, produtos com bandeira verde surgem nas prateleiras, mas discernir o marketing de soluções reais não é tarefa simples para o consumidor.

O princípio na escolha deve considerar o ciclo de vida do produto, desde o modo e o local de produção até o transporte para o ponto de uso. Entram na equação a capacidade de reaproveitamento do material e a deposição de seus resíduos ao fim da vida útil.

Trocando em miúdos, produtos ecologicamente corretos estão mais próximos do seu estado natural, usam menos componentes químicos e têm grande potencial de transformação. “Materiais de baixo impacto ambiental são fundamentalmente os produzidos na própria região e que não são tóxicos”, aponta o professor Miguel Sattler, da UFRGS. Da fundação ao revestimento, há opções menos agressivas ao ambiente:
- Nas paredes, tijolos, por exemplo, são mais interessantes do que o cimento para o conforto térmico, por transmitirem menos calor e manterem a temperatura estável.

- Ao escolher o cimento, não há alternativas ecológicas, porém há materiais menos agressivos, como o CP 3, feito de resíduos da indústria cimenteira. Pisos de madeira de demolição, certificada ou de reflorestamento, em salas e quartos, também proporcionam temperatura agradável.

- Outra possibilidade é uma manta ecológica feita de pó de madeira, resina de pinheiro, óleo de linhaça, pó calcário, pigmentos minerais e juta, que faz as vezes de carpete.

- Na área molhada, uma solução pode ser o chão de cimento queimado. Para a pintura, tintas à base de cal e de terra possuem tonalidades que vão do amarelo ao marrom.

- O PVC da parte hidráulica pode ser completamente trocado pelo plástico PPR, que suporta água quente.

Para um futuro melhor, colabore, exigindo procedência e sustentabilidade dos materiais e produtos que você está comprando!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Universidade promove aula sobre sustentabilidade para futuros arquitetos

Aula Magna Arquitetura e Desenvolvimento Sustentável na UniCid
Por Thatiane Leme, para o Guia Decorar

O novo auditório da UNICID - Universidade Cidade de São Paulo, ficou repleto de alunos e profissionais da área de arquitetura na última quinta-feira, dia 12. A instituição promoveu a “Aula Magna: Arquitetura para o Desenvolvimento Sustentável”, organizada pelo Prof. Arq. Antonio Macêdo Filho, diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo. O evento contou com a participação de ilustres palestrantes, como Nelson Kawakami, diretor do Green Building Council Brasil, e do arquiteto norte-americano Rives Taylor, diretor de sustentabilidade em projetos do Gensler, um dos maiores escritórios de Arquitetura e Design do mundo. Taylor também é professor da Universidade de Houston - Texas (EUA).

O objetivo desta aula especial foi levar aos futuros bacharéis da Universidade, um estudo aprofundado sobre as novas construções sustentáveis, que são cada vez mais importantes e necessárias para o futuro do planeta. O Prof. Macêdo abriu a palestra pontuando que este tema deve ser tratado com urgência. “As novas construções precisam ser mais bem planejadas, ter mais atenção quanto ao impacto que elas provocam no meio ambiente. Um bom projeto reflete na cidade, em seu entorno, em todo o País. O planeta está desequilibrado, é preciso planejar para mudar este cenário”, explicou o professor.

Macêdo ressaltou a importância de formar profissionais mais qualificados no assunto. “O bom arquiteto é aquele preocupado em se adequar às mudanças, em buscar conhecimento. Um projeto sustentável de sucesso precisa contar com a participação de diversos profissionais, uma criação coletiva. Todos terão de estudar de tudo um pouco, para atender as necessidades atuais sem comprometer as futuras gerações”, afirmou o profissional.

Durante a sua explanação, o diretor do curso apresentou dados relevantes sobre os impactos das construções. “É preciso repensar a maneira de proceder daqui para frente. A construção civil é uma das atividades que mais causam impacto no meio ambiente, sendo responsável, somente no Brasil, por 21% no consumo de água, 25% da emissão de gases causadores do efeito estufa, 65% dos resíduos e 42% do consumo de eletricidade”, revelou.

O número de projetos registrados no sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificação internacional para edifícios sustentáveis – residenciais e comerciais – concedida pelo US Green Building Council (Conselho de Construção Sustentável dos EUA) aumentou de quatro registrados em 2007 para 191 em 2010, segundo o GBCB (Green Building Council Brasil). Desses, 80% estão localizados em São Paulo e 55% são comerciais. Atualmente, 18 obras já são certificadas no País.

De acordo com Nelson Kawakami, diretor do GBCB, essa expansão se deve ao fato de que os empresários já perceberam que as construções verdes reduzem o seu impacto na natureza e o custo operacional dos edifícios. “A adoção de práticas sustentáveis traz benefícios econômicos mensuráveis. Uma construção verde reduz de 8 a 9% os custos operacionais de um edifício comercial e amplia em 6,6% a taxa de retorno do imóvel, em 3,5% a taxa de ocupação e 3% o valor do aluguel", explicou.

Apesar de todas essas vantagens, Kawakami afirmou que o selo ainda precisa ser mais disseminado. "Há um grande potencial de crescimento no País. Para 2011, a meta é chegar a 400 prédios registrados para certificação. Para isso, é necessário ampliar a conscientização das pessoas, porque a redução de custos é importante, mas a mudança de postura é vital. O grande obstáculo continua sendo o desconhecimento por parte dos profissionais", disse.

Nos Estados Unidos, onde a certificação LEED está consolidada há anos com mais de 20 mil empreendimentos certificados, o Prof. Macêdo lembra que o mercado cresce 14,2% ao ano num universo de US$ 10 trilhões.

Alguns projetos americanos de sucesso com selo LEED foram apresentados pelo arquiteto norte-americano Rives Taylor, diretor de sustentabilidade em projetos do escritório Gensler, que conta com mais de 2,8 mil arquitetos atuando em todo o mundo.

Na palestra "Design sustentável para um mundo melhor", o especialista destacou que uma edificação que adota o LEED ganha em funcionalidade, performance e energia. "O usuário ganha em conforto e as empresas com o aumento da produtividade. Um exemplo disso são as construções em Houston. Lá, os novos empreendimentos só ganham o interesse de um comprador se possuir a certificação LEED”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Retorno dos Investimentos em Eficiência Energética em Residências

Publicado originalmente em Home Energy Saver. Tradução, adaptação e comentários de Antonio Macêdo Filho.

Estudos feitos nos EUA concluem que a aplicação de algumas medidas de eficiência energética em uma típica residência rende cerca de US$ 600 na conta de energia anual e um interessante retorno do investimento de 16%.

O diagrama ao lado fornece uma imagem representativa da alta rentabilidade de alguns melhoramentos com vistas à eficiência energética. Note que a casa padrão avaliada aqui está localizado em um clima médio dos EUA e dispõe de bomba de calor, aquecedor elétrico de água, máquina de lavar roupa, secadora de roupas e lava-louças.

O custo-benefício exemplificado supera a meta de 30%  de economia para casas existentes estabelecida pelo programa PATH (The Partnership for Advancing Technology in Housing - Parceria para a Promoção de Tecnologia em Habitação).

Na verdade, todas estas medidas produzem maior retorno sobre o investimento do que um investimento bancário comum (mesmo no Brasil) e a maioria é tão ou mais rentável que o mercado de ações tem sido nos últimos anos (não no Brasil). Os ganhos de eficiência acima incluem o efeito do imposto de renda. Isso torna a economia ainda mais atraente, porque você poderia guardar o dinheiro que você economizar em suas contas de energia, quando teria que pagar impostos mais robustos sobre investimentos normais.











NOTAS: Considerou-se uma casa típica com bombas de calor a ar, aquecimento de água elétrico, máquinas de lavar e de secar roupas e máquina de lavar louça. A taxa de retorno considerou 3% de inflação anual nos preços de eletricidade residencial. As taxas de retorno pós-impostos consideram impostos de renda de 28% (no Brasil, 27,5%).

1) O preço de compra de máquinas de lavar, máquinas de lavar louça, termostato, e o uso de bomba de calor é baseado nos padrões das normas estabelecidas pelo NAECA - National Appliance Energy Conservation Act (equivalente aos nossos Procel / Inmetro), para equipamentos domésticos. Todos os preços refletem o custo total do consumo, incluindo a instalação.

2) As economias nas contas consideram o custo médio da energia elétrica de 8,8 centavos de dólar por kilowatt-hora (média de R$ 0,35 por kWh, no Brasil - ou seja, tempo de retorno ainda melhor, no nosso caso). As eficiências dos equipamentos consideram os padrões do NAECA (No Brasil, Procel).

3) Os consumos de energia devidos ao aquecimento e resfriamento foram levantados utilizando-se modelagem com o software DOE-2, do LBNL - Lawrence Berkeley National Laboratory, outros consumos de usos finais de energia seguem relatório de consumo residencial do DOE - Departament of Energy, dos EUA (equivalente ao nosso MME - Ministério de Minas e Energia e o seu BEN - Balanço Energético Nacional).

PS: O que estamos esperando?

Traduzido, adaptado e comentado por Arq. Antonio Macêdo Filho - amacedo@ecobuilding.com.br

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sustentabilidade versus crescimento: limites do atual modelo econômico

Por Zhang Danhong (md), com revisão de Alexandre Schossler. Publicado originalmente em Deutche Welle

Especialistas veem como ultrapassado o modelo econômico baseado só no crescimento do PIB e defendem formas de desenvolvimento e medição de riqueza que levem em conta a distribuição de renda e o uso de recursos naturais.

Mais de 80% dos rios da China estão contaminados

O debate está em pauta há mais de 30 anos, mas a crise econômica mundial e as alterações climáticas deram um novo impulso às discussões sobre o modelo econômico tradicional, que só valoriza o crescimento da economia.

Para o economista alemão Gerhard Scherhorn, professor emérito de Mannheim, o problema central da humanidade é o esgotamento dos recursos naturais. "Nós esgotamos os recursos naturais por meio da sobrepesca dos oceanos, da redução do nível das águas subterrâneas, da diminuição da biodiversidade e do aquecimento global", afirma.

O ex-vice-ministro alemão do Meio Ambiente Michael Müller tem opinião semelhante. "Temos um histórico de desenvolvimento industrial em que os recursos materiais da Terra foram usados com desperdício e ignorância", afirma.

O mau exemplo China

Mulher coleta garrafas plásticas ao lado de um riacho poluído por uma fábrica de papel em Dongxiang, na ChinaEm nenhum outro lugar esse comportamento pode ser percebido de forma tão clara como na China. Mais de 80% dos rios do país são considerados contaminados. Além disso, 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo estão na China.

Por um lado, o país ostenta, há muitos anos, níveis anuais de crescimento econômico perto dos 10%; por outro, mais da metade desse crescimento acaba sumindo por conta dos prejuízos ambientais causados, afirma Müller.

Na opinião dele, a China sofrerá em breve as consequências das mudanças climáticas, causadas também pelo próprio crescimento econômico a todo custo. Ele lembra que, segundo os estudos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o aquecimento global ameaçará sobretudo as zonas industrializadas próximas aos deltas dos rios chineses.

"Isso quer dizer que a China terá que organizar e financiar imensos programas de relocação de moradores. Eu não sei se o país é capaz disso. De qualquer forma, seria uma tragédia humana", alerta. A sua conclusão é que os limites de crescimento econômico já foram alcançados em todo o mundo.

Novo indicador de qualidade de vida

O economista Hans Diefenbacher, de Heidelberg, acha necessária uma reconstrução dentro de padrões ambientais. Ele cita como exemplo a Alemanha. "Podemos começar isolando termicamente as construções antigas dentro dos próximos 30 anos, a um ritmo anual de 3%. Podemos também ampliar os sistemas de transporte público", sugere.

Ele sugere ainda que as pessoas sejam mais contidas nos seus gastos. Mas mudanças no estilo de vida dos consumidores podem levar a uma contração do Produto Interno Bruto (PIB), cujo crescimento é a medida de todas as coisas para os governantes de qualquer país.

Poluição oriunda de uma fábrica em Baotou, na China

Diefenbacher, que desde meados dos anos 80 estuda a forma como o crescimento econômico é medido, defende uma revisão desse critério. "O Produto Interno Bruto deve ser substituído como medida de crescimento por um novo indicador de qualidade de vida, pois muitos aspectos importantes não são considerados no PIB", afirma.

Primeiro, a distribuição de renda não é contemplada pelo Produto Interno Bruto, lembra. Em segundo lugar, ele também não reflete os danos ambientais causados pela produção e pelo consumo. "Também não reproduz devidamente o consumo de recursos naturais não renováveis", explica o economista.

Franceses chegaram à mesma conclusão

Ou seja, a distribuição de renda e o uso dos recursos naturais teriam que ser levados em consideração por um novo indicador. Mas também o trabalho doméstico e os serviços voluntários deveriam ser incluídos como fatores positivos, de acordo com Diefenbacher.

Por muito tempo, a discussão sobre crescimento e sustentabilidade recebeu pouca atenção. Agora, esse debate começa a sair do seu nicho. Em alguns países europeus, ele está mais avançado do que na Alemanha.

Como na França, onde uma comissão criada pelo governo Sarkozy e chefiada pelo Prêmio Nobel Joseph Stiglitz chegou ano passado à mesma conclusão: o PIB não é um indicador suficiente, e distribuição de renda e consumo de recursos naturais também devem ser considerados.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos e as mudanças no Brasil

Por Izabel Zaneti para o EcoDebate

A aprovação pelo Congresso do projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, no último dia 7 de julho, é um grande avanço. Encaminhada para sanção presidencial, a política é uma norma imperativa, sujeita a sanções quando não cumprida. O projeto será sancionado nesta segunda-feira, 2 de agosto, pelo presidente Lula em cerimônia no Palácio do Itamaraty.

A PNRS representa um marco na resolução de problemas ambientais resultantes do excesso de resíduos sólidos, de sua destinação final e do tratamento inadequado até aqui, determinando novos comportamentos de ora em diante. Uma vez transformada em lei federal os estados, o Distrito Federal e os municípios deverão adaptar suas legislações. Está previsto um período de adaptação de quatro anos, o que exige empenho desde logo para que esta verdadeira mudança de paradigma ocorra.

A lei proíbe a criação de lixões, onde os resíduos são lançados a céu aberto, e determina que as prefeituras passem a construir aterros sanitários adequados ambientalmente, nos quais só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem. Será proibido catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários.

Vale destacar o incentivo para o mercado da reciclagem de resíduos, bem como a promoção da Educação Ambiental como vetor de conscientização e também o incentivo à criação de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. O projeto também incumbe ao Distrito Federal e aos municípios a gestão integrada dos resíduos sólidos gerados nos respectivos territórios, sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais e estaduais.

A PNRS prevê que a União e os governos estaduais possam conceder incentivos à indústria de reciclagem. Os municípios só receberão verbas do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão.

Quanto às lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos, por exemplo, terão logística reversa, ou seja, retorno de produtos passíveis de reaproveitamento a quem os fabrica. Outro ponto importante é a “responsabilidade compartilhada”, envolvendo a sociedade, o setor empresarial, as prefeituras e os governos estaduais e federal, na gestão dos resíduos sólidos.

Penso que este esforço conjunto será um marco no Brasil e deverá contribuir para alcançar os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos de proteção à saúde pública e à melhoria da qualidade ambiental.

Izabel Cristina Bruno Bacellar Zaneti é atualmente Pesquisadora Colaboradora Plena do Centro de Desenvolvimento Sustentável-CDS, da Universidade de Brasília e doutora em Desenvolvimento Sustentável pela mesma universidade.

Artigo socializado pela UnB Agência e publicado pelo EcoDebate, 16/08/2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Os melhores "Green Buildings" do mundo

Por Antonio Macêdo Filho, a partir de artigo de Lance Hosey para a Architect Magazine, publicado em terra.com.br em agosto 2010

A revista americana Vanity Fair, em sua edição de agosto de 2010, publicou os resultados de uma pesquisa com 90 especialistas sobre as "maiores obras arquitetônicas dos últimos 30 anos". O Museu Guggenheim Bilbao, de Frank Gehry, foi o grande vencedor, seguido pelo Menil Collection, de Renzo Piano.

Não satisfeito, o arquiteto e jornalista Lance Hosey, da revista Architect Magazine, notou que a lista da Vanity Fair não contemplava construções sustentáveis. Segundo ele, "até as obras de Renzo Piano e Norman Foster, arquitetos conhecidos pela alta performance ambiental, eram antigas e pouco ambiciosas, ambientalmente".

Ele decidiu então fazer a sua própria pesquisa, para definir quais seriam as "cinco construções verdes mais importantes desde 1980". Consultou 150 especialistas, incluindo arquitetos, engenheiros, educadores e críticos dos Estados Unidos, Europa e Ásia que elegeram então os melhores projetos, segundo os critérios que prefirissem utilizar. Daí surgiu a G-List (G de Green, claro).

Dos edifícios selecionados, eu tive oportunidade de conhecer alguns - Commerzbank (Frankfurt), BedZed e SwissRe Tower (Londres), Genzyme (Boston), New York Times Building e Bank of America Tower (Nova York) - sempre em visitas técnicas que ajudei a organizar e acompanhei, e posso afirmar: estes são mesmo muito bem projetados e construídos e por isto devem de fato ser considerados referência. Sobre estes, acrescentei a seguir alguns comentários.

And the winners are:

1 - Centro de Estudos Ambientais Adam Joseph Lewis (Oberlin, Ohio), William McDonough + Partners, 2001 - O Centro de Estudos Ambientais Adam Joseph Lewis (AJCES), localizado no campus da Universidade de Oberlin, é um dos mais avançados exemplos de edifício auto-sustentável dos Estados Unidos. O AJCES produz toda energia que consome através de painéis fotovoltaicos, com potências instaladas de 60kW na cobertura e 100kW em área adjacente (estacionamentos).

O Centro Lewis ainda utiliza um sistema de tratamento de água chamado de "A Máquina Viva", que recebe a água de esgoto e a trata e purifica para que ela possa ser reutilizada nos vasos sanitários. O prédio ainda tem janelas posicionadas de maneira apropriada para aproveitar ao máximo a luz do dia e poços geotérmicos, que ajudam a aquecer e a resfriar a área interna da construção.

2 - California Academy of Sciences (San Francisco), Renzo Piano Building Workshop, 2008 - A Academia de Ciências da Califórnia foi inaugurada em 2008 e definida como uma "construção revolucionária".

O telhado verde mantém o interior do edifício sempre fresco e os 13 milhões de litros de água usados por ano na rega das plantas são em grande parte reutilizados para outros fins no museu. No telhado de vidro, janelas e cortinas controladas por computadores abrem-se e fecham-se para manter a temperatura adequada dentro do ambiente e facilitar a passagem da brisa do Pacífico. Calças jeans velhas foram utilizadas no isolamento das paredes e uma barreira de vedação envidraçada possui células fotovoltaicas integradas que geram 15 % da energia elétrica que o edifício consome.

3 - Genzyme Center (Cambridge, Mass.), Behnisch Architekten, 2003 - O Genzyme Center, sede mundial da empresa de biotecnologia Genzyme Corporation inaugurada 2003, recebeu a certificação LEED Platina do US Green Building Council graças aos seus princípios ambientais. O aproveitamento da luz natural e uso inteligente da água contribuíram para uma redução de 42 % dos gastos anuais em eletricidade e 32% do consumo da água.

Nota: Sobre o Genzyme, que visitei em 2008, publiquei um post aqui no blog em: http://amacedofilho.blogspot.com/2009/04/um-exemplo-ser-seguido.html
A arquitetura em si é aparentemente bem normal, mas quando se conhece melhor o projeto, percebe-se que de fato merece estar nesta lista. Os espelhos para direcionamento da luz natural no atrio interior são de eficácia e beleza impressionantes.

4 - BedZED - Beddington Zero Energy Development (Londres), ZEDfactory, 2002. Este bairro construído no Reino Unido, próximo a Londres, é considerado um modelo de sustentabilidade urbana. Ele segue uma filosofia de composição heterogênea dos seus residentes, e possui moradores de classe média, alta e baixa vivendo no mesmo local. O empreendimento ainda foi erguido com material de construção comprado na região, uso de materiais reciclados e mão-de-obra local, e possui um programa "clube do carro", exclusivo para os moradores, para o compartilhamento de veículos, de forma que as pessoas não precisem ter os seus próprios carros.

Nota: Sobre o BedZed, publiquei um breve video que fiz durante visita técnica que acompanhei em março deste ano (2010), durante a I Missão Técnica EcoBuild Londres. Em breve publicarei em outro post fotos e comentários a respeito. Por enquanto, pode assistir ao video em: http://www.youtube.com/watch?v=I0ymBgT6Q0s

O Bed Zed é um exemplo de que com boas idéias e uma atitude clara de cooperação, pode-se alcançar resultados de fato importantes.

5 - Chesapeake Bay Foundation (Annapolis, Md.), SmithGroup, 2001. O Centro Ambiental Philip Merrill da Fundação Baía de Chesapeake ocupa uma área construída de quase 3.000 m2 e segue padrões mundiais de conservação de energia, tendo recebido a certificação Platinum Rating do Green Building Council. Materiais reciclados e recicláveis foram usados na sua construção. Além disso, a utilização de um sistema de coleta de água de chuva associado a vasos sanitários compostáveis reduziu o consumo de água em 90%.


6 - Bank of America Tower (ou One Bryant Park, Nova York), Cook + Fox Architects, 2009 (6 votes)

O Bank of America é o primeiro arranha-céu comercial de Nova York a alcançar a certificação LEED Plantina. Em 2008, tive oportunidade de visitar a obra em fase de conclusão durante I Missão Técnica Green Buildings em Nova York (a subida em elevador de obra até a última laje foi algo de memorável...). Sua fachada de vidro tem elevado desempenho térmico, permitindo amplo aproveitamento da luz do dia. Pudemos verificar isto em alguns pavimentos tipo. O sistema de ar condicionado que tem roda entálpica e filtros sucessivos,  permite que o ar utilizado no edifício, quando descartado, após o uso, seja ainda mais limpo do que o ar que é tomado de fora. Ou seja, o edifício contribui para melhorar o ar da cidade. Não há uma vaga de garagem sequer. Os usuários são encorajados, portanto, a usar o metrô (há 3 linhas acessíveis pela Bryant Park, logo em frente). Assim fica fácil. Sem dúvida, é um exemplo para outras metrópoles, como São Paulo.

7 - Sidwell Friends School (Washington, DC), KieranTimberlake, 2006 (5 votes). A Sidwell Friends School é a escola onde estudam as filhas do presidente Barack Obama. O edifício é certificado LEED Platina e suas características e sistemas são utilizados para orientação e educação ambiental dos alunos da escola. Trarei mais informações em breve, após visita técnica que se realizará nesta semana com um grupo organizado pela ArqTours para o Sinduscon-SP.

8 - Advanced Green Builder Demonstration (Austin, Texas), Pliny Fisk, 1998 (5 votes)

9 - Dockside Green (Victoria, B.C.), Busby Perkins+Will, 2010 (4 votes)






10 - Omega Center for Sustainable Living, (Rhinebeck, N.Y.), BNIM, 2009 (4 votes)


11 - New York Times Building, (Nova York), Renzo Piano Building Workshop/FXFowle Architects, 2008 (4 votes)

Conheci a obra do NY Times Buildings em 2007 e nos anos seguintes, estive outras vezes em visitas ao edifício com grupos das Missões Técnicas Green Buildings em Nova York. Com sua forma básica e simples, o edifício não é especialmente bonito, mas certamente se destaca na paisagem e é mesmo bem interessante, por conta do seu desempenho.

No video que segue, feito com câmera fotográfica, faço alguns comentários sobre o projeto, para os participantes da missão deste ano (2010), realizada em junho: http://www.youtube.com/watch?v=RDQXeaXeDAg




12 - Aldo Leopold Legacy Center, (Barabook, Wis.), Kubala Washatko Architects, 2007 (4 votes)

13 - Druk White Lotus School (Ladakh, India), Arup, 2005 (4 votes)








14 - Swiss Re Tower (Londres), Foster + Partners, 2003 (4 votes)

A forma cilíndrica em si já representa um desafio à arquitetura. Utilizá-la em meio à City londrina, formal e tradicional, pode ser ainda mais difícil. Fazer um edifício de elevado desempenho ambiental assim certamente não foi fácil. Novo ícone da arquitetura contemporânea de Londres, o SwissRe é também um excelente green building, projetado para ser utilizado com amplo aproveitamento da luz e da ventilação naturais.

Em março deste ano (2010) durante a I Missão Técnica EcoBuild Londres, fomos conhecer o SwissRe. Assista a um video feito durante a visita com camêra fotográfica, no qual eu apresento algumas das características do projeto: http://www.youtube.com/watch?v=CyFYSsn76dQ


15 - Colorado Court, Pugh + Scarpa Architects(Los Angeles, CA) 2002 (4 votes)



16 - Institute for Forestry and Nature Research (Wageningen, Holanda), Behnisch Architekten, 1998 (4 votes)



17 - Commerzbank Headquarters (Frankfurt), Foster + Partners, 1997 (4 votes)

O Commerzbank eu tive a satisfação de visitar em 2002, durante missão técnica que organizei, então pela Câmara de Arquitetos, para o Congresso Mundial da UIA, que naquele ano ocorreu em Berlim. No evento, ouvi o próprio Norman Foster dizer em palestra que estava muito orgulhoso do resultado do projeto e da satisfação dos usuários do edifício. Ele agradeceu ao cliente, o banco, pela encomenda para desenvolver o edifício mais sustentável que se pudesse fazer. Conseguiram. Até hoje o Commerzbank é uma referência em construção sustentável para o mundo. Não podia faltar nesta lista.

Os seus jardins suspensos criam inusitados ambientes de convívio, que são também utilizados para o trabalho, em reuniões e conversas mais descontraídas, o que pude in loco verificar, e trazem maior qualidade ao ambiente de escritórios, o que se reflete em produtividade, como se pôde confirmar.

18 - Menara Mesiniaga Tower (Kuala Lumpur, Malaysia), Hamzah & Yeang, 1992 (4 votes)









Comentários de Lance Hosey sobre os resultados:

"A comunidade representada pelas duas pesquisas parecem ter padrões dramaticamente diferentes. Nenhum edifício da lista da Vanity Fair aparece na G-list e nenhum arquiteto americano aparece com projetos nas duas listas. Apenas dois, Piano e Foster aparecem em ambas, mas com projetos diferentes. Assim como eles, o escritório Behnisch Architekten, também tem dois projetos na Green Building List. Isto parece confirmar a impressão geral de que a Europa está muito à frente dos EUA em se tratando de edifícios de alta performance, o que foi comentado por muitos dos jurados.
Um dia, talvez as referências do "bom design" venham a coincidir com "design sustentável" mas ainda não chegamos lá. Falta muito, mas certamente este dia chegará."

Jurados:

Lucia Athens, City of Austin, Texas
Kate Bakewell, Hart Howerton
Bob Berkebile, BNIM
Dana Bourland, Enterprise Community Partners
Angela Brooks, Pugh + Scarpa Architects
Hillary Brown, New Civic Works
Bill Browning, Terrapin Bright Green
Will Bruder, Will Bruder + Partners
John Cary, Next American City
Rick Cook, Cook + Fox Architects
Randy Croxton, Croxton Collaborative Architects
Betsy del Monte, Beck Architecture
Rick Fedrizzi, U.S. Green Building Council
Thomas Fisher, University of Minnesota College of Design
Pliny Fisk, Founder, Center for Maximum Potential Building Systems
Eric Corey Freed, Organic Architect
Kira Gould, William McDonough + Partners
Walter Grondzik, Ball State University College of Architecture and Planning
Brad Guy, Material Reuse
Robert Harris, Lake/Flato Architects
Volker Hartkopf, Center for Building Performance and Diagnostics
Lisa Heschong, Heschong Mahone Group
Michelle Kaufmann, MK Designs
Allison Kwok, University of Oregon Department of Architecture
Mary Ann Lazarus, HOK
Charlie Lazor, Lazor Office
Marc L'Italien, EHDD Architecture
Vivian Loftness, Carnegie Mellon University School of Architecture
Ray Lucchesi, Lucchesi Galati Architects
Jason McLennan, Cascadia Region Green Building Council
Kirstin Miller, Ecocity Builders
Steven Moore, University of Texas at Austin School of Architecture
David Orr, Oberlin College
Sergio Palleroni, Portland State University Department of Architecture
Jason Pearson, GreenBlue (formerly)
Susan Piedmont-Palladino, National Building Museum
John Quale, University of Virginia School of Architecture
Jonathan Reich, California Polytechnic State University Department of Architecture
Quilian Riano (via Ed Mazria), DSGN AGNC
Traci Rose Rider, Emerging Green Builders (USGBC)
Anne Schopf, Mahlum Architects
Jennifer Siegal, Office of Mobile Design
Henry Siegel, Siegel & Strain Architects
Alex Steffen, Worldchanging
Susan Szenasy, Metropolis
Rives Taylor, Gensler
(Nota: Rives Taylor esteve recentemente conosco em São Paulo. Mais info em: http://amacedofilho.blogspot.com/2010/08/universidade-promove-aula-sobre.html)
Gail Vittori, Center for Maximum Potential Building Systems
Donald Watson, Rensselaer Polytechnic Institute School of Architecture
Andrew Whalley, Grimshaw Architects
Dan Williams, Dan Williams Architect
Kath Williams, Kath Williams + Associates
Ken Yeang, Hamzah & Yeang

Baseado no artigo:The G-List, de Lance Hosey.

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