segunda-feira, 19 de julho de 2010

Universidades brasileiras ainda não são sustentáveis

Universidades brasileiras ainda não são sustentáveis
Por Roberto Machado, publicado originalmente no portal Universia, em junho de 2010

O Relatório Brundtland - elaborado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - exemplifica o desenvolvimento sustentável em atos que satisfaçam as necessidades presentes da sociedade sem comprometer o futuro do planeta. É baseado nesses preceitos que o SAQ (Questionário de Avaliação Sustentável, traduzido do inglês) da ULSF (University Leaders for a Sustainable Future) aconselha as instituições de Ensino Superior a terem uma visão ecologicamente correta no que diz respeito à grade curricular de seus cursos, ao desenvolvimento profissional dos funcionários, bem como ao corpo docente, à pesquisa, à administração e à missão. Diretrizes que podem ser determinantes para as futuras gerações, mas que, no Brasil, segundo profissionais da área, parecem estar distantes da realidade do campus universitário.

De acordo com Fernando Walcacer, vice-coordenador do NIMA/PUC-Rio (Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), os conceitos do relatório, na maioria dos casos, não fazem parte da realidade do Ensino Superior brasileiro. "Não existe comunicação entre professor, aluno e sociedade, tampouco compromisso ético". Para o educador, o corpo docente ainda tende a prender o conhecimento em vez de agregar conceitos sustentáveis às matérias e ao meio acadêmico. "A visão do professor deveria ser ampla a ponto de mostrar aos alunos como é possível agregar sustentabilidade aos temas abordados em cada disciplina. O isolamento habitual cria apenas nichos que não se comunicam entre si", declara.

Além da comunicação errônea, o vice-coordenador também cita a falta de planejamento como influência negativa à construção da idealizada universidade sustentável. O desafio foi inclusive tema do Colóquio Global de Reitores de Universidades, realizado em 2007, na Universidade de Nova York. Durante o evento, 25 gestores de diferentes nacionalidades discutiram o que as instituições deveriam fazer tanto dentro quanto fora do campus para mudar a situação. O debate, segundo Walcacer, resultou na criação de uma agenda ambiental para pontuar aspectos que giram em torno da coleta seletiva de lixo, economia de energia, construções ambientalmente corretas, educação ecológica para os alunos e a utilização de materiais recicláveis. "Essa agenda não pretende ser apenas mais um documento, precisa ser cumprida para que os resultados possam ser colhidos", conta ele.

Todos esses pontos, na opinião de Walcacer, convergem na educação da população em geral. "A sustentabilidade deve ser construída diariamente na vida de todas as pessoas", afirma. O educador aposta na construção de currículos acadêmicos mais sustentáveis para alcançar o nível de conscientização da sociedade, seja agregando disciplinas e cursos ambientais à grade curricular, organizando palestras, simpósios ou até mesmo semanas dedicadas ao Meio Ambiente. "Esses alunos serão formadores de opinião um dia, por isso o conhecimento que o Ensino Superior fornece é essencial para o futuro da sociedade", justifica.

Ainda que Antonio Leite Ruas Neto, professor de Sustentabilidade e Desenvolvimento Regional da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), partilhe da mesma opinião de Walcacer e defenda a inclusão de cursos sustentáveis no Ensino Superior, ele acredita que a demanda imediata por profissionais sustentáveis possa criar um vácuo empregatício. "Isso acontece porque a economia cria necessidades fictícias de mercado e as IES acolhem essa demanda com cursos muito específicos sem agregar conhecimento às disciplinas que já existem", argumenta. O professor acredita que, para as instituições, as necessidades de mercado têm prioridade frente à sustentabilidade. Para ele, a universidade deve se ater exclusivamente aos seus pilares. "Ensino, pesquisa e extensão precisam sempre ser discutidos com empresas e sociedade para que o intercâmbio de informação possa criar soluções sustentáveis", afirma.

Adacto Otooni, engenheiro ambiental da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro, também defende que o viés da sustentabilidade esteja no sangue de todas as disciplinas universitárias. Não apenas nas graduações ou pós-graduações de Ecologia e Biologia, tampouco apenas em cursos de extensão. O professor recomenda que a matéria se torne obrigatória em todos os cursos. "Fator que ainda não faz parte da realidade brasileira", afirma ele.

O papel da universidade, segundo Neto, é trazer o debate da sustentabilidade para dentro do campus acadêmico, com foco em todos os níveis profissionais e acessíveis a toda a comunidade. "O tema deveria percorrer todos os graus hierárquicos das empresas", aponta ele. Para inserir a sustentabilidade no mercado de trabalho, Fernando Schettino, professor do setor de Oceanografia e Ecologia da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), sugere que as universidades incorporem a rotina do futuro profissional permeada de atitudes sustentáveis. "Enquanto os advogados podem entender sobre a legislação ambiental e se adequar a ela, os engenheiros e arquitetos devem utilizar conceitos verdes em suas obras. Até os médicos, quando fazem o descarte de material hospitalar, podem fazer uso da consciência sustentável", exemplifica.

Além da presença obrigatória no mercado de trabalho, o professor da UERGS acredita que a sustentabilidade não deveria se limitar apenas ao que cada instituição acredita ser viável. "As soluções sustentáveis deveriam vir à tona de maneira global, já que é desse modo com que o problema se apresenta para nós. Nesse momento, a troca de informações entre universidades, envolvendo inclusive outros países, é essencial", sugere ele.

Para Schettino, as universidades ainda estão em processo de mudança. Ele defende a criação de um órgão governamental que avalie o quão sustentável cada instituição é e, com base nisso, defina a disponibilização de verbas para infraestrutura e pesquisa. "Dentro desse modelo nós realmente estaríamos formando profissionais e pesquisadores preocupados com o conceito de que as ações momentâneas irão preservar o futuro", avalia o professor da UEFES.

A correta divisão de recursos também é, na visão Otooni, essencial para a criação de tecnologias sustentáveis e de soluções alternativas que possam resolver os mais variados problemas ecológicos. "Profissionais capacitados para gerar esses conhecimentos as universidades têm", garante ele. O próprio governo, segundo o engenheiro ambiental, deveria criar mecanismos para manter o País focado na sustentabilidade. "O Brasil poderia ser um grande produtor de energia solar e eólica, mas, por falta de investimentos, não é", lamenta.

Campus exemplar

A responsabilidade da instituição de ensino, para Geraldo Borim, coordenador de gestão ambiental da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), não se restringe apenas à educação e à pesquisa. Por sua visibilidade, ela também tem o dever de se tornar exemplo tanto para a comunidade interna quanto para a externa. Suas ações, porém, não podem se restringir à reciclagem de lixo. Borim recomenda que as universidades desenvolvam infraestruturas verdes. "Há como trazer para dentro do campus conceitos de construção limpa, iluminação natural, ventilação e captação de água", aponta ele.

A USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, estuda a viabilidade de instalar um bicicletário e ciclofaixas para diminuir o trânsito de carros dentro do campus. "Esperamos conseguir incentivar esse hábito também fora dos nossos portões. Além disso, teremos em breve o recolhimento de produtos específicos, como óleo vegetal", diz Elisabeth Teixeira Lima, diretora em sustentabilidade da USP. Além dessas iniciativas embrionárias, há outras que já fazem parte da vida na universidade, como é o caso do Recicla USP, que já completa 16 anos. "Nesse projeto a produção acadêmica trabalha com impressões frente e verso e papel reciclado", explica a professora.

Mas, segundo a diretora, para que esses programas continuem em processo de evolução se faz necessário a adoção de indicadores de sustentabilidade para a criação de metas. "Para trabalhar a sustentabilidade é preciso se organizar. O ideal é quantificar o consumo de papel, copos plásticos, energia e água para que as estratégias possam ser traçadas", orienta Elisabeth. Foi a partir desse estudo que a USP decidiu reduzir os eventos esportivos, que geravam consumo de energia e resíduos acima da média.

Avalie se sua universidade é sustentável
 
A ULSF (University Leaders for a Sustainable Future), dos Estados Unidos, elaborou um questionário que mensura o envolvimento de instituições de Ensino Superior com a sustentabilidade. O SAQ (Questionário de Avaliação Sustentável) avalia sete itens: currículo; pesquisa e bolsas de estudo; operação; desenvolvimento de corpo docente; serviço; oportunidades para estudantes; e administração, missão e planejamento. Identifique o grau de sustentabilidade de sua universidade:

1 - Em quais cursos a sustentabilidade é abordada?

2 - Dê exemplos sobre pesquisas de sustentabilidade que estão sendo feitas dentro do campus.

3 - O que você vê enquanto anda pelo campus que mostra que sua universidade é sustentável?

4 - De que maneira os critérios de contratação e promoção do corpo docente contribuem com a responsabilidade sustentável dentro da instituição?

5 - Quais tipos de programas sociais relacionados à sustentabilidade a universidade promove?

6 - Como a instituição encoraja estudantes a considerar a sustentabilidade na sua carreira profissional?

7 - Qual a preocupação e o comprometimento da sua instituição com palestras sobre o tema e o Dia do Meio Ambiente? Descreva o que é feito.

Comentários de Antonio Macêdo Filho:

Tenho conhecimento de diferentes iniciativas, em muitas universidades. Ainda que isoladas, são bons exemplos. Sou diretamente responsável por uma delas: o curso de Arquitetura e Urbanismo da UniCid, primeiro curso de graduação do país a ter ênfase em sustentabilidade na construção.
Escrevi um post a respeito: http://amacedofilho.blogspot.com/2010/06/sustentabilidade-chega-graduacao-de.html

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A vila dos contêineres

A Holanda é um país de vanguarda, em muitas áreas. Os avanços sociais e o desenvolvimento econômico são notáveis.

Estive em Amsterdã recentemente (março 2010) e pude perceber também uma rica e, em alguns casos, inusitada arquitetura, o que comentarei em um próximo post.


Foto: Edifício residencial de conteiners em Amsterdã, por Antonio Macêdo

Intimamente relacionada à agua (o país tem boa parte do território abaixo do nível do mar), a Holanda tem importantes portos. Reutilizar conteiners para fazer edifícios se tornou uma opção viável. É uma idéia interessante.

Conheci alguns destes edifícios em Amsterdã. Reproduzo a seguir matéria a respeito de um residencial construído com conteiners, publicada em Superinteressante. Também acho, de fato.


Foto: Edifício residencial de conteiners em Amsterdã, por Antonio Macêdo













Foto: Escola infantil feita com conteiners em Amsterdã, por Antonio Macêdo








A vila dos contêineres



Texto de Caroline D’Essen, para Revista Superinteressante – 05/2010
Estudantes de Amsterdã se mudam para apartamentos de lata

Em 1937, o americano Malcom McLean inventou grandes caixas de aço para armazenar e transportar fardos de algodão:os contêineres, hoje essenciais para o comércio na economia globalizada. Mas você aceitaria viver dentro de um? Na cidade de Amsterdã, capital da Holanda, fica a maior vila de contêineres do mundo:com aproximadamente 1 000 apartamentos de metal.
Ela fica a 4 quilômetros do centro e foi construída para atender à demanda por alojamentos estudantis na cidade. Os contêineres foram comprados na China, onde passaram por uma reforma e ganharam os equipamentos básicos de um apartamento, como pia, banheiro, aquecedor e isolamento acústico. Eles foram levados de navio para a Holanda e empilhados com guindastes para formar um prédio de 5 andares, que foi inaugurado em 2006 e hoje abriga cerca de 1 000 estudantes.

Os contêineres são pequenos, e o prédio não tem elevador (é preciso subir de escada). Mas, como o aluguel custa 320 euros por mês, barato para os padrões de Amsterdã, ninguém reclama. “No começo fiquei apreensivo, mas hoje acho bem eficiente”, diz o estudante alemão Torsten Müller, que vive lá há 6 meses. O sucesso foi tão grande que a empresa responsável pelo projeto já construiu outra vila num subúrbio de Amsterdã – e também está erguendo um hotel na cidade de Yenagoa, na Nigéria, para turistas que quiserem ter a experiência de dormir num contêiner. Mas com acomodações de luxo – lata por fora, quatro-estrelas por dentro.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Casa popular econômica e sustentável

Por Cristiane Teixeira. Publicado originalmente em "Minha Casa", julho 2010

Assim é esta casa popular que reúne soluções construtivas bem-vindas em qualquer obra, como o uso de madeira certificada e de ventilação e iluminação naturais fartas

A indústria e a universidade se juntaram para colocar de pé o projeto piloto de uma moradia popular que prima pela planta bem distribuída (veja o quadro abaixo), pelo uso de materiais amigos do meio ambiente e pelo conforto térmico obtido com recursos tão simples quanto a ventilação natural.

O segredo do sucesso começa pelo sistema construtivo, a alvenaria estrutural com blocos de concreto, que dispensa vigas e economiza nos acabamentos. Para quem se anima a investir em sustentabilidade, é possível ter banho aquecido por energia solar e aproveitamento da água da chuva, entre outras soluções que você vê nas próximas páginas.

Planejada para Crescer

Ela nasceu dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fruto de um projeto desenvolvido pelos professores Oswaldo Luiz de Souza e Alice de Barros Horizonte Brasileira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Aprimorada em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland e com a empresa cimenteira Holcim, a proposta resultou na morada que reúne sala, dois quartos, banheiro, cozinha e lavanderia coberta em uma planta básica de 46 m².

Para que o projeto piloto saia do papel e ganhe os canteiros de obra, é preciso envolver os comerciantes do setor de construção: a ideia é que em revendas parceiras do programa os interessados adquiram o projeto e os materiais e contratem a mão de obra.

A indústria e a universidade se juntaram para colocar de pé o projeto piloto de uma moradia popular que prima pela planta bem distribuída (veja o quadro abaixo), pelo uso de materiais amigos do meio ambiente e pelo conforto térmico obtido com recursos tão simples quanto a ventilação natural.

O segredo do sucesso começa pelo sistema construtivo, a alvenaria estrutural com blocos de concreto, que dispensa vigas e economiza nos acabamentos. Para quem se anima a investir em sustentabilidade, é possível ter banho aquecido por energia solar e aproveitamento da água da chuva, entre outras soluções que você vê nas próximas páginas.

A planta básica pode anexar facilmente a construção de uma suíte com closet: basta substituir a janela por uma porta para conectar os módulos, que assim somam 64 m2.

Ela nasceu dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fruto de um projeto desenvolvido pelos professores Oswaldo Luiz de Souza e Alice de Barros Horizonte Brasileira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Aprimorada em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland e com a empresa cimenteira Holcim, a proposta resultou na morada que reúne sala, dois quartos, banheiro, cozinha e lavanderia coberta em uma planta básica de 46 m².

Para que o projeto piloto saia do papel e ganhe os canteiros de obra, é preciso envolver os comerciantes do setor de construção: a ideia é que em revendas parceiras do programa os interessados adquiram o projeto e os materiais e contratem a mão de obra.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A cidade ideal

Caros,

Mesmo não concordando em 100 % com o colega professor, considero o estudo interessante, e por isto reproduzo a seguir:

Texto de Rafael Tonon, para Revista Vida Simples – 06/2010
Nova York? Londres? São Paulo? Cabe a você escolher qual é a sua cidade

Existe uma decisão na sua vida que é mais importante que escolher a profissão que você vai seguir, a pessoa com quem quer passar os próximos anos da sua vida ou os amigos que quer ter por perto. Ela consiste em determinar em que cidade você deve viver. Segundo Richard Florida, professor de Administração e Criatividade na Escola de Administração Rotman, da Universidade de Toronto, essa é a questão principal que deve nortear nossas escolhas. Ele argumenta: o lugar em que moramos é crucial para todos os aspectos da nossa vida. Afinal, você vai estabelecer sua carreira e constituir sua família onde decidir habitar.

Por mais conectados que estejamos hoje no mundo moderno, é nas relações diárias que vamos criar nossos laços de afeto e nossas redes profissionais. O planeta é enorme, mas - como nos provam as coincidências - o mundo é mesmo muito pequeno. Florida fez um estudo completo sobre as melhores cidades para se viver nos EUA e no Canadá (ele vive em Toronto). Compilou o resultado e os rankings no livro Who’s Your City (sem previsão para chegar ao Brasil), que é best-seller nos dois países. Ele, que é um dos maiores nomes em tendências demográficas e inovação cultural, promete ampliar as pesquisas para outros lugares. Enquanto não faz isso, ensina como você pode encontrar sua cidade ideal.

Foto: Maquete de Londres, New London Architecture Center. Por Antonio Macêdo.

Por que a escolha do lugar em que vivemos se tornou uma questão tão crucial?

Eu defendo que o lugar que escolhemos para morar é a decisão pessoal mais importante que tomamos, porque ela tem um impacto profundo em nossa trajetória profissional, nossas redes sociais, família e estilo de vida e - sobretudo nos dias de hoje - na forma como conquistamos nossa própria felicidade. E não me refiro a um lugar como sendo necessariamente uma grande cidade, como a maioria pensa. Para alguns, esse ambiente pode ser uma pequena cidade rural ou um município médio - onde, em alguns casos, é possível aliar o sossego do interior com as vantagens de uma cidade. Isso depende muito de cada pessoa.

Hoje o mundo está todo conectado. Isso significa que o lugar em que estamos não tem mais tanta relevância?

Apesar dos benefícios das tecnologias, nada substitui a presença física. Isso porque a colaboração e a interação são elementos necessários à criatividade e à inovação. Acho que precisamos dar mais valor à importância das relações e das redes sociais que temos por perto. Profissionais criativos, por exemplo, precisam estar literalmente rodeados de pessoas inovadoras e com conhecimento para poder progredir. As novas tecnologias podem, sim, melhorar nossas conexões com o mundo, mas não suprir uma presença.

Temos a ideia de que só grandes economias abrigam oportunidades. Por que esse ponto de vista é equivocado?

Na verdade, existe um lado correto nessa forma de encarar a questão. A maior atividade econômica está, na maioria das vezes, concentrada em grandes regiões, que possuem novas e poderosas unidades de negócio. Essas grandes regiões recebem atividades econômicas e de negócios em grande escala. No mundo todo, mapeamos 40 megarregiões importantes, onde vive um quinto da população mundial e que abrigam um terço da economia global. Mas é claro que isso significa que essas regiões são muito mais competitivas - o que indica que em médias cidades pode haver ótimas oportunidades de trabalho, mesmo que não com o mesmo padrão salarial.

Quais características pessoais devemos levar em conta para escolher o lugar em que devemos viver?

Primeiro, é preciso entender que as qualidades dos lugares não são iguais para todos. Alguns preferem uma pequena comunidade com uma cena artística local e vibrante, enquanto outros querem viver em uma enorme metrópole repleta de manifestações culturais. Eu espero que as pessoas entendam que a escolha do lugar certo para elas depende de perceber suas próprias características e anseios. Nós todos escolhemos os lugares nos quais queremos montar nosso lar a partir de uma perspectiva muito pessoal e particular, baseada em atributos e qualidades que são importantes para nossas vidas.

Como encontrar, então, o lugar ideal que atenda nossas expectativas?

Temos que lembrar que, quando se trata da escolha de um lugar para morar, assim como todas as decisões da vida, nós não podemos ter tudo. Sempre há concessões. Muitas das pessoas que se mudam por causa de suas carreiras precisam abrir mão de estar sempre próximas da família e de amigos. Aqueles que escolhem ficar próximos da família podem ter de abrir mão de oportunidades economicamente mais atrativas. Antes de tudo, é preciso determinar o que é mais importante para você e para o estilo de vida que você almeja.

Quando fazemos a escolha de onde viver, é necessário levar em conta oito passos:

1. Conheça bem suas prioridades: determine o que é imprescindível para você.

2. Compare: faça uma relação entre a cidade em que vive e a em que gostaria de morar, enumerando suas necessidades e vontades.

3. Faça sua lição de casa: pesquise tudo sobre o lugar - como é o mercado de trabalho, como vivem as pessoas que moram lá...

4. Pondere: esse lugar pode oferecer a você uma boa qualidade de vida? Tem um sistema de transporte público eficiente? Tente tirar o maior número de vantagens dele.

5. Confira o básico: esse lugar tem saúde básica e segurança, boa estrutura educacional e urbana?

6. Cheque os valores: o custo para viver nessa cidade está de acordo com seu orçamento?

7. Faça um balanço: há aspectos conflitantes no que você elencou em sua lista? Por exemplo: a cidade quase não tem trânsito, mas em compensação possui um péssimo sistema de saúde.

8. Visite os lugares e conheça in loco as ruas e as pessoas de lá.

Com esses pontos traçados, é difícil errar na hora de decidir.

Para saber mais : Who’s Your City, Richard Florida, Basic Books (edição americana)

Como construir uma casa de carbono zero

A casa verde ideal já possível, diz livro

Foto: Northwest Property Imaging


Os autores de Green from the Ground Up, David Johnston and Scott Gibson, lançaram um novo livro chamado Toward a Zero Energy Home: A Complete Guide to Energy Self-Sufficiency at Home (Em Direção à Casa de Energia Zero: Um Guia Completo para a Auto-Suficiência de Energia no Lar). O livro ensina a construir casas saudáveis, verdes e eficientes energeticamente. A casa de energia zero é tipicamente definida como aquela que produz tanta energia quanto consome por ano, e fica cada vez mais fácil de ser construída com o surgimento de novos equipamentos.

Os autores explicam que não há um caminho exclusivo para tal casa. "Construir casas que são auto-suficientes em energia está completamente dentro de nossas capacidades - não num ponto distante no tempo, mas já", dizem eles. Para chegar lá, deve-se ser muito atento a técnicas de construção, design solar passivo, energia renovável, design de ventilação, aquecimento e ar condicionado apropriado e um estilo de vida de energia zero.

Johnston and Gibson fornecem 12 estudos de caso com diversas estratégias. Alguns exemplos são focados no custo baixo, e outros não medem recursos. Uma boa leitura para arquitetos, construtores ou para quem deseja construir no presente sua casa do futuro, diz o Jetson Green.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Casa sustentável da Universidade Técnica da Virgínia vence Solar Decathlon Europe 2010

Por Ana Paula Rocha, para PINIweb.com.br

Conhecida como Lumenhaus, residência de 75 m² possui sistema de paredes deslizantes que criam sensação de ampliação do ambiente, além de interação entre o interior e exterior do projeto

A equipe da Universidade Técnica da Virgínia (Virginia Polytechnic Institute & State University) venceu o Solar Decathlon Europe 2010, competição de casas sustentáveis realizada entre os dias 18 e 27 de junho, em Madri, na Espanha. Ao todo, 17 equipes participaram do concurso.

A casa de 75 m², conhecida como Lumenhaus, foi inspirada nos projetos do arquiteto Mies Van Der Rohe e possui paredes deslizantes nas fachadas norte e sul. Chamado pela equipe de Virgínia como "Eclipsis System", o sistema é composto por duas camadas deslizantes independentes. Uma é um painel de isolamento térmico, que nada mais é do que um painel translúcido de policarbonato enchido com aerogel para proteger o interior da residência das condições meteorológicas. Já a outra camada é formada por uma 'veneziana quebra-luz' composta por um painel de aço inoxidável, flexível para a criação de pequenas abas sob medidas diferentes. A perfuração e os ângulos em que os círculos são dobrados para trás são especificados de acordo com as exigências do local e dos projetos interiores para a iluminação e privacidade dos ambientes.

"A casa interior e o exterior moderam uma transição sem emenda quando o sistema de Eclipsis está aberto, entregando uma transparência rica do espaço. Quando o clima está bom, as telas podem ser abertas, criando uma conexão física e psicológica com o ar livre. Os dobros do espaço no tamanho e as paredes do norte e sul tornam-se inexistentes, fazendo os quartos ilimitados", disseram os profissionais da equipe.

Circulos de aço na fachada moderam entrada de luz na residência

Além desse sistema, a casa também é totalmente mantida por energia solar, colhida por meio de painéis fotovoltaicos bifaciais, tipo de sistema que, segundo a equipe da universidade, pode aumentar a potência da energia captada em até 15%. O ângulo dos painéis pode ser ajustado segundo a época do ano, variando sua inclinação de zero a 17 graus. Outras características da casa incluem revestimento com materiais reciclados e a favor do meio ambiente, um sistema de aquecimento do assoalho e a possibilidade do proprietário controlar o microclima da residência com um smartphone.

A casa modular é projetada para ser extremamente flexível, adaptando-se às necessidades do proprietário. As unidades múltiplas podem ser conectadas ou empilhadas para criar dois, três ou quatro ambientes novos.

A Lumenhaus obteve 811,83 pontos na classificação final do Solar Decathlon Europe 2010. Todos os projetos participantes foram avaliados quanto à arquitetura, engenharia e construção, sistemas solares e de água quente, condições de bem-estar, equipamento e funcionamento, comunicação e sensibilização social, industrialização e viabilidade de mercado, inovação e sustentabilidade. Conheça os projetos divulgados pela coordenação da competição:

1º lugar

Projeto: Lumenhaus

Equipe: Virginia Polytechnic Institute & State University
País: Estados Unidos
Pontos: 811,83
2º lugar

Projeto: Ikaros Bavária
Equipe: University of Applied Sciences Rosenheim
País: Alemanha
Pontos: 810,96
3º lugar

Projeto: Stuttgart Team
Equipe: Stuttgart University of Applied Sciences
País: Alemanha
Pontos: 807,49

4º lugar

Projeto: Armadillo Box
Equipe: Ecole Nationale Supérieure d'architecture de Grenoble
País: França
Pontos: 793,84
5º lugar

Projeto: LUUKKU
Equipe: Helsinki University of Technology
País: Finlândia
Pontos: 777,01

6º lugar

Projeto: Team Wuppertal
Equipe: Bergische Universität Wuppertal
País: Alemanha
Pontos: 772,72


7º lugar

Projeto: Napevomo House
Equipe: Arts et Métiers Paris Tech
País: França
Pontos: 762,67

8º lugar

Projeto: RE:Focus
Equipe: University of Florida
País: Estados Unidos
Pontos: 743,22
9º lugar

Projeto: SML House
Equipe: Universidad CEU Cardenal Herrera
País: Espanha
Pontos: 736,55

10º lugar

Projeto: Living Equia
Equipe: Fachhochschule fur Technik und Wirtschaft Berlin
País: Alemanha
Pontos: 728,85

11º lugar

Projeto: Bamboo House
Equipe: Tongji
País: China
Pontos: 682,84

12º lugar

Projeto: Solarkit
Equipe: Universidad de Sevilla
País: Espanha
Pontos: 677,82


13º lugar

Projeto: Low³
Equipe: Universidad Politécnica de Cataluña
País: Espanha
Pontos: 667,58

14º lugar

Projeto: La Envolvente Del Urcomante
Equipe: Universidad de Valladolid
País: Espanha
Pontos: 650,98
15º lugar

Projeto: Nottingham House
Equipe: University of Nottingham
País: Inglaterra
Pontos: 643,18



16º lugar

Projeto: Sunflower
Equipe: Tianjin University
País: China
Pontos: 584,79

17º lugar

Projeto: Fablabhouse
Equipe: Instituto de Arquitectura Avanzada de Cataluña
País: Espanha
Pontos: 582,81

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O processo da sustentabilidade na construção é irreversível - Entrevista a Antonio Macêdo Filho

Publicado por Obras24Horas
(http://www.obra24horas.com.br/entrevistas/index.cfm?fuseaction=dsp_entrevistas_exibir&id_entrevista=%22%26PP%20%0A)

A partir do momento em que o tema aquecimento global e preservação do meio ambiente toma manchetes do mundo inteiro, a sustentabilidade torna-se peça-chave, despertando o interesse de todos os setores de produção, atingindo em cheio o setor da construção civil, considerado um dos grandes vilões do meio ambiente. E não é à toa, portanto, que edificações que geram a própria energia e aproveitam a água da chuva são cada vez mais cobiçadas por grandes empresas no mundo todo, tornando-se importantes projetos arquitetônicos. De acordo com o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado no site da Procel, o uso mais eficiente de concreto, metais e madeira na construção e um menor consumo de energia em aparelhos de ar condicionado e iluminação poderiam economizar bilhões de dólares em um setor responsável por quase 40% do consumo mundial de energia. Destaca, ainda, que o setor da construção civil em todo o mundo poderia promover a redução da emissão de 1,8 bilhão de toneladas de dióxido de carbono.

O arquiteto Antonio Macêdo Filho, mestre em Arquitetura Bioclimática e Edifícios Sustentáveis pela Universidad Politécnica de Madrid, e também coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo Sustentável da Universidade Cidade de São Paulo (UniCid), ressalta que a sustentabilidade é sinônimo de conforto e que seu processo na construção civil é irreversível. Macêdo, que foi o fundador da Câmara de Arquitetos e Consultores, conversou com o Portal Obra24horas sobre sustentabilidade, ecobuilding e também sobre seus novos projetos, como a criação do Portal Eco Building (WWW.ecobuilding.com.br) . Confira a nossa entrevista.

Portal Obra24horas: Há alguns meses você criou na internet uma ferramenta chamada Eco Building, que reúne, além de notícias e artigos sobre sustentabilidade, uma programação de cursos e workshops espalhados pelo Brasil e exterior. Como surgiu a ideia de criar o Eco Building e qual o seu objetivo?

Antonio Macêdo Filho: Em 1999, quando fundei a Câmara de Arquitetos e Consultores na cidade de São Paulo, a proposta inicial do trabalho era falar justamente sobre sustentabilidade e eficiência energética nas edificações, área na qual sempre atuei. Mas, naquela época, para se falar de sustentabilidade era preciso falar também de outras áreas. Foi preciso abrir o leque, oferecer uma infinidade de cursos derivados para cursos específicos. Com isso, a educação continuada cresceu demais e perdeu o foco. Foi pensando nisso, em voltar à formação direcionada, que criamos o Eco Building, cuja principal função é apresentar informações atualizadas, úteis e interessantes sobre sustentabilidade na construção civil.

A atualização e formação específica em Arquitetura e Construção Sustentável é, naturalmente, uma necessidade do mercado. Costumo dizer que é retorno à verdadeira arquitetura. Aquela que se perdeu ao longo dos tempos com o advento das novas tecnologias.

No Eco Building, o público profissional encontra a mais ampla gama de cursos e treinamentos especializados do Brasil, voltados à formação de profissionais habilitados em lidar com planejamento, projetos, obras, certificações ambientais e todos os demais aspectos da construção sustentável.

Portal Obra24horas: Todos os anos você acompanha diversas Missões Técnicas para os mais importantes eventos de construção sustentável no mundo, incluindo visitas técnicas, orientações e acompanhamento de especialistas no assunto. Quais as diferenças da arquitetura praticada lá fora para a nossa?

Antonio Macêdo Filho: A arquitetura não tem cara. Ela tem que ser múltipla. É claro que na Europa a arquitetura sustentável é mais antiga. Há regulamentos que cuidam disso há mais de 30 anos. O continente foi o que mais sofreu com a recessão na segunda guerra mundial, tendo que lidar com racionamento de tudo durante muito tempo. Portanto, estão mais evoluídos nesse parâmetro. A sustentabilidade já faz parte do dia-a-dia da construção civil. Nós, assim como os Estados Unidos e boa parte do mundo, estamos apenas iniciando nesse processo.

Portal Obra24horas: Como a arquitetura brasileira é vista lá fora?

Antonio Macêdo Filho: Existe aí duas vertentes. A arquitetura moderna, a qual pertence Oscar Niemeyer, cujas obras são reconhecidas, valorizadas e tidas como verdadeiras obras de arte e esculturas urbanas espalhadas pelo mundo todo. Mas há também a arquitetura contemporânea de Ruy Ohtake e tantos outros profissionais espalhados pelo Brasil, cuja arquitetura criativa, alegre e livre – por não pertencer a nenhuma linha dogmática – chama a atenção do mundo com seu jeito leve e festivo

Portal Obra24horas: Você acredita no futuro da arquitetura sustentável como sendo apenas “arquitetura”, sem que haja selos e etiquetas que atestem a sustentabilidade do empreendimento?

Antonio Macêdo Filho: Essa é uma tendência natural do futuro da arquitetura. Mas é preciso reconhecer também a importância dos selos que atestam a sustentabilidade do projeto construtivo neste momento. E claro que nesse caminho em que a sustentabilidade é super valorizada, há de aparecer sempre alguém querendo tirar proveito da situação, dizendo-se sustentável, mas que não preenche todos os quesitos que lhe garanta o selo. E até aí tudo bem, porque na tentativa de parecer verde todo esforço é bem-vindo. Portanto, aquilo que não faz mal, pode fazer bem. O que não se pode fazer é propaganda enganosa. Isso sim é crime, e dos graves.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Masdar Initiative - Worlds First 100% Carbon Free Community

Caros,

Em março deste ano, tive a oportunidade (e o privilégio) de visitar, juntamente com os colegas que nos acompanharam na Missão Técnica EcoBuild 2010, em Londres, o escritório inglês Norman Foster & Partners.

Durante a visita, nos foi apresentada, por um dos arquiteto envolvido no projeto, a Masdar City, cidade sustentável, em construção em Abu Dahbi, Emirados Árabes Unidos. É um projeto impressionante em todos os sentidos.

É uma cidade projetada em 640 hectares para abrigar 45.000 habitantes e produzir toda a energia que consumirá, de forma renovável, sem produzir qualquer resíduo, e totalmente neutra em emissões de carbono. É uma meta bastante ambiciosa, especialmente em se tratando de um país que é um dos líderes em produção de petróleo no mundo.
O projeto prevê alta densidade urbana. As ruas são estreitas, como é natural na arquitetura local, que precisa se proteger do sol, e serão acessíveis apenas por pedestres e veículos leves sobre trilhos, elétricos e públicos. Não haverá carros em Masdar.
A própria orientação da implantação da cidade prevê a ventilação natural nas principais vias e a livre circulação de pedestres nas vias secundárias, sombreadas pelas edificações, que terão alta inércia térmica em suas paredes, pré-fabricadas, para favorecer o conforto e a economia de energia com climatização.

O colega da equipe de projetos do Forster & Partners deixou claro, de forma resumida: "é um grande experimento, uma aventura, e um desafio". Como os antigos navegadores ibéricos, que se lançaram sobre mares nunca d´antes navegados, com coragem se arriscam a ir onde não haviam ido, e esperam criar novos caminhos para o futuro.

Reproduzo a seguir um video rápido para uma introdução a Masdar City. Em dado momento, o texto do video argumenta: "Um dia, todas as cidades serão assim".
Eu acho que não. Acho que, no futuro, teremos diferentes modelos e soluções que, como esta, ambiciosa e pioneira, trarão respostas para muitas questões e também criarão novas questões.
O que vejo é a continuidade do ciclo evolutivo, que assim, como em um processo Darwiniano, se perpertua e reproduz os mais bem sucedidos.

Boa sorte a Masdar e seus futuros habitantes.
(Espero conhecê-la para comentar aqui, com mais propriedade, em oportunidade futura).

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Megacidades - São Paulo, Carlos Leite para o Fantástico (Globo)

Recomendo a seguir video que foi exibido no Fantástico do domingo 20/06, com entrevista ao colega prof. Carlos Leite, a respeito dos problemas da Metrópole São Paulo.

Carlos Leite ministrará na EcoBuilding, o curso "Planejamento Integrado e Cidades Sustentáveis/Inteligentes (Smart Cities)", com inscrições já abertas. Mais informações em: http://www.ecobuilding.com.br/.

Em dez anos, os edifícios produzirão mais energia do que consomen

Caros,

Em 1996, fiz o Master en Tecnologías Avanzadas en Construcción Arquitetónica, na Escuela Técnica Superior de Arquitectura da Universidad Politécnica de Madrid. Para o título de Master, era necessário a conclusão de dois cursos de especialização, Edifícios Inteligentes e Arquitectura Bioclimática.

Minha motivação inicial era o primeiro curso. Mas um professor, o coordenador do outro curso, me fez perceber que, para se fazer um edifício inteligente, é necessário, na verdade, uma arquitetura inteligente, e é disto que se tratava a Arquitetura Bioclimática. Exigente, extremamente técnico e preciso, o professor Javier Neila González é um dos responsáveis por eu ter seguido este caminho em minha carreira profissional e acadêmica.

Hoje, dirijo o primeiro curso de graduação em arquitetura do Brasil a ter ênfase em sustentabilidade das construções e ministro cursos abertos em todo o Brasil, buscando trazer para a formação de nossos arquitetos um pouco do que aprendi, neste caminho que comecei trilhar a partir das aulas do prof. Javier.

Reproduzo a seguir entrevista publicada esta semana em um jornal da Galícia, na Espanha, com o professor Javier Neila González.

Para el maestro, con cariño. Gracías, professor.Antonio Macêdo Filho

"En diez años los edificios producirán más energía de la que consuman"
Francisco Javier Neila González - Arquitecto, catedrático de la Politécnica de Madrid


El experto inauguró ayer en Pontevedra un curso sobre construcción de ecoviviendas

Francisco Javier Neila (Madrid, 1953) es arquitecto y catedrático de Construcción y Tecnología Arquitectónica de la Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid. Autor de más de veinte publicaciones sobre arquitectura bioclimática, es responsable de varios proyectos pioneros en España y ha registrado varias patentes de ecoconstrucción.

Por Susana Regueira, Pontevedra (Galícia, Espanha)
Un centenar de alumnos, en su mayoría arquitectos, participa desde ayer en el monográfico sobre construcción de ecoviviendas que celebra en Pontevedra el proyecto Ecoinnova Construcción, financiado por el Fondo Social Europeo. Francisco Javier Neila, uno de los principales especialistas españoles en bioconstrucción y uno de los investigadores que desarrolló, por ejemplo, la primera cubierta ecológica del pais, fue el encargado de inaugurar el curso y hablar de tecnologías ambientales e innovaciones que permiten ahorrar al menos un 20% de la energía que empleamos en nuestras casas a diario.

– Ecoviviendas, viviendas bioclimáticas, sostenibles... ¿Aluden esos conceptos a alguna construcción en concreto o son en realidad términos difusos?

– Tienen bastante de término difuso, son términos en los que se vincula a la vivienda con conceptos como ecológico, bioclimático, sostenible etc. pero en realidad todos tienen a una misma base. Esta mañana (por ayer) empecé el curso hablando de esto, de que da igual el término porque lo que interesa es el tema del medio ambiente, de los recursos, de los materiales..., hablar de ecovivienda o de otro término en ese sentido no es importante pero sí lo es el modo en que ese concepto llega a la gente: si le llega más la idea de ecovivienda pues perfecto. En general se busca que relacione esa idea con una vivienda respetuosa con la naturaleza, con los equilibrios ecológicos etc.

– Edificios bien orientados, que ahorren materiales y energía, no supongan un desperdicio de recursos. Da la sensación de que en este tema casi todo lo ha inventado y sólo queda recurrir al sentido común.

– Pues sí, de hecho es algo que también comento: todo está inventado y lo único que hay que hacer es recuperar esas ideas que estaban ya en la arquitectura popular, en las tradiciones y que nos lleva a utilizar las cosas con más sentido común y lógica, a usar los materiales más adecuados (cercanos, que no se agotan, que no tienen contaminantes, no afectan a la salud de las personas). Es, efectivamente, una vuelta al sentido común pero tampoco nos podemos quedar sólo ahí o estaríamos atrasados con respecto a lo que la ciudadanía nos está demandando. Ella demanda un tipo de producto que se adapta a nuevas exigencias, que es mucho más riguroso y complejo. Sobre esa base tienen que aparecer nuevos materiales, nuevas tecnologías, nuevos conceptos y soluciones.

– ¿Hablamos de una construcción ya implantada o que lo hará a medio plazo?

– Ya está implantada pero no extendida, conocimientos técnicos y soluciones tenemos, lo que no está es extendida. No es algo con lo que estemos experimentando sino algo ya desarrollado, es más, ahora mismo todos, todos los edificios podrían ser absolutamente sostenibles.

– ¿Por qué no se lleva a la práctica?

– Por factores como que no es algo que la sociedad esté demandando de una forma genérica porque a lo mejor le supone un cierto sobrecoste inicial, porque el constructor no está acostumbrado a esa forma de trabajar y es muy reticente a los cambios de modelos. Todo ese tipo de factores hace que no se extienda pero el conocimiento y la aplicación existen.

– ¿Cuánto puede ahorrar una familia si se decanta por este tipo de construcción?

– Depende, podría decirle que el porcentaje podría ser del 100%. De hecho dentro de muy poco (en toda Europa será a partir de 2020) todos los edificios que se hagan tendrán que ser de energía cero, por lo tanto el ahorro debe de ser del 100%, en diez años los edificios producirán más energía de la que consuman. Eso va a ser dentro de nada, una década no es nada, pero hoy en día la capacidad de ahorro puede ser del 10%, 20% o 30% sólo si mejoramos las orientaciones, incidimos más en el aislamiento etc. A nada que hagamos un poquito más y lo hagamos un poquito mejor la mejora puede ser enorme, pero de entrada le diría que un edificio bioclimático nunca debería bajar de un 50% de rendimiento.

—En sus investigaciones y estudios está muy presente el concepto de “rurbano”, ¿a qué alude?

—Es una combinación entre lo rural y lo urbano, una especie de mezcla entre ambos entornos, el natural y lo construido, donde está la ciudad, porque pienso que tienen que combinarse y me gusta hablar de “renaturación”, de volver a meter la naturaleza en la ciudad poco a poco a través de las cubiertas, las fachadas, la propia trama urbana, la red de parques etc.
–¿A Pontevedra le queda en ese sentido mucho por avanzar?
– (Risas) Si, igual que hay que avanzar mucho en Vigo, en Madrid y en todas partes, ninguna ciudad podemos considerar que tiene un nivel de ventaja... En ciudades de tamaño medio como Pontevedra es más fácil crear ese tipo de estructura más favorable pero eso exige ya una fuerte impronta del poder político, tienen que estar ayuntamientos, diputaciones o comunidades que tengan vocación e interés porque hay que invertir dinero, convencer de que es posible, implicar a la financiación privada etc. En general nos queda mucho.

– Ha desarrollado tejados-jardín, ¿cómo son esas cubiertas pioneras?

– La naturaleza se incorpora en el punto más sencillo que son las cubiertas, que podrían ser todas vegetales, en las ciudades podríamos tener la naturaleza en las cubiertas dado que la presión del tráfico impide que la tengamos en las calles. Son cubiertas sin mantenimiento, hay vegetación pero no hay que cuidarla ni regarla o reponerla, ya que se elige la planta y el sistema constructivo adecuado. Se recoge el agua que se devuelve a las plantas para el riego y ahora mismo lo que intentamos es abaratar su precio, que baje radicalmente para que se pueda extender el uso y no sea algo sólo para edificios emblemáticos. Y además queremos que sea un sistema que venga completamente prevegetado, lo que evitaría esperar a que crezcan las plantas. Lo que buscamos es que desde el primer día que se use la cubierta ya esté vegetada y lista para usar, esa es la mayor innovación que estamos incorporando en cubiertas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Freedom Tower - One World Trade Center

Adaptado a partir de artigo publicado originalmente em http://www.newyork.construction.com/, entitulado: "One World Trade Center Rises to 260 Feet Above Street Level", de 23 de junho de 2010.

Photo courtesy of the Port Authority of New York and New Jersey

Neste mês de junho de 2010, por conta da III Missão Técnica Green Buildings em Nova York, que tive a satisfação de mais uma vez acompanhar, visitamos outra vez o 7 WTC, primeiro dos novos edifícios do complexo a ficar pronto. Com acompanhamento de um arquiteto da equipe responsável pelo projeto, do escritório SOM, pudemos, de posição privilegiada, do 50o andar do 7 WTC, ver as obras do Ground Zero, onde se destacam a Freedom Tower e as obras do 9/11 Memorial (foto).


(Foto do autor)



As obras das estruturas do One World Trade Center, ou "Freedom Tower", atingem agora a altura de 80 m. acima do nível da rua. Após a sua conclusão em 2013, ele se tornará o edifício mais alto nos Estados Unidos, com 104 andares e mais de 420 metros de altura (equivalente à altura do Pão de Açucar, no Rio), sem contar a torre de comunicações que terá em seu topo. Será então um dos maiores green buildings do mundo.

(Foto do autor)

O One World Trade Center vai incorporar elementos de design visando atender aos requisitos da certificação LEED Ouro, com um nível de eficiência energética 20% maior do que os códigos da cidade atualmente recomendam. A torre comportará espaços para escritórios que variam de 2.800 m² para 4.300 m² por planta, bem como uma plataforma de observação de dois pisos, nas exatas alturas das antigas torres 1 e 2, que será aberta ao público em geral, um restaurante e uma torre de comunicações para diversos serviços, já comercilizados para diversas redes de comunicação. O edifício terá 270.000 m² de área construída total, incluindo quatro andares abaixo do nível da rua para os reservatórios de água, armazenamento de combustível, instalações eletro-mecânicas, estacionamento, lojas e o saguão de elevadores para a plataforma de observação.

(Maquete eletrônica do 1 WTC. Á direita, o 7WTC)

O One World Trade Center irá definir um novo padrão internacional para o estado da arte em edifícios de escritórios", disse Christopher O. Ward, diretor-executivo da Autoridade Portuária de NY e NJ, proprietários da torre. "Ela incorpora os mais elevados padrões ambientais e de segurança e fornece um ambiente de classe mundial com uma extensa rede de transportes, comércio e serviços de alta qualidade.

Saiba mais sobre esta e programação de outras missões técnicas em: http://www.arqtours.com.br/.

(Veja também: IV Missão Técnica Green Buildings em Nova York 2011 - 01 a 11 de julho de 2011. Mais informações em: http://www.arqtours.com.br/nova_york2011/)


Veja video que fiz (com câmera fotográfica), durante visita ao 7 WTC em 2008:

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Extensão sustentável para Boston

Arquiteto projeta cidade ecológica anexa a Boston. O local poderá abrigar até 15 mil pessoas, em uma estrutura completa, com residências, hotéis e escritórios
Publicado em Casa e Jardim Online

Arcology. A expressão, que mistura architecture (arquitetura) e ecology (ecologia), tem sido usada para rotular projetos sustentáveis. O Boston Arcology, apelidado de BoA, idealizado pelo arquiteto norte-americano Kevin Schopfer, é um exemplo desse tipo de construção. A proposta é levantar um grande edifício, que funcionaria como uma cidade anexa a Boston. A diferença é que essa nova parte seria totalmente “verde”, com certificados LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que classificam empreendimentos amigos do planeta, geradores de menor impacto ambiental.

Projetado para expandir Boston, sem prejudicar a parte já existente, o BoA ficaria em uma plataforma flutuante, feita de células de concreto. O prédio, com capacidade para abrigar cerca de 15 mil pessoas, terá residências, escritórios, hotéis, espaços comerciais e museus, distribuídos entre 30 andares. Esteiras e elevadores incentivarão o transporte pedestre. Em todos os pisos, jardins públicos ajudarão no escoamento da água e na manutenção da temperatura interna, além de favorecer o convívio social. Além disso, as grandes janelas e aberturas permitirão o aproveitamento de luz e ventilação naturais. O edifício também contará com turbinas para fornecimento de energia eólica e painéis para captação de energia solar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Solar PV Balance of System

Caros,

A produção de energia com painéis solares fotovoltáicos é ainda cara.
No Brasil ainda não há produção de painéis, mas certamente teremos em breve, uma vez que praticamente todos os pricipais fabricantes do mundo estão pretendendo iniciar produção no país.
Os preços seguramente despencarão e poderemos passar a considerar esta opção em nossos projetos.

O video a seguir trata da questão dos custos envolvidos na produção de energia solar fotovoltaica.
É curto e objetivo. Se o tema interessa, vale o click:

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fundação Vanzolini cria certificação AQUA para arenas e complexos esportivos

Por Ana Paula Rocha, para a Revista AU (Ed. Pini)

Selo tem como objetivo incentivar a construção de empreendimentos que minimizem o impacto ambiental antes, durante e depois da obra

Ana Paula Rocha

De olho na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, a Fundação Vanzolini acaba de lançar a Certificação AQUA para Arenas e Complexos Esportivos. O objetivo é incentivar a construção de empreendimentos que minimizem o impacto ambiental antes, durante e depois da obra, contribuindo para a redução no consumo de água e energia.

"A certificação AQUA se dá em quatro fases: programa, quando se desenvolve o projeto arquitetônico; concepção, quando o empreendedor faz os projetos executivos; realização, quando a obra está pronta; e operação, que olha para como o usuário se relaciona com a construção", detalha Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, primeira empresa de consultoria para Certificação AQUA.

Para se certificar é preciso criar um Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) e atender o referencial da Qualidade Ambiental do Edifício (QAE), que considera 14 itens de sustentabilidade para a construção e gestão das edificações, além do conforto e saúde dos usuários. Entre esses itens, estão a relação do edifício com o seu entorno; escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos; gestão da energia, água e resíduos de uso do edifício; o conforto higrotérmico, acústico, visual e olfativo; e a qualidade sanitária dos ambientes.

"Os empreendedores devem estabelecer um sistema de gestão eficiente e traçar o nível de atendimento das 14 categorias, que varia de Bom, Superior e Excelente", explica Ferreira. "Vale lembrar que para conseguir a certificação é preciso ter no mínimo três categorias no nível Excelente e no máximo quatro no Bom, sendo as demais no nível Superior", finaliza o engenheiro.

Mais informações sobre a certificação podem ser acessadas no site da Fundação Vanzolini, em http://www.fundacaovanzolini.org.br/.

Aproveito para acrescentar meus comentários:
Para cursos sobre a Certificação e sobre como se tornar um Auditor AQUA, favor acessar: www.ecobuilding.com.br

Antonio Macêdo Filho.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Rede inteligente de eletricidade promete otimizar energia de fontes renováveis

Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Smart grids' exigem investimentos bilionários

Na Feira Industrial de Hannover, as redes inteligentes de energia são apresentadas como solução para o uso eficiente da eletricidade gerada por vento, sol e biomassa – e como resposta para problemas de abastecimento.

Quando se fala no futuro da produção de energia, o número “vinte” parece ter grande força: a Europa quer, até 2020, diminuir em 20% as emissões de gás carbônico. E até lá, a energia produzida a partir de fontes renováveis deve corresponder a 20% do total.

Para alcançar a meta política, a construção de turbinas eólicas e de painéis solares não basta. É preciso também viabilizar uma conexão inteligente entre as redes elétricas. E um problema das fontes renováveis é que a produção de energia não é contínua: quando não há vento, não há eletricidade.

Solução discutida em Hannover

Smart grids, ou seja, "redes inteligentes" são vistas como o futuro do abastecimento energético. Trata-se de um sistema que canaliza e redistribui continuamente a energia provinda de pequenas usinas eólicas ou solares. Quando há muita energia na rede, ela é armazenada em baterias, sendo posteriormente liberada, por exemplo, quando um carro elétrico for recarregado durante a noite.

Para as indústrias do setor, como a ABB e o grupo Siemens, as redes inteligentes são uma tendência promissora. Segundo Peter Smits, diretor da ABB na Europa, não será possível aproveitar todo o potencial das fontes renováveis sem redes inteligentes de distribuição e armazenagem de energia. No entanto, essa "inteligência" tem que ser desenvolvida aos poucos.

"Há muitas soluções já prontas. Podemos começar imediatamente", contou Smits em entrevista à Deutsche Welle. Apesar disso, é preciso haver uma flexibilidade de tarifas, a fim de que seja atraente utilizar esses sistemas de forma eficiente. Smits acrescenta: "Quanto mais fontes de energia renovável a alimentar a rede, mais empresas de abastecimento e de distribuição de eletricidade precisarão dessas soluções.“

Investimento pesado

É claro que esse sistema requer um gigantesco investimento – somente na Europa, será necessária uma injeção de 400 bilhões de euros nos próximos 20 anos, diz a Comissão Europeia.

Na Itália e na França, a adoção de medidores de eletricidade inteligentes já é incentivada há algum tempo. Empresas japonesas investiram bilhões na construção de novas redes. O governo dos Estados Unidos também liberou verbas bilionárias para projetos-piloto. E a Alemanha está investigando algumas regiões-modelo, para verificar como a ideia das redes inteligentes pode ser implantada.

Um dos projetos alemães é o MeRegio, no estado de Baden-Württemberg, com participação do consórcio ABB. "Não é que estejamos aquém de outros países“, diz Hartmut Schmeck, do Instituto de Tecnologia em Karlsruhe. Como supervisor científico do MeRegio, ele explica que a diferença deste projeto para outros do gênero é a possibilidade de se ter uma visão geral do processso de geração da energia, desde a transmissão até o consumo de todos os componentes. "Em outros países, há iniciativas que focalizam partes isoladas, sem uma abordagem mais integrada."

Procuram-se consumidores

Durante dois anos, as regiões-modelo deverão desenvolver uma concepção e testá-la no cotidiano, até o ponto de poder lançá-la no mercado. Em meados deste ano, uma casa-modelo – equipada com máquina de lavar, geladeira e carro elétrico – estará pronta para ser habitada.

No entanto, o projeto ainda está em busca de aproximadamente mil consumidores dispostos em participar do teste. A companhia de eletricidade Baden-Württemberg (EnBW), envolvida no projeto, está à procura de interessados.

"Sem consumidores não há rede inteligente“, ressalta Jörn Kröpelin, da EnBW. Para tal, será necessário encontrar modelos, tarifas e incentivos atraentes e, juntamente com os produtores, fabricar aparelhos que possam ser aceitos e utilizados pelos clientes.

Padronização

E o sistema também não funcionará enquanto não houver uma integração satisfatória dos componentes. A rede em teste requer, por exemplo, tomadas inteligentes e máquinas de lavar adequadas. O regulador de calefação precisa reconhecer o sinal da rede elétrica, por exemplo.

Padronização é a palavra-chave, diz Peter Kellendonk, diretor de uma empresa de eletrônica em Colônia. "É preciso manter um diálogo com os protagonistas, com os fabricantes de aparelhos, para que todos adotem um padrão único", sugere Kellendonk. Isso possibilitaria integrar todos os equipamentos e processar automaticamente os sinais captados da rede elétrica. "A aceitação por parte da indústria é muito, muito grande."

Isso requer, no entanto, a participação de vários parceiros, inclusive de consumidores, sejam eles grandes indústrias ou domicílios. Afinal, os investimentos são enormes. Diante da crescente demanda por energia e da diminuição dos recursos fósseis, contudo, parece não haver outra escolha.

Autor: Henrik Böhme (np)

Revisão: Simone Lopes

terça-feira, 8 de junho de 2010

High Performance Building: Performance by Design

O Rocky Mountain Institute é uma das instituições envolvidas no projeto de reforma e atualização tecnológica do Empire State Building, que está sendo transformado no maior green building do mundo.

O video que segue ilustra o processo que orientou o projeto de retrofit deste ícone da arquitetura do séc. XX.
(Está sem legenda e é um tanto longo, mas, ainda assim, interessante).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CASA SOLAR FLEX

Bem-vindo à casa do futuro

Conheça a construção que aliará beleza, tecnologia e preocupação com o meio ambiente. Ela será erguida por universitários brasileiros em São Paulo
Eliseu Barreira Junior (texto) e David Michelsohn (infografia)
(Publicado na página da revista Época, da Editora Globo, em junho de 2010).

CASA SOLAR FLEX

Imagem em 3D da residência. Ela será autossuficiente em energia elétrica

Dentro de algumas semanas, jovens estudantes de seis universidades públicas brasileiras começarão a colocar de pé aquela que promete ser a casa do futuro. Ela aliará em 42 metros quadrados de área útil desenvolvimento tecnológico, preocupação ambiental e beleza arquitetônica. Imaginada desde agosto de 2008, a Casa Solar Flex nasce com o objetivo de se tornar uma alternativa sustentável para tempos de aquecimento global. Sua autossuficiência em energia, obtida dos raios solares, poderá ser usada para alimentar a rede elétrica das nossas cidades e ajudará a reduzir a necessidade de fontes energéticas caras e poluidoras.

A residência é resultado do trabalho de uma equipe multidisciplinar formada por alunos de graduação e pós-graduação de arquitetura, engenharia, design e marketing da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Eles se uniram há dois anos depois de participar de um concurso no qual o desafio era pensar uma moradia ecologicamente correta, inovadora e capaz de ser instalada em diferentes tipos de climas e regiões. As melhores propostas foram reunidas num projeto único que originou a Casa Solar Flex.

Concebida sob a supervisão de professores e especialistas, ela está dividida em três partes: uma área técnica, onde se concentram os elementos elétricos, hidráulicos e de ar-condicionado; uma segunda parte, em que ficam o quarto, a cozinha e o banheiro; e uma terceira, que compreende a sala de estar. Seu espaço interno pode ser moldado de acordo com as necessidades do morador e as paredes e móveis são feitos de madeira de reflorestamento. Na fachada, há painéis fotovoltaicos que captam os raios do Sol e produzem energia. Eles podem ser movimentados automaticamente de acordo com a incidência da radiação solar. No telhado, elaborado por uma das empresas patrocinadoras do projeto, encontram-se fixados mais painéis. No total, 64 placas são utilizadas, 48 somente na cobertura. Além de suportar o peso das placas, o telhado possui um sistema de passarelas que permite ao morador limpá-las com segurança – o acúmulo de poeira pode diminuir a eficiência de produção de energia dos equipamentos.

No Brasil, ainda não existem painéis fotovoltaicos como os utilizados no projeto. Eles são considerados os melhores e mais caros do mercado. Lucas Sabino Dias, estudante da UFSC, diz que a casa foi concebida segundo a realidade climática europeia. Adaptada ao clima brasileiro, a residência não precisaria de placas tão eficientes, o que baratearia os custos. Estima-se que o valor de construção do metro quadrado da Casa Solar Flex seja de cerca de R$ 11 mil reais. “É importante lembrar que fizemos uma Ferrari da arquitetura”, afirma Arthur Lins, aluno da UFSC. “Utilizamos tecnologias de ponta e componentes de alto desempenho, muitos dos quais ainda não difundidos no mercado.” A Casa Solar Flex pretende, portanto, fornecer novos conceitos para a construção civil.

Cada painel fotovoltaico utilizado no projeto produz 100 watts de energia por metro quadrado de área de placa – cada placa tem, em média, 2 metros quadrados. Essa eletricidade poderá ser injetada diretamente na rede de abastecimento das cidades. A empresa de distribuição de energia recebe a eletricidade gerada ao longo do dia pelos painéis e supre a casa nos momentos em que ela não produz nada. “Para isso funcionar no Brasil, é preciso haver uma regulamentação específica sobre a conexão de residências desse tipo com a rede”, diz Cláudia Andrade Oliveira, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e uma das coordenadoras do projeto. “Em um futuro nem tão distante, além de não pagar pelo consumo de energia, será possível até ganhar dinheiro com a casa”, afirma Lucas. Isso quer dizer que o morador poderá deixar de comprar energia elétrica e obter receita, o que já acontece na Europa.

Pioneirismo

Foto dos estudantes que participam do projeto da Casa Solar Flex tirada em setembro de 2009. Em pé (da esquerda para a direita): Vinicius Libardoni, Fernanda Antônio, Fernanda Kemeid, Yuri Kokubun, Ananda Galvão, André Nobre, Romullo Baratto, Arthur Lins, Caique Schatzmann, Erik Yassuo Yuki , Fábio Lofrano, Cauê Carneiro e Hugo Narumiya. Sentados (da esquerda para a direita): professora Cláudia Andrade Oliveira, Daniel Winnik, Lucas Dias, Gregory Valente, Suzana Bozza, Juliana Albuquerque, Diego Tamanini, André Montes, Andréa Haritçalde e Bruna Maurélio

Outras inovações do projeto estão nos sistemas de iluminação, controle de temperatura, água e esgoto. A casa é iluminada por um sistema de LED (chamado também de diodo emissor de luz, porque a emite quando energizado), em que é possível mudar sua tonalidade. O conforto térmico é mantido por meio de um aerogel, colocado dentro das paredes, por um sistema de ar-condicionado e pelo uso de vidros duplos preenchidos com um gás. Esse tipo de vidro é de baixa emissividade, deixando passar a luz e barrando os raios infravermelhos. No banheiro, é utilizado o vaso seco, sistema pouquíssimo comum no Brasil. Ele faz a compostagem dos dejetos que podem ser eliminados diretamente na terra, sem causar impactos no solo. A casa precisa ser alimentada pela rede de abastecimento de água, mas possui um sistema capaz de armazenar a água da chuva e realizar um tratamento mínimo. Para esquentar a água que sai do chuveiro e das torneiras, há dois painéis fotovoltaicos (comentário: certamente o autor se refere a coletores solares).

Mais do que uma residência que agrega tudo o que há de high tech na construção civil, a Casa Solar Flex é um trabalho pioneiro no meio acadêmico brasileiro. Pela primeira vez, seis universidades públicas formaram uma equipe de estudos que pretende transformar o modo como as casas são pensadas no país. “Esse projeto é inovador porque partiu de uma vasta pesquisa de materiais que considerou o desempenho técnico, construtivo e de segurança conforme as regras da ABNT e da Norma Europeia”, diz Rúbia Eucaristia Barreto, doutoranda responsável pela área de gestão de risco. “Algo que não acontece normalmente.”

Aliado a isso, está o ganho profissional dos estudantes. Os alunos, muitos deles de graduação, puderam vivenciar todas as etapas da concepção da residência, uma experiência que não teriam em suas faculdades. Para isso, deslocaram-se de seus Estados de origem até São Paulo, onde a casa será erguida, e participaram de um intercâmbio acadêmico na USP. “Aprendemos a desenvolver uma arquitetura mais eficiente do ponto de vista energético e que respeita o meio ambiente”, afirma Fernanda Antônio, estudante da UFRGS. “Uma experiência única em nossa trajetória profissional.” Agora que o trabalho chega a sua etapa final, os estudantes pretendem rodar com a Casa Solar Flex por diferentes Estados brasileiros e mostrar para a população como será morar bem e com consciência ambiental.

Veja mais imagens e animações sobre a Casa Solar Flex em:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI145863-15224,00.html