sexta-feira, 24 de junho de 2011

Telhado verde do Five Borough, em Nova York, é um laboratório perfeito

Originalmente publicado em EngenhariaeArquiteura.com.br, postado em: 17/06/2011

Administração de parques de Nova York dá exemplo

O telhado do 5-Boro foi construído para servir como um laboratório para futuras iniciativas (crédito: NYC Parks Department)

O Five Borough, edifício administrativo do Departamento de Parques da cidade de Nova York, fica em Randall's Island. De lá partem todas as orientações para a operação das áreas verdes da cidade. No Dia da Terra de 2007, o prefeito Bloomberg divulgou um plano de sustentabilidade para a cidade, intitulado PlaNYC. Em resposta a esta iniciativa, a divisão de serviços técnicos do Five Borough criou sua própria força tarefa de sustentabilidade. Após uma extensa pesquisa, o Five Borough percebeu que a instalação de um telhado verde contribuiria significativamente para os esforços de sustentabilidade da cidade.

Na primavera de 2007, a divisão técnica começou um programa de instalação de diversos telhados verdes no topo do complexo de Randall's Island onde está sediada. Até o momento, a divisão, juntamente com os Parks' Green Apple Corps, instalou 24 sistemas de cobertura em mais de 8.800 metros quadrados de telhado na ala oeste do edifício. Juntos, os sistemas instalados no Five Borough compõem o quinto maior telhado verde de Nova York.

Além disso, ele é o telhado verde que mais contempla distintos sistemas lado a lado do país, e possivelmente do mundo. Estes sistemas caracterizam-se pela variedade, tipos e profundidade de meios de cultura, além de seleção de plantas. Há também outros sistemas pouco tradicionais, incluindo uma parede verde, sistemas de contentores, um sistema de passeio, bem como plantações no topo das paredes do parapeito.

Os parapeitos também foram utilizados para compor o jardim (crédito: NYC Parks Administration)

Na primavera de 2007 a divisão de serviços técnicos construiu seu primeiro, e bastante modesto, sistema piloto de telhado ecológico intensivo. Com base principalmente em um projeto padrão da Barrett, que doou cerca de $ 3.000 dólares em material de cobertura, medindo 1 x 0,5 m. O meio de crescimento utilizado foi uma mistura de baixa densidade de composto e espuma de poliestireno expandido reciclado, revestida com pectina para absorção de água. O sistema, composto por nove espécies de plantas nativas da área metropolitana de Nova York, foi não apenas o primeiro do tipo instalado no Five Borough, mas também o primeiro em toda a área do Departamento de Parques de Nova York.

Na primavera seguinte e início do verão os serviços técnicos instalaram mais seis variações de sistemas de telhados verdes extensivos e quatro sistemas atípicos. Dois destes telhados extensivos utilizaram módulos com bandejas de alumínio fabricadas nas próprias oficinas da divisão de serviços. Embora todas as bandejas fossem de 0,62 m x 0,62 m, o sistema de bandejas I utilizou a profundidade de 10 cm, enquanto o sistema II foi fabricado com 15 cm. Cada bandeja media 6 m x 12 m e ambos tipos usaram meio de cultura médio, com uma mistura principal de barro termicamente tratado e materiais orgânicos.

Nas bandejas do sistema I foram plantadas 400 estacas de sedum, além de 600 metros quadrados de mudas da mesma família. As bandejas do sistema II receberam outras 1.520 mudas de sedum. Ambos os sistemas receberam ao todo sete espécies diferentes de sedum, selecionados por sua robustez e forte contraste de cores e texturas. A comparação destes dois sistemas com o passar do tempo deve dar uma indicação do efeito de profundidade média de crescimento na rusticidade dos telhados verdes de sedum.

Outro sistema modular consiste principalmente do Green Paks TM, fabricados pela Green Roof Blocks. O Green Paks TM baseia-se em sacos de polietileno de alta densidade. Os sacos medem 0,5 x 0,80 cm e têm 1 centímetro de profundidade. Eles são preenchidos com um meio de crescimento próprio formado por 80% de xisto expandido e 20% de casca de pinus. O Green Paks TM enviado para os serviços técnicos foram preenchidos com este meio, transportados para o telhado e, em seguida, colocados sobre uma barreira de raízes e material de drenagem.

O departamento de serviços técnicos também experimentou um sistema extremamente simples, instalando cinco lotes de 25 cm x 30 cm e 13 cm de profundidade com uma camada de proteção de borracha de etileno-propileno no telhado coberto com uma mistura do tipo Metro-Mix 510, normalmente usado em jardinagem de vasos e emoldurado por madeira. Diferente de todos os outros tipos instalados, este sistema monolítico não tem uma camada de drenagem. Plantada com 3 espécies de plantas nativas, este sistema mostrou que é inviável a instalação de um sistema de telhado verde desprovido de drenagem.

Em maio de 2009 foi instalado o Xero Flor Green Roof System, ultra-extensivo desenvolvido na Alemanha e composto por uma camada de pré-vegetação sedum, manta de retenção de água, uma camada de drenagem e uma barreira de raiz. O departamento de serviços técnicos instalou cerca de 1930 metros quadrados deste sistema monolítico sobre o telhado da garagem de manutenção de veículos. Com 1,20 kg/m2 a seco e 2 kg/m2 com umidade, o Xero FlorTM system mostrou-se o mais leve instalado no 5-Boro até o momento.

Em junho foi instalado um sistema de parede verde composto de 12 painéis pela ELT Easy Green composto por grades de bandejas de plástico de 0,5 x 0,5 x 0,05 com solo mineral e três variedades de sedum. Também foram plantados cerca de 200 metros quadrados de um outro sistema muito leve com sementes de uma flor selvagem especialmente desenvolvido para o 5-Boro: uma mistura de 80/20 de Metro-Mix 510 e perlite (material vulcânico termicamente expandido), resultando em um meio extremamente leve. Ao contrário dos demais do Five Borough, este sistema de flores silvestres foi plantado a partir de sementes e coberto com tela de juta para evitar a erosão do vento.

O átrio de 240 metros quadrados foi transformado em passeio, tendo recebido cerca de 150 metros quadrados de área plantada a uma profundidade de 10 cm. As plantas, das espécies creeping myrtle, red wing phlox e candy stripe phlox, foram cuidadosamente selecionadas para tolerar variações sazonais e diárias no ângulo do sol e colocados na área não-circulável, enquanto a tall fescue foi selecionada para a área de tráfego, devido à sua resiliência que favorece sua adaptação. Ainda em 2009, no mês de outubro, uma camada de 122 metros quadrados de solo mineral de multi profundidade, com uma mistura de vegetação e caules de sedum, foi instalado. Os contornos ondulantes não só forneceram um visual interessante, como também servem de teste para observar o crescimento da sedum em relação à variação de profundidade do meio de cultura.

Por volta dos meses de abril e maio de 2010 cerca de 1.200 metros quadrados projetados por Rick Gordon, gerente sênior do projeto, estavam instalados. O meio de crescimento médio era composto de 1 / 3 de solo mineral, 1/3 de perlite e 1 / 3 de variados tipos de estrume em profundidades médias de 20 centímetros. As hortaliças foram plantadas a cerca de 30 centímetros, tendo ao centro tomates, pimentões, melões, abóboras, repolho, espinafre, berinjelas e ervas.

Na primavera foi instalado no 5-Boro uma versão extensiva do sistema GaiaSoilTM que havia sido instalado em 2007. Apelidado Layered System II, com profundidade de 18 cm (13 a menos que o sistema original). Assim como seu antecessor, o Layered System II é monolítico e cobre uma área de 6m x 12 m, com 825 plantas nativas de 10 espécies.

Em junho de 2010 foi instalado o Xero Flor Green Roof System a 8 centímetros de profundidade, formado por uma camada de sedum, 3 cm de solo mineral, duas camadas de mantas para retenção de água, uma camada de drenagem e uma barreira de raiz. O quarto sistema modular de telhado verde foi o BIOtrays TM, formado por bandejas de fibra de casca de coco, medindo 43 cm de largura, 43 cm de comprimento e 3 cm de profundidade, e preenchidas com solo mineral, onde foram plantadas espécies de sedum. Possivelmente a forma monolítica do BIOtraysTM vai quebrar e seu sistema em decomposição nutrirá os componentes minerais, fornecendo matéria orgânica adicional ao solo. O BIOtraysTM cobre uma área de 3 x 6 metros.

Ainda no verão a divisão de serviços técnicos do Five Borough instalou um número de sistemas de telhado verde atípicos. Foram construídas 20 caixas de plantas de cedro. As caixas foram preenchidas com o meio de cultura Metro-Mix 510, Mugo Pinheiro, sedum sieboldiana e sedum acre.

Outros sistemas atípicos incluem uma treliça com uma superfície de cerca de 200 metros, mas uma pegada de telhado de apenas 27 metros quadrados, um parapeito de madeira moldada em cima do parapeito do átrio, e uma moldura de metal acima da parede da ala oeste do perímetro. Além disso, canteiros elevados foram instalados, sendo usados para armazenar plantas e material extra de enchimento, além de uma horta comunitária para o pessoal do escritório.

No outono de 2010, dois blocos de 76 metros quadrados do sistema BioRoofTM foram instalados para teste. E, entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, foi iniciado outro experimento com meio de cultura desenvolvido pela própria divisão de serviços do NYC Parks. Projetado pelo chefe de serviços técnicos, Artie Rollins, o solo é feito com 80% de perlite e 10% de Metro-Mix TM 510, produzido pela SunGroTM e que contém 15-20% de Peat Moss, 25-35% de vermiculite, 40 a 45% de casca de pinus , e 10 a 20% de casca de Ash. Este sistema de cerca de 250 metros quadrados, composto principalmente de perlita, é muito leve e capaz de reter de 5 a 8 vezes mais água do que o solo não tratado. Flores selvagens serão plantadas em um futuro próximo neste sistema.

O telhado verde do Five Borough serve como um laboratório para o trabalho de projeto e construção de telhados verdes, fornecendo conhecimento para o resto da agência e de outros grupos, conservando e restaurando as áreas verdes da cidade de Nova York . A administração tem a sua disposição uma estação experimental na qual o desempenho dos vários sistemas podem ser monitorados e comparados.

Projeto: NYC Parks Five Borough (5-Boro) Administrative Building

Ano: 2007
Proprietário: Departamento de Parques e Recreação da cidade de Nova York
Localização: Randall's Island, Nova York, NY, EUA
Tipo de edifício: Governo / Municipal
Tipo: Extensiva e intensiva, teste e pesquisa
Sistema: Outros
Tamanho: 8.832 m²
Declividade: 1%
Acesso: Acessível com autorização

Fornecedores:
Sistemas layered: Xero Flor TM
Sistemas modulares: GreenGridTM, Green PaksTM, BIOtraysTM, Bioroof®
Doação de material de cobertura: Barrett Company
Gerente de Projetos Sênior: John Robilotti, NYC Parks Department
Projeto e desenvolvimento: Artie Rollins, Chief of Technical Services
Meio de cultura: GaiaSoilTM, rooflite®, Metro-Mix 510
Plantas: NYC Parks Native Plant Center, Emory Knoll Farms, Sempergreen®
Parede verde: ELT Easy Green
Instalação: Five Borough Technical Services, NYC Parks Summer Interns, Green Apple Corps, FedEx's Energy Smart Outreach, Columbia University students, Million Trees Volunteers, NYC Parks Weatherization Crews

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Novo edifício do Brower Center em Berkeley, CA

Publicado originalmente em engenhariaearquitetura.com.br, em 22/06/2011

Memorial para ambientalista americano tem certificação LEED Platina




O Brower Center na esquina da Oxford com a Allston (crédito: Tim Griffith)

O recém-concluído edifico do David Brower Center, no centro de Berkeley, Califórnia, é um memorial para um personagem importante do movimento ambientalista no país. Brower foi o primeiro Diretor Executivo do Sierra Club, de 1952 a 1960 , tendo participado da fundação, mais tarde, de várias organizações ambientalistas, como Friends of the Earth, League of Conservation Voters e Earth Island Institute. Foi uma inspiração para toda uma geração de ativistas ambientais, alguns dos quais trabalham agora no edifício que leva seu nome.

Cerca de trinta grupos nacionais e internacionais ocupam perto de 7.300 metros quadrados, do total de 14.000, nos três andares superiores do edifício. Sua missão é angariar colaborações, envolver novas pessoas na defesa do meio ambiente e facilitar a comunicação e parcerias entre organizações.

O próprio edifício e seu sistema estrutural, foram criados para incorporar todo o estado da arte, expressando o trabalho e o legado de Brower. O edifício recebeu a certificação LEED Platina, a mais alta dentro dos critérios do Green Building Council, com 55 pontos dos 60 possíveis.

Todos os espaços de escritórios têm janelas operáveis e iluminação natural (crédito: Tim Griffith)

O edifício foi implantado num terreno um pouco incomum, com uma borda curva. Esta característica levou os arquitetos da WRT / Solomon ETC, a projetarem uma fachada arredondada que permite um fluxo mais natural do espaço do que a típica esquina em ângulo reto. O fluxo de pedestres a partir da entrada do edifício, na Allston Street, passa pelo restaurante do Centro no piso térreo, um espaço aberto, e caminha para um espaço fechado entre o Centro e o Oxford Plaza, um complexo de apartamentos.

A fachada do edifício sugere o desenho de um templo, com uma série de colunas embutidas, definindo uma base elevada, ligeiramente projetada em direção ao ático, e uma cornija, que, afastando-se do modelo clássico, continua como sólida matriz de painéis fotovoltaicos na face sul, com uma treliça de ripas que segue a linha do telhado e aumenta à medida que ela se curva ao redor do beiral, do sul para o norte, como a aba de um chapéu virado.

Os painéis inclinam-se, para baixo, no lado sul, para moderar a grande quantidade de luz que entra no edifício a partir daquela direção, reduzindo o ganho de calor no verão, e, no lado norte, inclinam-se para cima para aumentar a admissão de luz, atendendo à maior necessidade sazonal. Medidas como estas fizeram com que o interior tenha quase 100% de iluminação natural.

No que diz respeito aos materiais, o metal utilizado para a fachada é de zinco, que requer menos energia na mineração e ganha formas semelhantes ao alumínio ou aço, com a vantagem da opacidade da superfície fosca. Os vidros das janelas redirecionam a luz solar, reduzindo o ganho de calor. Operáveis, as janelas permitem alterações na ventilação.

O concreto utilizado na fundação contém 70% de escória de forno, e o da super estrutura, 50%. O uso deste subproduto da fabricação do aço reduz o teor de energia do edifício e sua pegada de carbono em 40%. O Brower Center é o primeiro projeto da área da Baía a usar concreto com alta porcentagem de escória em tal escala.

O lobby, que abre-se para a Allston Street, já diz tudo sobre a característica verde do edifício. Materiais naturais em tons neutros são dominantes, mas obras de arte expostas em um espaço fora do lobby fornecem todos os detalhes coloridos.

O projeto original previa dois elevadores, mas o fundador do Centro e seu atual presidente, Peter Buckley, decidiu reduzir o consumo de energia, transformando um dos elevadores em escada. Os arquitetos enclausuraram a escada numa caixa de madeira, concreto e aço, providenciando aberturas laterais que, fornecem a vista do lobby.

Um dos aspectos mais intrigantes do edifício é seu sistema estrutural que usa cabos verticais pós-tensionados nas paredes e esquadrias, atuando como molas que permitem à construção dobrar no caso de um terremoto e, depois, voltar ao seu alinhamento original. Os engenheiros acreditam que este re-alinhamento permitirá ao Brower Center permanecer em operação imediatamente após um evento sísmico que provavelmente obrigaria a custosos reparos em uma estrutura convencional.

Um sistema de coleta de água da chuva abastece as descargas de banheiros e a irrigação dos jardins. O edifício usa cerca de 40% menos água que um sistema padrão.

Sistemas energeticamente integrados

O edifício usará cerca de 60% menos energia do que um edifício similar nos Estados Unidos, sem contar os 66 kW de energia produzida no local através de painéis fotovoltaicos. O Centro está 44% acima das mais exigentes recomendações do California Title 24.

O maior ganho em eficiência vem da integração do sistema de climatização com as demais estratégias e tecnologias de projeto. A maior parte do edifício não tem resfriamento baseado em compressão. As cargas foram minimizadas e todo o resfriamento é providenciado por resfriamento evaporativo indireto a partir das torres de resfriamento. A desumidificação é desnecessária dada as características do clima, onde a alta umidade se manifesta apenas em dias frios. Em umano típico apenas uma hora excede o ponto de orvalho, de 17 graus Celsius, que equivale a 65% de umidade relativa depois do aquecimento do ar interior.

O edifício usa um sistema de piso radiante embutido na laje para aquecimento e resfriamento , que absorve aquecimento ou resfriamento do espaço, de acordo com a necessidade. A transferência hidrônica de calor é mais eficiente que a transferência do calor através do ar.

Tradicionalmente o ar aquecido ou resfriado por uma unidade de tratamento do ar e a energia de um ventilador é usada para distribuir este ar pelo espaço interno. Devido à maior capacidade da água, a tecnologia hidrônica usa muito menos energia para prover ou remover calor. O sistema traz um benefício significativo ao eliminar totalmente o reaquecimento, assim como reduzindo a insuflação de ar pelo teto.

Durante os meses mais quentes a massa térmica dos espaços internos é pré-resfriado à noite usando a torre de resfriamento e o sistema de piso radiante. Este controle promove o uso de energia em horários noturnos, reduzindo a carga nos horários de pico, o que contribui para uma redução significativa na conta de luz.

Esta abordagem também captura as temperaturas noturnas mais baixas para maximizar o resfriamento evaporativo indireto oferecido pelas torres de resfriamento. O edifício só usa resfriamento baseado em compressão em algumas poucas salas de reuniões. O pré-resfriamento das lajes usa a água gelada da torre de resfriamento à noite para armazenar frio na massa do edifício, para uso no dia seguinte. Durante o período noturno a temperatura da laje fica entre 17 e 20 graus Celsius para ser usada quando apropriado. Em adição ao resfriamento da laje diretamente com a tubulação hidrônica, uma unidade de tratamento de ar captura o ar frio noturno do verão, insuflando-o para o interior do edifício, fornecendo resfriamento adicional da massa térmica.

Caldeiras de condensação selecionados para operar com água a uma temperatura mais baixa maximiza a eficiência, sendo que a água quente é distribuída através de bombas equipadas com variadores de frequência. O baixo retorno de operação da temperatura da água (entre 32 e 43 graus Celsius) é um aspecto crítico da maximização da eficiência da caldeira de condensação e o que tornou possível o uso do piso radiante para aquecimento e para fazer frente aos fan coils dedicados ao tratamento do ar externo.

Os espaços de maior concentração de pessoas e com grande variação de carga de ventilação são servidos por bombas de calor de alta eficiência, que usam as torres de resfriamento e as caldeiras para rejeição e injeção de calor, respectivamente. A mínima quantidade de calor é recuperada pelo loop da bomba de calor quando as salas de conferências e o teatro estão frios.

Outras abordagens estratégicas são o resfriamento evaporativo indireto através das torres de resfriamento para temperar o ar de ventilação, ventilação natural pelas janelas operáveis e através das clarabóias e a insuflação pelo piso elevado (displacement ventilation) e grelhas e janelas superiores.

Iluminação e estratégias de envelope

Várias estratégias de iluminação natural foram utilizadas para usar 100% de luz diurna no edifício. Pisos de placa estreita foram projetados para maximizar iluminação e ventilação naturais. Prateleiras de luz, projeções e outras características do envelope foram incorporadas para atingir o objetivo desejado. Um revestimento de alto desempenho foi projetado para otimizar o uso da luz natural ao mesmo tempo em que reduz o ganho de calor solar, diminuindo a necessidade de aquecimento e resfriamento.

Fotocélulas localizadas foram utilizadas em todo o edifício para controle das lâmpadas quando estas não se fazem necessárias. Sensores de presença foram instalados para detectar a não ocupação de áreas.

Qualidade do ar interior

O sistema de climatização do edifício trabalha com 100% de ar externo nos espaços de escritórios. Estes espaços usam uma combinação de ventilação natural e sistema de piso radiante, com sensor de CO2 para controle da demanda de ventilação. Os fan-coils dedicados para tratamento do ar exterior operam continuamente para suprir todas as áreas de escritórios com 100% de ar externo durante todas as horas de ocupação. Todas as unidades de tratamento do ar são equipadas com filtros MERV 13, segundo a ASHRAE Standard 52.2- 2007, que asseguram que poeira e particulados não entrem no espaço interno.

O último andar do edifício tem janelas operáveis no perímetro e no interior, além das clarabóias operáveis. Pisos de placas estreitas foram usados para maximizar luz e ventilação naturais.

Resumo das características do projeto:

- Construção com 53% de materiais reciclados
- Painéis fotovoltaicos, que também têm função de sombreamento
- 100% de todas as áreas de escritórios têm iluminação natural
- Recolha e reutilização da água da chuva para irrigação e descargas de vasos sanitários
- Reduzido consumo de energia para climatização através do uso de: piso radiante para refrigeração e aquecimento, displacement ventilation, free cooling e ciclo economizador
- Dispositivos de sombreamento solar em todas as janelas viradas para o sul
- Iluminação de alta eficiência com controles automáticos para limitar o uso quando a iluminação natural está disponível
- Concreto com escória reduziu significativamente o conteúdo de CO2 e a quantidade de cimento, aumentando a resistência
- Estrutura vertical pós-tensionada para minimizar os danos potenciais em caso de terremotos
- Sensores de CO2 para suprimento de ar fresco extra, se necessário.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Simpósio de Construções Sustentáveis e Eficiência Energética

Caros,

No dia 30 de junho estarei participando como palestrante de evento sobre Construções Sustentáveis e Eficiência Energética promovido pela Schneider, no Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo.
Convites para o evento podem obtidos junto a Nadia Nascimento pelo: nadia.nascimento@schneider-electric.com. Não deixe de informar ter recebido esta indicação pelo Blog do Macêdo.

Até lá.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quanto custa certificar?

Caros,

Reproduzo aqui matéria publicada numa recente edição especial da revista Arquitetura e Construção sobre construção sustentável, que, em liguagem acessível, aborda os pricipais aspectos das certificações ambientais de edificações, que estão agora aparentemente chegando ao conhecimento do público em geral, não técnico, o que é bom para todos.
AMF.


Quanto custa certificar?Por Giuliana Capello, para Arquitetura & Construção / Especial Construção Sustentável - 12/2010
 
Essa é a pergunta que todo empreendedor faz quando o assunto são os selos de greenbuilding para edifícios. Mas, afinal, que conta é essa e quem paga por ela?

Já faz algum tempo que a economia global acordou para um fato importante: buscar sustentabilidade é também zelar pelos negócios. Em 2006, o economista britânico Nicholas Stern parou o mundo ao apontar as emissões de CO2 como a principal causa do aquecimento global e sugerir que, se nada for feito, o planeta sofrerá catástrofes ambientais da ordem de 20% do PIB mundial até 2050 (algo hoje em torno de US$ 10 trilhões). Os números são impressionantes - ainda mais no caso da construção civil. "O setor consome 40% de todos os recursos naturais do planeta", lembra Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech Engenharia, de São Paulo. O Conselho de Green Building dos Estados Unidos (USGBC) credita ao segmento absorção de 40% da energia produzida no mundo e 30% do uso da água potável do globo.

A fama de vilão, porém, pode mudar se os agentes souberem transformar urgência em oportunidade. É nisso que apostam os pioneiros do greenbuilding no Brasil. "O mercado está exigindo prédios mais eficientes, que se mantenham atuais por mais tempo. Triple A [prédio corporativo de alto padrão] com certificação, por exemplo, é obrigatório", diz Luis Fernando Bueno, diretor de operações para terceiros da Gafisa. Fabiana Perez, gerente da JHSF, resume: "A sustentabilidade vai pelo caminho da ISO 9000. Quem não tiver a certificação ficará de fora".

SIM, CONSTRUIR PARA TER SELO VERDE CUSTA UM POUCO MAIS.

Esse extra depende dos hábitos de trabalho de cada empreendedor. "Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)mostrou que o desperdício numa obra atinge de 11 a 15% do seu custo. Já os diferenciais de sustentabilidade, que imprimem qualidade ao empreendimento, representam um desembolso de 5 a 10% do valor total", afirma Nelson Kawakami, diretor-executivo do Green Building Council Brasil, o GBC. Para Luiz Henrique Ferreira, o valor desse investimento depende da linha de base da construtora. "Se ela mantém bons contratos trabalhistas, compra materiais com nota fiscal e faz a gestão dos resíduos, não vai gastar muito mais para ser sustentável", fala. E segue: "quanto antes se pensar no assunto, menor será o custo, pois muitos itens poderão ser incorporados na arquitetura, e não na forma de equipamentos de ponta para remediar falhas de projeto".

• 40% de todos os recursos naturais disponíveis no planeta são consumidos pelo setor da construção civil.

• Para ter um produto sustentável, 48% dos consumidores brasileiros aceitariam pagar até 10% mais.

• 5% do custo total da obra é o investimento médio que as construtoras estão fazendo nos prédios verdes.

E SE O QUE IMPORTA SÃO OS BENEFÍCIOS PARA O EMPREENDEDOR...

Está por um fio o discurso de que não vale a pena investir um pouco mais porque quem se beneficia são os usuários, e não quem constrói. Numa pesquisa realizada este ano pela consultoria americana Penn, Shoen & Berland Associates (PSB), 73% dos brasileiros garantem que gastariam mais consumindo produtos ecologicamente corretos. Outro levantamento feito aqui, pelo grupo francês Havas, mostrou que 48% estariam dispostos a pagar até 10% mais por um produto sustentável. "Isso já está acontecendo com os clientes corporate, que só querem saber de prédios eficientes", conta Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Com compradores mais exigentes, já é possível elevar um pouco o preço de venda, apostando na demanda de greenbuilding e na tendência de queda do valor do condomínio causada pela redução no consumo de água e energia na operação do imóvel. "Sem falar que o construtor ganha em velocidade de venda e gasta menos com estandes, vendedores e material de publicidade, o que reflete na taxa de retorno do empreendedor e na imagem da empresa", diz Paola Figueiredo, vice-presidente executiva do Grupo SustentaX.

QUANDO O INVESTIDOR É O FUTURO USUÁRIO.

Os especialistas são categóricos: ao longo de sua vida útil, 80% do custo total de um edifício equivale à etapa de operação e apenas 20% à de construção. Isso significa que quem investe um pouco mais para ampliar a ecoeficiência do empreendimento do qual será também usuário obtém retorno rápido por meio da redução dos gastos operacionais, principalmente com água e energia. "A Valia, fundo de pensão da Vale, só comprou metade de um prédio do Cidade Jardim Corporate Center [em obras em São Paulo] porque ele tem certificação AQUA, o que deverá manter o prédio valorizado e gastando menos com manutenção", conta Manuel Martins, coordenador do Processo AQUA, da Fundação Vanzolini. Em números gerais, a estimativa de redução do consumo de água num edifício certificado é de 30% (em razão dos metais sanitários economizadores e dos sistemas de reúso). Já a queda no consumo de energia gira em torno de 15%, graças a soluções de arquitetura, materiais de alto desempenho e equipamentos mais eficientes. "Construir para administrar e ser usuário é tendência entre os prédios certificados, ainda mais no caso dos corporativos", avalia Nelson Kawakami, do GBC Brasil.

ALUGUEL MAIOR E CONDOMÍNIO MENOR

Esses dois aspectos parecem compor o mantra dos empreendimentos certificados. Geraldo Bernardes, diretor de Sustentabilidade da vice-presidência de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, esteve nos Estados Unidos para um encontro sobre o tema. "Voltei com números importantes para o mercado, que devem estimular a busca pela certificação", relata, referindo-se a pesquisas do Institute of Real State Management (IREM). Segundo a entidade, prédios verdes americanos tiveram queda no custo do condomínio de 13,6% entre 2005 e 2008. Já o valor desses edifícios - residenciais e comerciais - subiu 10,9%. O preço do aluguel também indica bons ventos para as versões de imóveis sustentáveis: chegam a custar até 25,7% mais. "O mercado está caminhando rapidamente nessa direção e, para os empreendedores, o argumento de marketing é enorme", afirma Geraldo. "Até hoje só se falava em custo extra, mas a partir de agora os players [agentes do mercado] vão enxergar os benefícios que eles podem ter com a certificação", completa. Esse é o caso do Eldorado Business Tower, em São Paulo, cujo valor do aluguel chega a ser 20% maior do que o dos vizinhos similares não certificados. O condomínio, por sua vez, custa hoje metade do que se pagaria num Triple A mais convencional: R$ 9,35 o m², contra até R$ 20 o m². "Sei do caso de um prédio novo que teve de passar por uma reabilitação porque não conseguia ser alugado. Aos poucos, os projetos ineficientes estão sendo rejeitados pelo mercado", comenta Marcelo Takaoka.

SÍNDICOS VERDES

A eficiência energética apresenta grande potencial na redução das emissões de gases do efeito estufa, e também na criação de empregos, aponta um relatório de 2008 do Worldwatch Institute (WWI). De acordo com Adalberto Maluf, diretor em São Paulo da Fundação Clinton, a política de empregos verdes do presidente americano Barak Obama considera a qualificação da mão de obra para obras de retrofit e para a manutenção de edifícios verdes parte vital do programa. "Acredito que no Brasil faltem empresas especializadas nesse segmento, assim como técnicos capazes de fazer a manutenção, criar protocolos de procedimentos e treinar funcionários para garantir a eficiência dos equipamentos instalados - e o desempenho ambiental esperado", diz Adalberto. Segundo o relatório, é provável que esses empregos sejam destinados a engenheiros e arquitetos, acrescidos de novos conhecimentos. Faz sentido. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP aponta que gerentes de ecorrelações e engenheiros ambientais serão os mais procurados do mercado em 2020, sinal da nova economia verde.

A HORA DA REABILITAÇÃO.

Mérito à parte, será que a ação das construtoras - que está apenas no início - de investir passo a passo em sustentabilidade será suficiente para mudar o rumo dos impactos ambientais provocados pelo setor? "Mesmo que todos os novos prédios passassem a ser construídos com princípios de greenbuilding, não daria tempo de vermos resultados ambientais significativos", lamenta o consultor Luiz Henrique Ferreira. O gargalo, segundo ele, está na reabilitação dos edifícios existentes, algo começando a ser também uma modalidade de certificação interessante, em que os investidores sentem os resultados no bolso - e rapidamente. "Participo de um projeto que deverá gerar economia de 80% de energia só com a troca do sistema de ar condicionado", exemplifica.

"Aos poucos, os projetos ineficientes estão sendo rejeitados pelo mercado"
Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS)

Veja também:

Ineditismo na ponta do lápis
Etiqueta verde

Comentários:
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Arq. Antonio Macêdo Filho, LEED Green Associate
Coord. MBA em Construções Sustentáveis INBEC / UNICID / GBC Brasil

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O futuro da energia (no Brasil e no mundo)

Por Ana Luiza Herzog e Tatiana Gianini, para Revista Exame - 20/04/2011


Cidade de Xangai na China: entre 2000 e 2008, o país duplicou sua demanda de energia

À medida que milhões de pessoas entram no mercado de consumo todo ano, sobretudo na Ásia, a demanda global de energia não para de crescer. A crise nuclear no Japão e a revolta no Oriente Médio levantam a dúvida - haverá energia para todos?

A cidade que esbanja luz na foto ao lado não está nos Estados Unidos, na Alemanha ou em outro país rico do mundo. É Xangai, a "cabeça do dragão", a locomotiva da China, nação que entre 2000 e 2008 viu seu consumo de energia se multiplicar por 2. O salto foi provocado por novas fábricas, obras de infraestrutura, consumidores ávidos por eletrodomésticos e carros. Será justamente na Ásia, e pelos mesmos motivos, que a demanda por energia irá crescer - e crescer de forma voraz - nas próximas décadas. A China, desde 2009 o maior consumidor de energia do mundo, deverá continuar sua escalada no ritmo dos últimos anos. Espera-se que outros países sigam o mesmo caminho. Até 2030, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, a fatia da Ásia no consumo de energia global será maior do que a da América do Norte e a da Europa juntas. Para o conjunto da humanidade, trata-se de uma conquista a comemorar.

Somente na Índia, são 400 milhões de pessoas às escuras, número equivalente a duas vezes a população brasileira. Mas, para iluminar o continente asiático - e, em menor escala, o latino-americano e o africano -, o mundo terá de aumentar a produção de energia em 30% até 2030. Trata-se de um desafio que já estava colocado, mas que assumiu proporções dramáticas desde o início do ano. Primeiro, as revoltas no Oriente Médio jogaram o preço do petróleo nas alturas. Depois, a crise nuclear no Japão fez renascer antigos pavores. O desafio energético, hoje mais do que nunca, preocupa não apenas os países emergentes, ansiosos para seguir avançando, mas os ricos também, que terão de dividir os recursos energéticos de que dispomos hoje.

De onde virá a energia que vai iluminar nossas cidades e movimentar nossas fábricas? Ninguém tem respostas acabadas, mas alguns consensos começam a surgir. "Se não existisse o petróleo, teríamos de inventá-lo." A frase de Robert Bryce, autor de Power Hungry - the Myths of "Green Energy" and the Real Fuels of the Future ("Fome de energia - os mitos da energia verde e os reais combustíveis do futuro", numa tradução livre), vale também para o carvão e o gás natural. Nos anos 70, essas três fontes dominavam a matriz do planeta. Hoje, ainda reinam - respondem por 81% da oferta. Daqui a 20 anos, a participação deve cair, mas elas ainda terão uma fatia de 75%. "O petróleo é essencial para o transporte, e o carvão é o responsável por 40% da geração de energia elétrica do mundo", diz Lynn Orr, diretor do Instituto Precourt de Energia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Por isso, a ideia de que podemos viver sem petróleo é simplesmente errada.

VEJA QUADRO: A evolução da energia no mundo





















MUDANÇAS LENTAS


Essa dependência explica a esperança que o mundo passou a depositar na energia nuclear na última década. Em 1973, ela representava apenas 1% da matriz. Hoje, responde por 5,8%. O colapso na usina japonesa de Fukushima, porém, trouxe à tona os fantasmas do acidente de Chernobyl, na Ucrânia. Os especialistas não acreditam que o episódio - ainda sem desfecho - fará com que a energia resultante da fissão dos átomos seja esquecida. "O que vai haver é uma desaceleração", afirma William Hogan, professor de política energética global da Universidade Harvard e editor do recém-publicado The Natural Resources Trap (numa tradução livre, "A armadilha dos recursos naturais"). "Cerca de 80% da eletricidade da França vem das usinas nucleares", diz o físico José Goldemberg, um dos maiores especialistas em energia do Brasil. "Eles vão desativá-las? Claro que não." A China tem 14 usinas em operação, 26 em construção e outras 28 planejadas. A Índia conta com 18 em funcionamento e 11 entre as que já começaram a ser montadas e as que ainda estão no papel. O Brasil está construindo sua terceira usina, Angra 3. Pela crescente pressão da opinião pública, é provável que governos de diferentes países decidam construir usinas mais seguras e reformar as existentes, o que fará com que o custo da energia suba.

Uma das principais características do setor de energia é sua lentidão. As obras costumam ser grandes e caras. A construção de hidrelétricas e de usinas nucleares, a exploração de novos poços de petróleo e a operação de gasodutos podem demorar anos. É por isso que se costuma comparar o setor a um transatlântico - e navios desse porte não dão cavalos de pau. "É bom ninguém esperar mudanças radicais de uma hora para outra", diz José de Sá, sócio da consultoria Bain & Company, em São Paulo. As previsões da Agência Internacional de Energia dão força a esse argumento. A estimativa é que as renováveis, hoje responsáveis por 12% da matriz mundial, terão uma fatia de 17% em 2030. Uma evolução, sem dúvida - mas não uma revolução.

Nos países emergentes, a corrida das renováveis já começou. No ano passado, pela primeira vez, o volume total de energia eólica instalada nos países em desenvolvimento superou o dos Estados Unidos e o da Europa juntos. Só a China colocou de pé 16 000 megawatts em 2010, pouco mais de uma Itaipu, e até 2035 é o país que mais deverá investir na expansão de fontes renováveis de eletricidade - algo como 1,4 trilhão de dólares. A Índia tem instalados 13 000 megawatts em eólicas e realizou em 2010 o primeiro leilão para incentivar também a energia solar. Em março, a chanceler alemã Angela Merkel se comprometeu a acelerar a transição para as energias limpas. Hoje, as turbinas eólicas geram 9,3% da eletricidade da Alemanha, pouco se comparado à Dinamarca, onde a fatia é de 24%.

Apesar do justificado entusiasmo pelas fontes renováveis, a grande estrela do cenário energético global nos próximos anos deverá ser o gás natural. Algumas razões explicam seu status de bola da vez. Uma delas é o apelo ambiental. Entre os fósseis, ele é de longe o mais limpo: emite cerca de 50% menos CO2 do que o carvão e 40% menos do que o petróleo. "É o combustível ideal para a transição a uma economia de baixo carbono", diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Outro motivo é sua própria oferta. Diferentemente do petróleo, a trajetória do gás como commodity é recente. Foi só no início da década de 80 que a tecnologia para que ele pudesse ser liquefeito e, assim, transportado sem o uso de gasodutos começou a ser economicamente viável. Países como a Rússia, detentora das maiores reservas do mundo, devem se beneficiar da nova onda do gás, assim como o Brasil - que pode ter no pré-sal volume suficiente para entrar nessa disputa. No ano passado, a Petrobras ofereceu ao mercado cerca de 2 milhões de barris por dia. Para 2020, considerando o pré-sal, estima-se que o volume poderá chegar a 7 milhões. É um chute calibrado. O que se sabe hoje é que as reservas de petróleo e gás podem ser de até 44 bilhões de barris equivalentes de petróleo - mas o que o país terá de um ou do outro só poderá ser conhecido quando a exploração começar.

Há cerca de cinco anos, o desenvolvimento de uma tecnologia para extrair reservas de gás que estão aprisionadas sob o solo - o chamado gás de xisto, ou shale gas, em inglês - fez aumentar a oferta do combustível. Nos Estados Unidos, em 2000, o shale gas representava apenas 1% do abastecimento do insumo. Hoje, ele é cerca de 25% e pode subir para 50% dentro de duas décadas. Como quase toda geração de energia, essa também tem seus críticos. A técnica para extração nos Estados Unidos inclui a injeção de agentes químicos no solo para a retirada do gás, e tem causado polêmica. Numa cena do documentário Gasland, indicado ao Oscar neste ano, americanos que arrendaram suas terras para as empresas que exploram o shale gas mostram como a água que sai de suas torneiras literalmente pega fogo - resultado da contaminação dos lençóis freáticos. "Não acredito que a atividade será proibida, mas o risco ambiental deve encarecer bastante a exploração", afirma Robert McNally, da consultoria Rapidan Group, especializada em energia.

No lado da oferta, não resta dúvida de que as energias sujas continuarão a ter um papel importante nas próximas décadas. No lado da demanda, existe a certeza de que os asiáticos, em particular, e os emergentes, em geral, vão ser a mola propulsora do mercado. Por uma razão simples - sempre que uma pessoa avança economicamente, seu consumo de energia se multiplica. Em média, um americano consome cinco vezes mais do que um latino-americano, seis vezes mais do que um asiático e dez vezes mais do que um africano. À medida que as populações vão enriquecendo, crescem as demandas por habitação, transporte e energia elétrica. Esse movimento é muito mais pronunciado em países em estágios iniciais de desenvolvimento e industrialização. De 1990 a 2008, o PIB da China cresceu como nenhum outro - a taxas médias anuais de 10%. Esse ritmo permitiu que um mundo de gente saísse da pobreza. Segundo o FMI, em 2000 a renda média dos chineses era de 945 dólares. Em 2010, atingiu 4 280 dólares. Nos últimos três anos, a frota de carros e caminhões dobrou e chegou a 40 milhões. A perspectiva é que o ritmo das vendas continue a galope, mas o país - felizmente - continua longe do modelo americano. A China tem cerca de 30 carros para cada 1 000 habitantes - ante 700 nos Estados Unidos.

Além das ruas, as casas chinesas estão se transformando. As vendas de TVs no país somaram 35 milhões de unidades em 2010 - um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Dados como esse, associados ao fato de que a China é, desde 2009, o maior exportador mundial de bens manufaturados, explicam o pulo da demanda da indústria local por energia. Em 2000, o setor fabril chinês consumia 16% da energia demandada pelo segmento industrial em escala global. Hoje, a proporção é de 28%. A Índia segue um caminho semelhante. Segundo a fabricante coreana de eletroeletrônicos LG, o país deve se transformar no seu maior mercado de aparelhos de ar-condicionado em 2012. Hoje, o continente asiático já responde por 30% do consumo mundial de energia. Até 2030, a fatia deverá subir para 38%. Quem perderá o primeiro lugar serão os Estados Unidos, onde os aparelhos de ar-condicionado têm 90% de penetração - na Índia, eles têm só 3%.

Os Estados Unidos, aliás, hoje são vistos como exemplo a ser evitado. Em média, um europeu gasta a metade da energia consumida por um americano, embora tenha acesso ao mesmo conforto material. O principal motivo para a diferença é o urbanismo. Na Europa, as grandes cidades são, em geral, compactas e contam com uma boa rede de transporte público. Nos Estados Unidos do pós-guerra, a classe média decidiu morar nos subúrbios e andar de um lado para o outro com seus automóveis. "Pedir a um americano para largar o carro é o mesmo que falar para ele abandonar a casa", diz Edward Glaeser, professor de economia na Universidade Harvard e um dos maiores especialistas mundiais em urbanização. "O mundo emergente, onde muito ainda está por construir, pode evitar esse erro."

BRASIL, POTÊNCIA ENERGÉTICA?

Num mundo faminto por energia, o Brasil aparece como solução, não como problema. Poucos países contam com um potencial enérgico tão magnífico. Hoje, as reservas nacionais de petróleo e gás natural somam 16,9 bilhões de barris equivalentes de petróleo, mas podem mais que dobrar até 2020. Produzimos 90 000 megawatts de energia elétrica nas usinas hidrelétricas, mas temos um potencial de 170 000 megawatts. Isso sem falar no etanol, na biomassa de cana, na energia eólica e na solar. Mas entre ter o potencial e usá-lo há um mar de discórdias. O grosso do que sobrou de rios a ser explorados está no Norte do país, mais precisamente na Amazônia, onde a construção das usinas é questionada pelas ONGs.

"Nenhum país deve desperdiçar potencial hidrelétrico", afirma uma das mais importantes autoridades do país no tema ambiental, que prefere não se identificar. "Mas precisamos discutir calmamente o assunto, não de maneira atabalhoada e tardia como aconteceu com a usina de Belo Monte."

Se quisermos mesmo aproveitar nosso potencial, alguns obstáculos terão de ser superados. No momento, está faltando etanol nos postos de combustível, e a resposta do governo até agora se resume a reclamar dos usineiros e das empresas do setor. "Está faltando álcool, entre outros motivos, porque o consumo cresceu muito com o carro flex, e a produção não acompanhou", afirma Pires. "É preciso definir uma política para o etanol, e não transformá-lo ora em herói, ora em bandido, como nos últimos anos."

O governo podia definir também políticas claras para a eletricidade gerada da biomassa da cana. Hoje, sobra bagaço, mas faltam nas usinas caldeiras modernas de alta pressão para gerar energia e um sistema elétrico adaptado para jogá-la na rede. O resultado é que no estado de São Paulo, berço do setor sucroalcooleiro, apenas 30% das 184 usinas existentes exportam energia para a rede elétrica. A modernização das caldeiras é necessária porque apenas 38% das que estão em operação têm menos de dez anos. Não é, porém, um processo barato. Calcula-se que ele custe até 4 milhões de reais por megawatt gerado, mas faltam linhas de financiamento. "Sabemos do significado estratégico e ambiental dessa energia e queremos encontrar uma maneira de viabilizá-la", diz José Aníbal, secretário paulista de Energia. Adaptar a rede para receber a energia das usinas é uma questão importante também para a indústria de energia eólica, que começa a sair do papel. O país tem 930 megawatts de capacidade instalada de energia dos ventos. É pouco. Quando os 4 000 megawatts vendidos nos últimos leilões se transformarem em realidade, e isso deve acontecer até 2013, é provável que deparem com o mesmo problema. Também não há ainda nenhuma diretriz clara para a energia fotovoltaica - que converteria a incidência de sol em eletricidade. Por tudo isso, o Brasil corre o risco de não aproveitar o momento. Sabemos que a demanda por energia não vai parar de crescer. Sabemos também que a maioria dos países terá de fazer muito, com poucos recursos energéticos, para manter o crescimento econômico. "Aqui temos tudo: vento, sol, biomassa, rios, petróleo", diz Goldemberg. "Infelizmente, só isso não basta."

PARECE FÁCIL, MAS...

O Brasil é um dos países com maior potencial de fontes de energia e pode ter seu crescimento impulsionado por uma matriz diversificada. Mas há obstáculos nesse caminho

Petróleo e gás natural

O que temos de reservas hoje - 16,9 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BEP)
Potencial para 2020 - 44 bilhões de barris equivalentes de petróleo(1)
O que pode atrapalhar - As exigências sobre os índices de nacionalização dos equipamentos podem atrasar e encarecer a exploração do pré-sal. O monopólio na operação e a obrigatoriedade de 30% de participação da Petrobras nessas áreas podem tornar a exploração refém da capacidade de investimentos da estatal

Hidrelétrica

O que temos de reservas hoje - 90 000 megawatts
Potencial para 2020 - 170 000 megawatts
O que pode atrapalhar - A maior parte desse potencial inexplorado está na Região Norte, mais precisamente na Amazônia, onde há muita resistência das ONGs à construção de usinas, sobretudo as que possuem reservatórios e geram energia em períodos de seca

Biomassa de cana

O que temos de reservas hoje - 3 600 megawatts
Potencial para 2020 - 26 000 megawatts(2)

O que pode atrapalhar - As usinas precisam investir em caldeiras de alta pressão mais eficientes, mas o setor alega que não há linhas de crédito para essa modernização. O sistema elétrico também precisa ser adaptado para coletar e distribuir essa energia

Nuclear

O que temos de reservas hoje - 2 000 megawatts
Potencial para 2020 - 1 405 megawatts(3)
O que pode atrapalhar - A usina de Angra 3 está prevista para entrar em operação em 2015. O incidente recente na usina de Fukushima, no Japão, no entanto, reacendeu a antiga polêmica sobre os riscos dessa fonte de energia e pode atrasar o projeto

Eólica

O que temos de reservas hoje - 981 megawatts
Potencial para 2020 - 350 000 megawatts
O que pode atrapalhar - A indústria é incipiente no Brasil e não houve tempo para medir seu real desempenho. O primeiro leilão de compra dessa energia aconteceu em 2009 e só em 2016 o governo terá tido tempo para avaliar se os parques estão entregando o prometido

Etanol

O que temos de reservas hoje - 27 bilhões de litros
Potencial para 2020 - 65 bilhões de litros(4)
O que pode atrapalhar - O governo controla o preço da gasolina, que não acompanha as altas do mercado internacional e, por isso, se torna artificialmente mais atrativa que o etanol. Falta infraestrutura de armazenagem para reduzir a variação de preço do biocombustível ao longo do ano

(1) Estimativa Petrobras, sócios, OGX e cessão onerosa para 2020 *
(2) Estimativa Unica para 2020
(3) Dado leva em conta o início das operações de Angra 3
(4) Estimativa Unica para 2020

Fontes: ABEEólica, CBIE, EPE e Unica
 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Primeira usina solar brasileira passa nos testes de funcionamento. Inauguração será dia 3 de junho (2011).

MPX conecta usina solar de Tauá (CE) à rede elétrica nacional

Por Juliana Tourrucôo, para Revista Téchne, Ed. Pini. 

A primeira usina solar de geração de energia em escala comercial do Brasil, a MPX Tauá, passou esta semana pela primeira bateria de testes. A usina foi conectanda com êxito ao sistema elétrico nacional através de uma subestação da distribuidora Companhia Energética do Ceará (Coelce). Após a notícia, a equipe da MPX confirmou a inauguração oficial do projeto para o dia 3 de junho.

Obra recebeu aval da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) e firmou parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece)

A MPX Tauá fica a 350 km de Fortaleza (CE) e está equipada com 4.680 módulos fotovoltaicos, fabricados pela empresa japonesa Kyocera. Em pleno funcionamento, os painéis vão fornecer 1 MW, o suficiente para abastecer 1,5 mil famílias por mês com uma matriz energética renovável e não poluidora. A planta recebeu investimentos de cerca de R$ 10 milhões, contando com um aporte de US$ 700 mil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) para aumentar a capacidade da MPX Tauá até 5 MW.

A edição de maio da revista Téchne traz todos os detalhes desse projeto no Ceará e ainda um panorama das ações (públicas e privadas) no Brasil para fomentar a captação de energia solar. A reportagem mostra também quais empresas brasileiras já fornecem os módulos solares e instalam os sistemas em sua obra.

Assista também, abaixo, entrevista com André Ricardo Mocelin, engenheiro eletrônico, mestre em energia e responsável pelo Laboratório de Energia Solar do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Como se tornar um LEED GA / LEED AP?

Caros,

Muita gente nos procura na EcoBuilding com perguntas como estas:
Como eu faço para fazer um prédio sustentável?
Posso certificar minha obra em andamento?
Quanto custa para eu ter um "selo verde" do empreendimento?
Qual a vantagem de se obter o LEED?
Como eu faço para ser um "certificador"?

Para ajudar as pessoas a entender o processo de certificação e responder a estas e outras perguntas, montamos o curso "Como se tornar um LEED GA / LEED AP", promovido pela EcoBuilding e GBC Brasil. O curso aborda, de maneira objetiva, todas as questões que são tratadas nos exames de credenciamento que identificam aqueles profissionais que demonstram amplos conhecimentos de construção sustentável e do processo de certificação LEED, organizados pelo USGBC e Green Building Certification Institute. O curso inclui amplo material de estudos e um exame simulado comentado.

A seguir relaciono as próximas datas do curso:
São Paulo - 28 e 29 de Junho 2011 (Parte 2 - LEED AP)
São Paulo - 22 e 23 de Julho 2011 (Parte 1 - LEED GA)

Fortaleza - 26 a 28 de Agosto 2011
Rio de Janeiro - 16 e 17 de Setembro (Parte 1 - LEED GA)

Para mais informações e inscrições:
info@ecobuilding.com.br
(11) 2626 9575 / 3871 1676.

Cadastre-se no http://www.ecobuilding.com.br/ para que possamos mantê-lo(a) informado(a) sobre outras futuras datas deste e de outros cursos relacionados à Construção Sustentável.

Até breve.


Atualização em Julho 2016:

Caros,

Agora os interessados em se tornarem profissionais LEED Green Associate podem estudar e preparar adequadamente para o exame de credenciamento sem sair de casa. Teve início em Julho 2016 a primeira turma ONLINE do Curso Preparatório para o Exame LEED GA do Brasil.

Trata-se do mesmo curso ministrado por mim desde 2010, já realizado com sucesso em dezenas de turmas por todo o Brasil, para centenas de profissionais, completamente revisado e atualizado.

O curso é mesmo muito prático, oferece amplo material de estudos e consultas, 50 vídeo-aulas gravadas, somando mais de 16 horas de gravação, além de contar com atendimento tira-dúvidas por meio da tutoria e de exames simulados completos, comentados.

É realmente um curso completo, com tudo que você precisa saber para se preparar apropriadamente para ser aprovado na prova do LEED GA de primeira.

Para mais informações e inscrições, acesse: www.ecobuildingforum.com.br.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Centro de distribuição no Rio de Janeiro recebe certificação LEED Gold

Publicado em Finestra, em 16 de maio de 2011 (editora responsável: Cida Paiva)

Ações sustentáveis como o uso de luz e ventilação naturais, para a redução no consumo de energia elétrica, a gestão de resíduos da construção e a utilização de madeira certificada foram aplicadas na obra do Centro de Distribuição da Procter & Gamble, em Itatiaia, RJ. O edifício, destinado ao setor administrativo e um galpão de armazenamento de produtos, recebeu a certificação Leed na categoria Gold.

Foi com esse empreendimento que a Bracor obteve a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) na categoria Gold, concedida pelo United States Green Building Council (USGBC). Elementos arquitetônicos, como brises, vidros laminados com película de revestimento, cobertura zenital e o uso da cor branca (RAL 9.003) nas telhas, brises e paredes externas, contribuíram para a obtenção de um elevado percentual de área com o SRI (Solar Reflectance Index - Índice de Refletância Solar). Prédios desenhados para uso logístico têm a característica da horizontalidade, com ampla área de cobertura. Essa configuração, segundo David Douek, diretor da Otec, empresa responsável pela consultoria de sustentabilidade e eficiência energética da obra, oferece condições favoráveis para a implantação de sistema de coleta de água pluvial, tratada para utilização, além de soluções de projeto para otimizar a iluminação natural através de fachadas e de elementos zenitais na cobertura.

Além da coleta de água da chuva, a cobertura foi utilizada para a instalação de um sistema de iluminação natural. Segundo o arquiteto Rogério Hirata, gerente de Projetos da Libercon Engenharia, empresa responsável pela obra, placas prismáticas com espessura três milímetros, instaladas na cobertura, auxiliam na economia de energia elétrica e, devido aos prismas, proporcionam a iluminação a 45 graus, permitindo melhor distribuição interna da luz. Hirata observa que o menor uso do elemento translúcido, conjugado com a lente prismática - que tem como características a perfeita difusão na luz natural, a eliminação da pontualidade solar e a reflexão de volta à atmosfera dos raios UV na ordem de 97% e dos raios IV na ordem de 75% -, faz com que a carga térmica admitida no prédio seja minimizada. Tudo isso resulta em um excepcional nível de conforto térmico interno. “Cabe salientar que a iluminação natural com placa prismática tem performance 35% melhor do que a luz artificial”, diz Hirata. “Resumindo: para se atingir a mesma intensidade de iluminação elétrica, necessita-se de 35% mais potência de lâmpada do que a luz entregue pela iluminação prismática. O resultado é um menor custo nesse aspecto, auxiliando na diminuição dos custos fixos da planta no total.”

Comentários:

O caso aqui relatado utilizou o processo de certificação LEED NC. Nos dias 01 e 02 de junho teremos em São Paulo mais uma edição do curso: Aplicação da Ferramenta de Certificação LEED NC v.3 para Novas Construções e Grandes Reformas e LEED CS v.3 para Edifícios Comerciais, com o Eng. Marcos Casado. Mais informações em: http://bit.ly/jge02z.

Para saber mais sobre os processos de certificação, consulte a programação de treinamentos GBC Brasil / EcoBuilding em:
http://www.ecobuilding.com.br/agenda/completa/ ou (11) 2626 9575 / 3871 1676.

Antonio Macêdo Filhoamacedo@ecobuilding.com.br

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cursos, Workshop e Visitas Técnicas EcoBuilding / GBC Brasil - Programação Maio 2011

Caros,

Para quem quer se atualizar e se preparar para desenvolver projetos e obras sustentáveis, este mês de  maio temos uma programação especialmente interessante.

Veja agenda para São Paulo:

Dias 13 e 14/05: Curso Arquitetura Sustentável - Técnicas e Tecnologias para a Construção Sustentável
Dias 19 e 20/05: Curso Como se tornar um LEED AP
Dia 27/05: Workshop Internacional "How to Design High Performance Buildings"
Dia 28/05: Visitas Técnicas Green Buildings em São Paulo

Mais informações e inscrições pelo: (11) 2626 9575 / 3871 1676 ou info@ecobuilding.com.br


7 construções verdes do futuro

Por Vanessa Barbosa, para Exame.com

Já imaginou como serão os prédios do amanhã? Confira a seguir uma seleção de projetos sustentáveis fora do comum.Clique nas imagens para ampliá-las

China quer "Vale do Silício" verde

A área montanhosa de Miaofeng, localizada a cerca de 30 km a oeste de Pequim, está com os dias contados para se tornar uma espécie de Vale do Silício ecológico. Próxima à metrópole urbana de Beijing, a nova cidade vai combinar institutos de pesquisa científicas com foco em inovação, meio ambiente e desenvolvimento de tecnologias de ecoeficiência urbana.

Além disso, o projeto prevê a criação de vilas sustentáveis, com capacidade para até 50 mil pessoas. Quem assina o design é a empresa finlandesa Eriksson Architects, em colaboração com a consultoria Eero Paloheimo. Com ambições de ser neutra em carbono, o Mentougou Eco Valey pretende reduzir em um terço a sua pegada ambiental, quando comparada a de uma cidade tradicional e de tamanho similar. Atualmente, o projeto aguarda aprovação das autoridades chinesas para poder captar recursos junto a investidores.

Coréia do Sul é dominada por "montanhas verdes"

Gwanggyo é um bairro planejado da cidade de Seul, Coréia do Sul. Idealizado pelo escritório MVRD para abrigar cerca de 77.000 habitantes, o projeto venceu um concurso para um novo centro urbano no país. Os edifícios são compostos por anéis de deslocamento, que servem a um propósito duplo: disponibilizam espaços amplos nos terraços e permitem a criação de átrios interiores que podem ser utilizados para reuniões públicas. Toda a cobertura dos edifícios e os terraços foram concebidos com um sistema de circulação que permite a manutenção, irrigação e armazenamento de água. As construções futuristas abrigarão escritórios, residências e centros comerciais.

Masdar City, o futuro nasce em Abu Dhabi

A primeira cidade carbono-zero é uma visão do futuro que está virando realidade em pleno deserto árabe. Em construção nas areais do emirado de Abu Dhabi, Masdar City quer se tornar um exemplo mundial de comunidade sustentável e auto-suficiente em energia - a qual será garantida quase na totalidade por sistema solar.

A iniciativa vai abrigar 40 mil habitantes e 1,5 mil empresas de tecnologia limpa, além do já operante Masdar Institute of Science and Technology, uma universidade com foco em pesquisa e inovação, desenvolvida em cooperação com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e o Imperial College. O Emirado planeja suprir 7% de suas necessidades energéticas com fontes renováveis em apenas uma década. Há dois anos em construção, sob tutela da firma Foster & Partners, e orçada em 22 bilhões de dólares, Masdar City deverá ser concluída em 2016.

Hong Kong vai ganhar um porto ecológico

Longe de um exercício de futurologia, Hong-Kong começou a construir há pouco mais de uma semana aquele que pretende ser o primeiro terminal portuário sustentável do mundo. Projetado pelos escritórios de design Kai Foster Partners, ele vai ocupar as pistas de um aeroporto abandonado que fica a leste do tradicional porto local do país.

Destinado, em princípio, para receber os navios de cruzeiros, o terminal terá outras atrações, como um imenso parque verde no topo, além de uma ampla área livre para a realização de eventos a beira mar. Os salões principais, que chegam até 70 metros de pé direito, foram meticulosamente projetados para aproveitar ao máximo a incidência de luz natural.

Zorlu Ecocity, uma cidade dentro da outra

O tráfego de veículos e pessoas no centro histórico de Istambul, na Turquia, é tão intenso que os gestores da cidade estão tentando multiplicar o número de centros urbanos locais para preservar as áreas mais antigas. Zorlu Ecocity faz parte desse plano. Como uma cidade dentro de outra, esse centro sustentável e 100% planejado serviria à comunidade como uma cidade comum, um lugar para ser viver e trabalhar – só que sem o caos do trânsito, a aridez da paisagem e a poluição sonora e visual caracteristicamente urbanoides.

Suas 14 torres verdes terão entre 8 e 26 apartamentos cada e abrigarão residências, escritórios, hotéis e até mesmo um centro de repouso para idosos. E nada de estacionamento nas ruas, atrapalhando o trânsito e a travessia de pedestres: a cidade poderá receber até seis mil carros em um porão subterrâneo de sete andares. Farta de espaços verdes, o projeto de Zorlu foi concebido pelo badalado escritório oriental de 'eco-arquitetura' Yeang Llewelyn Davies.

Swimming City, uma cidade flutuante para prática esportiva

Em razão do derretimento das calotas polares, os seres humanos serão obrigados a viver em embarcações ou cidades flutuantes, em meados do terceiro milênio. Essa predição nada agradável é, na verdade, o pano de fundo da produção americana "Waterworld", estrelada por Kevin Costner, em 1995. Apesar de fictício, o cenário serve de inspiração para projetos futurísticos em um mundo severamente afetado pelas mudanças climáticas.

É o caso da plataforma flutuante "Swimming City", uma cidade sustentável voltada para programas de bem estar, práticas esportivas, entretenimento e "o que mais você puder imaginar", segundo seu criador, o húngaro Andras Győrfi, de 27 anos, vencedor do concurso americano de design gráfico Seastead. À semelhança de um flutuante "Club Med", a cidade convida ao relaxamento, com seus equipamentos de lazer, uma grande piscina, anfiteatro ao ar livre, heliporto, entre outros atrativos. Carros não têm lugar aí, já que cada esquina é facilmente acessada a pé por caminhos paisagísticos.

No deserto do Qatar, surge um "prédio cacto"

O Ministério das Relações Municipais e da Agricultura do Qatar, no Oriente Médio, está preparando a construção de um novo prédio comercial que tem a forma de um cacto. Desenhado por um escritório de arquitetura tailandês, o edifício se utiliza de estratégia semelhante a de um cacto para sobreviver no ambiente quente e seco, característicos dos desertos árabes.

A exemplo daquela planta, que durante a noite "transpira" para reter a água ao longo do dia, a construção também contará com um sistema que abre e fecha ventanas, criando sombras e controlando a temperatura interior de acordo com as variações de temperatura. O projeto é parte de um programa bilionário de incentivo à construção verde para racionalizar o uso de energia no país.

Fonte: Exame.com
Publicação: 17/04/2011

domingo, 1 de maio de 2011

Primeira escola pública “verde” do país será inaugurada no Rio de Janeiro

Publicado em CicloVivo, em 29/04/2011

Painéis solares, área para reciclagem e reaproveitamento de água da chuva são algumas das muitas características que compõe o projeto da primeira escola sustentável do país, desenvolvido pelos arquitetos da Arktos – Arquitetura Sustentável, Maria José De Mello Gerolimich e Rafael Tavares de Albuquerque.

(Imagem: Ministério da Educação)

Previsto para ser inaugurado no próximo dia 07, o Colégio Estadual Erich Walter, localizado em Santa Cruz na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, foi escolhido para ser o Piloto da Primeira Escola Padrão Verde da América Latina, (UEC Unidade de Ensino Catavento) o primeiro de outros 40 possíveis projetos de escolas verde no país. A obra de Santa Cruz é uma parceria bem sucedida entre a SEEDUC do Rio de Janeiro (Secretaria de Estado de Educação) e a empresa ThyssenKrup CSA.

Os arquitetos responsáveis pela Escola Padrão contam que desde 2004 vem lutando pela implantação do Projeto Educacional Sustentável. “Sempre focamos nosso trabalho em escolas, pois temos grande afinidade com o assunto e entendemos que não houve grandes investimentos, novidades e aprimoramento no campo da Educação nos últimos 30 anos”, disse a arquiteta e autora do projeto, Maria José.

Somente agora, em 2011, com incentivo da empresa ThyssenKrup CSA, foi possível promover uma estrutura escolar sustentável e inovadora. Tanto que o Colégio Erich Walter foi indicado pelo próprio Green Building Council Brasil, como estudo de caso, na Feicon 2011, por conta do pioneirismo em Escolas Sustentáveis no país. Esta é a primeira escola a conseguir certificação LEED Schools (sigla em inglês para liderança em energia e design ambiental), própria para escolas com projeto sustentável. Para ter uma ideia, apenas 120 escolas no mundo obtiveram essa certificação. Dessas, 118 ficam nos EUA, 1 na Noruega e outra em Bali.

“Com essa Certificação Internacional, todo o Mundo dá credibilidade e veracidade para as informações, ações, equipamentos, tecnologias e dados de eficiência a que foram propostos, pois fomos mensalmente monitorados por um consultor LEDD AP habilitado, devidamente documentado com fotos, dados técnicos e plantas e, após a conclusão da obra, ainda seremos monitorados para a avaliação dos resultados”, explicou a arquiteta.

Para obter a certificação LEED Schools, a escola precisa atender alguns requisitos, como a apresentação de um relatório ambiental da qualidade do solo, que comprove não haver perigo à saúde das crianças, e o tratamento acústico tanto nas salas de aula, como nos corredores e ambientes próximos.

O projeto foi desenvolvido com base nos aspectos da sustentabilidade, que de acordo com a autora promovem uma ação inovadora e educadora, já que o prédio passa a ser também educador e formador de cidadãos conscientes. “Para um país de terceiro mundo latino, e com a maior visibiladade no mundo pelo seus recursos naturais e potência, acredito que isso possa ser um marco em projetos inovadores, pois não se trata de prédio comercial, esportivo ou turístico”, afirmou Maria José.

A escola tem o formato de um catavento, que como o próprio nome sugere, "cata" o vento e promove através da exaustão do ar quente que sobe uma agradável sensação térmica interna, inclusive promovendo a iluminação natural durante todo o dia, que faz com que o consumo de energia de luz seja reduzido.

O projeto desenvolvido pela Arktos – Arquitetura Sustentável conta, ainda, com a instalação de bicicletários, vagas especiais para veículos de baixa emissão, aumento, manutenção e recuperação das áreas verdes originais encontradas no local, pavimentação permeável, telhado verde (com acesso à visitação), reaproveitamento das quadras existentes, redução de ilhas de calor, reaproveitamento de 100% do material de entulho que seria gerado na obra, área para reciclagem, uso de 70% da permeabilidade do terreno, ajudando a evitar as enchentes e ajudando na recuperação do lençol freático, reaproveitamento de água de chuva, em vasos sanitários, lavagem do pátio e irrigação de áreas verdes; uso de revestimento com baixos índices de compostos orgânicos voláteis, forros acústicos, válvulas de duplo acionamento, revestimentos com baixos índices de compostos orgânicos voláteis, forros acústicos, toda iluminação em lâmpadas LED, equipamentos de ar condicionado eficientes e painéis solares para aquecimento de água.

A escola é, também, totalmente adaptada para receber alunos com necessidades especiais. O projeto contempla desde a estrutura do prédio, onde as partes podem mudar de lugar facilitando a construção em qualquer tipo de terreno, até as características mais fundamentais como portas mais largas, pisos táteis, rampas com pouca inclinação e inscrições em braile.

Meus comentários:

A certificação LEED Schools é recente e ainda são poucas as escolas certificadas no mundo. Este primeiro caso brasileiro dá o exemplo que deverá ser seguido pelo país. A reprodução de modelos de sucesso em sustentabilidade das construções. Nos EUA, governos estaduais e federal têm estimulado a certificação de escolas, inclusive como forma de agregar valor à educação de crianças e jovens, uma vez na própria edificação escolar eles podem vivenciar boas práticas e soluções para a sustentabilidade. É o caso, por exemplo, da Sidwel Friends School, em Washington, DC, onde estudam as filhas do presidente Obama, que é certificada LEED Platina. Estamos no caminho certo.


A certificação LEED for Schools é uma variação do LEED NC e está também incorporada no processo de certificação LEED BD+C (Building Design & Construction). Neste mês de maio receberemos uma vez mais o arquiteto Rives Taylor, Diretor de Sustentabilidade do Gensler, um dos maiores escritórios de arquitetura do mundo e professor na University of Texas, que apresentará casos de sucesso de projeos certificados LEED BD+C no Workshop Internacional "How to Deseign High Performance Buildings", dia 27 de maio, em São Paulo.


Mais informações e inscrições em: http://www.ecobuilding.com.br/workshops/ ou (11) 2626 9575 / 3871 1676.

Amtonio Macêdo Filho