quarta-feira, 27 de maio de 2009

Para o controle da Luz e do Calor.

Por Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA Edição 38

Com a função de filtrar os raios solares através da reflexão da radiação em todas as suas freqüências, de forma seletiva, os vidros refletivos podem ser grandes aliados do conforto ambiental e da eficiência energética nas edificações.

Desenvolvido com tecnologia que garante o controle eficiente da intensidade de luz e do calor transmitidos para os ambientes internos, através das fachadas e coberturas, o vidro refletivo requer, para sua especificação, que o projetista conheça suas características de desempenho e leve em consideração itens como transmissão de luz, calor, refletividade, cor do vidro, região em que se localiza a obra e finalidade da edificação. Sem esses e outros estudos, há riscos de o projeto apresentar problemas como claridade desconfortável e aquecimento do ambiente interno ou quebra de vidros em alto percentual, devido ao estresse térmico causado pela alta absorção energética.
O arquiteto Paulo Duarte, consultor de fachadas da AEC e da PCD Consultores, explica que o vidro refletivo pode ser fabricado com vidro monolítico, incolor ou colorido, que recebe numa de suas faces uma camada de óxidos ou sais, metálicos ou não. São essas substâncias que conferem ao produto as características de refletividade parcial.





Imagem: Edifício Spazio JK, projeto de Edo Rocha: vidro laminado refletivo prata da Glassec






A fabricação dos vidros refletivos pode ser realizada por meio de dois processos: o pirolítico, ou on line, e em câmara a vácuo, ou off line (sputtering methode).


No processo pirolítico, a camada refletiva é aplicada na face superior do vidro monolítico enquanto a placa ainda não esfriou, ou após sofrer novo aquecimento. Como a chapa de vidro está quente e com sua superfície em estado plástico, os óxidos penetram um pouco na superfície e, ao resfriar o vidro, a camada refletiva (chamada de camada dura, hard coat) torna-se resistente. Nesse método, o desempenho do vidro como filtro solar é mais fraco, ou intermediário. Geralmente apresenta refletividade externa maior. Em compensação, a relação refletividade interna/refletividade externa é melhor, pois reflete mais para o exterior do que para o interior. Por ter uma camada mais resistente, o vidro pirolítico pode ser curvado ou termoendurecido.

Imagem:Edifício Atrium V, projeto de Aflalo & Gasperini: vidro SGG Stadip Cool Lite azul e cinza, da Santa Marina.

Já no processo de câmara a vácuo, a camada refletiva é depositada em câmaras de alto vácuo, por bombardeio iônico e em atmosfera de plasma, depois de o vidro sair da linha de produção e ser resfriado. O resultado são vidros refletivos com melhor desempenho de proteção solar, porém com camada refletiva mais superficial. Esse tipo de vidro não admite a maioria dos beneficiamentos que utilizem calor, aplicados a outros vidros.
O vidro refletivo pode ser laminado, insulado, serigrafado ou temperado.
Porém, são necessários alguns cuidados em situações especiais: os vidros que passam pelo processo a vácuo não podem ser temperados e o processo de serigrafia deve ser feito antes do depósito dos óxidos. Os refletivos pirolíticos podem ser temperados e serigrafados após o processo de pirólise.
Como especificar
Segundo Paulo Duarte, o vidro refletivo deve ser especificado sempre que a incidência de radiação solar sobre uma fachada for excessiva, resultando no aquecimento interno do ambiente. Mas, observa ele, a escolha não é tão simples. É importante, antes de se falar sobre as características de especificação de um vidro refletivo, saber como ocorrem os fenômenos físicos que comandam o desempenho desse produto e como a radiação solar incide sobre uma construção, particularmente sobre as fachadas e coberturas (figura 1).
Figura 1 - Coeficiente fotoenergético

Entre 0 e 380 nanômetros estão as radiações ultravioleta (UV), que são invisíveis ao olho humano e têm características benéficas e maléficas para o homem. Na faixa entre 380 e 800 nanômetros, temos o espectro da luz visível, que, começa nas freqüências mais altas do violeta, passa pelo azul e vai pelo verde, amarelo até chegar ao vermelho, passando depois para as radiações no infravermelho (IV), que também são invisíveis e concentram mais calor (figura 2).



Figura 2 - Espectrofotometria Gráfico do espectro solar mostra a curva de distribuição das ondas da radiação oriundas do sol, tomando como base seus comprimentos de onda e suas freqüências.

A radiação solar é composta por aproximadamente 3% de UV, 42% de luz visível e 55% de IV. Ao atingir uma placa de vidro, essa radiação se divide da seguinte forma: parte atravessa o vidro, penetrando no ambiente interno (transmissão direta); parte é refletida para fora; e um terceiro percentual é absorvido pelo vidro, que se aquece e redistribui essa energia, devolvendo parte para o exterior e parte para o interior. Conclui-se que a quantidade total de radiação que passa para o interior é o percentual de transmissão direta (TD) mais a parte da energia absorvida pelo vidro que foi devolvida para o lado interno (AE).

Centro empresarial Times Square, projeto de Königsberger Vannucchi: vidro SG SI-20 On Clear, da Guardian

A radiação refletida não faz parte da energia que passa por transmissão direta, e vice-versa. Quando o vidro reflete demais, passa pouca radiação; quando absorve demais, além de permitir passar menos radiação, reduz a parcela refletida. A combinação entre os percentuais de radiação transmitida, refletida e absorvida definem o desempenho fotoenergético do vidro; o bom desempenho é o balanço desejável entre a transmissão de luz direta e o bloqueio máximo de calor. Este balanço ocorre matematicamente para cada comprimento de onda e vai muito além de simples cálculos aritméticos.

Não é fácil mensurar ou quantificar os valores fotoenergéticos, porém existem alguns coeficientes que definem seus índices. O balanço a considerar, na realidade, ocorre entre os percentuais de radiação, em todos os comprimentos de onda. No entanto, para a análise de um vidro para construção civil, são de grande interesse os valores relativos à luz visível. Por essa razão, alguns dos coeficientes analisados se referem à radiação luminosa e outros à radiação em todo o espectro. Só os especialistas analisam esses dados para comprimentos de onda específicos.
Para isso, devem ser considerados os seguintes coeficientes:
• Transmissão luminosa direta (TL) - em %.
• Refletividade luminosa externa (Re) - em %.
• Refletividade luminosa interna (Ri) - em %.
• Absorção de energia pelo vidro (AE) - em %.
• Fator solar (FS) - em %. É o coe- ficiente que indica a quantidade de radiação total que penetra no ambiente, considerando a transmissão direta e a radiação reirradiada pelo vidro - que depende da AE.
• Coeficiente de sombreamento (CS) - é outra maneira de expressar o FS, sendo a razão entre o FS do vidro analisado e o FS de um vidro monolítico padrão incolor de 3 milímetros.
• Valor U verão (Uv) - em unidades decimais, em W/m2.BC, é o coeficiente de transmissão de energia através do vidro. Essa transmissão ocorre devido à diferença de temperatura entre os lados externo e interno.
O que se procura, portanto, são coeficientes TL entre 30% e 50%, Re inferior a 25%, Ri inferior a 15%, AE inferior a 70%, FS inferior a 39%, CS inferior a 0,45 e valor Uv menor que 6,3 W/m2.BC.

Cobertura da piscina do Hotel Hilton São Paulo Morumbi, projeto de Botti Rubin: vidros laminados refletivos da Santa Marina.
No balanço fotoenergético, a dificuldade está em encontrar o equilíbrio entre a quantidade de luz e de calor transmitida para dentro do ambiente e a quantidade de luz refletida internamente. Nesse caso, vale lembrar: se a quantidade de luz direta transmitida for diminuída, haverá escurecimento do ambiente interno com efeitos negativos sobre a visão, exigindo-se mais energia para iluminação artificial; pode ocorrer, ainda, um efeito psicológico depressivo. A luz refletida causa o aspecto espelhado do vidro, resultando nas "caixas-espelho", que estão se tornando cada vez mais indesejáveis.

O vidro refletivo não é um espelho, ele reflete parcialmente para o lado onde há mais luz. Isso significa que durante o dia a reflexão é externa e durante a noite é interna, e se essa reflexão é excessiva o resultado pode ser desagradável. Portanto, passa a interessar o percentual de refletividade interna.

Alta, média e baixa reflexão

Não há uma classificação oficial, a interpretação desses dados é muito subjetiva. No entanto, nota-se uma tendência, há mais ou menos seis anos, no sentido de seleção de vidros menos refletivos. Para o arquiteto Paulo Duarte, esse conceito deve ser bem entendido, pois a maioria dos profissionais se preocupa apenas com o aspecto externo e esquece ou desconhece o fato de que, ao escurecer o dia, os mesmos vidros passam a ser refletivos internamente. Um dado importante e muito negativo é que, na maioria dos casos, os vidros de alto desempenho, como os de controle solar, apresentam coeficiente de refletividade interna (Ri) superior ao de refletividade externa (Re). Ou seja, se o arquiteto aceita ou deseja um vidro mais refletivo externamente, terá também maior refletividade internamente.

Paulo Duarte afirma que é possível classificar os vidros da seguinte maneira:

alta refletividade - refletividade externa superior a 25%;
média refletividade - refletividade externa entre 25% e 15%;
baixa refletividade - refletividade externa inferior a 15%.

Vidros coloridos

Os vidros coloridos refletivos tendem a enfatizar a refletividade interna, obrigando a uma revisão dos valores fotoenergéticos. Portanto, é importante considerar também o efeito da cor do vidro. Pode-se obter um vidro colorido refletivo de três maneiras.

A primeira é aplicando uma camada refletiva na face 2 do vidro monolítico incolor, que reflita uma cor - verde, azul, dourado etc.

A segunda ocorre com a aplicação de uma camada refletiva neutra - geralmente o prata neutro - na face 2 de um vidro monolítico colorido na massa. Nesse caso, a luz refletida adquire a cor da massa do vidro, podendo ser verde, bronze, cinza e variações.

A terceira e última maneira é aplicar a camada refletiva neutra na face 3 de um vidro laminado e colocar um filme colorido de PVB. Sendo os vidros incolores, a luz refletida atravessa a lâmina incolor e o PVB colorido, reflete na face 3 do segundo vidro e atravessa novamente o PVB, resultando na cor refletida correspondente ao PVB (figura 3).

Figura 3 - Indicação das faces de vidro

É preciso ficar atento à cor do vidro monolítico ao especificar um vidro refletivo. A utilização de vidros coloridos influencia a cor refletida e altera o desempenho fototérmico do vidro refletivo, reduzindo a transmissão de luz direta, melhorando o fator solar e piorando a absorção de calor, porque aumenta a absorção de energia pelo vidro.

Sede administrativa dos Laboratórios Pfizer, São Paulo, projeto da Empresa Brasileira de Engenharia e Projetos: vidros refletivos Blindex.

A escolha adequada
Após conhecer as particularidades que envolvem a concepção de um vidro refletivo, para especificá-lo é necessário observar os seguintes itens:

• Escolha o que melhor atender ao cliente e à obra. Isso implica conhecer o que o projeto de ar condicionado requer como desempenho do vidro para melhor suprir as necessidades de conforto térmico, com eficiência e economia.
• Não se pode escolher a cor do vidro considerando cores de encomenda; vidro não é tecido nem tinta, suas composições são limitadas.
• Nem sempre o vidro que apresenta exatamente a cor desejada é aceitável para o projeto. Nesse caso, deve-se fazer outra opção, para se obter uma alternativa que melhor se adapte ao projeto.
• O vidro refletivo tem reflexão para fora e para dentro do edifício, geralmente mais para dentro, e a reflexão interna pode apresentar uma cor detestável.
• Para resolver problemas acústicos, não é preciso procurar vidros insulados (duplos). Um laminado geralmente resolve melhor o problema, com custo menor.
• Vidro insulado com um componente refletivo oferece melhores coeficientes fotoenergéticos do que o vidro monolítico ou laminado, além de diminuir a transferência de calor - fator U mais baixo.

Também é preciso considerar o nível adequado de iluminação e determinar o bloqueio correto das radiações que mais conduzem o calor, de modo a reduzir a quantidade dele que penetra nos ambientes. O bloqueio de calor também implica o bloqueio da luz visível.
No caso do Brasil, um país que se estende desde a latitude 5B norte até 33B sul, temos a seguinte situação: grande parte do país na região tropical, parte no hemisfério norte e parte no sul, alguns Estados na região equatorial e Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul abaixo do trópico de Capricórnio. Isso significa que a incidência da radiação solar vem em diferentes ângulos nas diversas regiões e há um período de insolação maior em algumas delas.
Assim, é indicado selecionar vidros de média refletividade nos estados das regiões Norte e Nordeste e de baixa refletividade no Sul e Sudeste. Deve-se bloquear mais luz natural na região Norte e menos no Sul.

Os aspectos estéticos relativos às refletividades externa e, principalmente, interna também devem ser considerados, pois ninguém quer estar num quarto de hotel, por exemplo, de onde se pode observar uma bela paisagem, e, ao olhar através do vidro, ver quase somente sua própria imagem refletida.
De modo geral, é vantajoso haver incidência de luz natural suficientemente alta para garantir iluminação confortável no ambiente interno, sem excessos. Mas esse nível de iluminação é diferente para usos distintos. "Num quarto de hospital, por exemplo, é desejável um nível mais baixo de luminosidade, e numa UTI deve ser mais baixo ainda. Já no solário ou nas áreas previstas para exposição ao sol, o nível sobe", afirma Paulo Duarte.
"Para um escritório comum, o nível deve ser relativamente alto, mas sem desconforto. Nos locais em que haja predominância do uso de computadores, esse nível deve ser mais baixo, ou a visibilidade das telas será péssima."
Já as condições térmicas do ambiente têm variação menor para se atingir o ideal. O quanto se deve bloquear pode variar de acordo com a orientação da fachada, a estação do ano, o local em que se encontra a edificação e o uso. Mas a variação é pequena. E, considerando um país tropical, sempre é preciso diminuir razoavelmente a quantidade de calor que penetra no prédio.
Para coberturas, segundo Paulo Duarte, são indicados vidros que tenham baixo coeficiente de sombreamento (CS), menor que 0,40; transmissão luminosa (TL) entre 25% e 40%; refletividade interna (Ri) inferior a 18%; e valor Uv menor que 3 W/m2.BC.

Em tempo, Paulo Duarte é convidado para ministrar palestra no Fórum Ecotech.
Confira a programação do evento em: http://www.forumecotech.com.br/.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A relação da Iluminação e com o ambiente.

Caros,

A introdução ao texto que segue é de autoria de meu ex-aluno de arquitetura e atual estagiário, Bruno Moraes.

Arq. Antonio Macêdo Filho

A relação da Iluminação e com o ambiente

Por Bruno Bertante de Moraes

Um projeto de iluminação artificial ou natural exige muitos conhecimentos técnicos. Vemos com normalidade arquitetos se especializando nessa área tão promissora, conhecida como Lighting Design.

No entanto, qualquer arquiteto que se preze tem por obrigação ter o mínimo de conhecimentos básicos e se atualizar nessa área, que esta em constante mudança.

Estou me formando como arquiteto, e vejo inúmeros erros de iluminação por parte de profissionais já atuantes no mercado à anos.

Não precisamos ir longe, em nossa próprias residências, no comercial, em shoppings . Como um arquiteto pode indicar para seu cliente uma iluminação sem ao menos ter idéia do que seja temperatura de cor da lâmpada que ele indicou, ou quando em uma loja de roupas, debato com uma iluminação inadequada, com baixo IRC ,desqualificando e comprometendo totalmente o market e a imagem coorporativa do empreendimento.

Restaurantes e supermercados adoram cometer esses erros, utilizando iluminações que mudam e dão aparência pálida a cor dos alimentos, muitos usam uma iluminação geral, chapada, sem nenhum interesse, no qual a essência e o segredo de um bom projeto luminotécnico, esta no jogo entre claros e escuros, ou diferentes temperaturas de cores, alternância de focos, e assim por diante,causando o despertar ao espectador . Estamos falando de soluções básicas, que arquitetos deveriam ser obrigados a ter o conhecimento, e que irão gerar lucratividade para os negócios.
Percebe-se a importância do conhecimento de como aplicar e escolher a iluminação, em escritórios, consegue-se aumento de produtividade,paralelamente dos lucros, de até 15%.

O que não se pode é continuar a ver , são esses erros por parte de arquitetos contratados para auxiliar, e não comprometer parte do negócios de seu cliente.

Para se atualizar-se na área da iluminação em arquitetura, conheça alguns cursos dedicados ao tema, clicando no link indicado.


Iluminação Sustentável

Por Sustentax

Ao investir-se em sustentabilidade, os benefícios vêm de todos os lados. Mas o que seria mais importante como foco: Economizar o máximo com insumos naturais ou investir em aumento de produtividade? Pesquisas indicam que 1% de ganho de produtividade é mais representativo do que 100% na redução do consumo de energia, considerando os custos, em geral, de um escritório.
Apenas a adequação da iluminação é capaz de gerar um aumento de 7% na produtividade. Quando agregamos um controle mais eficiente de temperatura e ventilação, a melhora na qualidade de vida dos habitantes pode fazer os índices de absenteísmo cair em até 15%, tudo isso traz um aumento na produtividade de até 16%.

Com a finalidade de adequação do espaço aos níveis corretos de luminosidade, aproveitar a luz natural revela-se não só a opção mais saudável, como a mais rentável. O que não significa, simplesmente, abrir as janelas e deixar a luz entrar: O máximo de luz natural deve ser aproveitado sem que isso crie ofuscamento ou eleve a temperatura do ambiente.

Mesmo que o norte seja aumento de produtividade, quando a luz natural é utilizada conscientemente, tem conseqüência direta na redução do consumo de energia. Em primeira instância, implica na diminuição do consumo de luz artificial. Secundariamente, a racionalização da incidência da luz sobre a edificação permite um controle sobre os ganhos de calor gerados, tanto pela luz do sol, quanto pela iluminação artificial, o que resulta em diminuição drástica da exigência do sistema de ares-condicionados.

O Brasil é um país em que bens naturais são abundantes e com a luz não é diferente. Aqui, onde o sol brilha o ano todo, temos, em média, índices de luz natural duas vezes maiores do que em regiões de clima temperado como Europa e EUA, de onde importamos as principais tendências arquitetônicas. De encontro com a postura de sustentabilidade, a busca por soluções de gestão social, ambiental e econômica deve condizer com a comunidade em que se insere e com o uso racional dos insumos. Cerne da arquitetura sustentável, a utilização consciente da luz remete tanto a uso racional da energia, quanto a conforto e qualidade de vida.

Na América do Sul, o primeiro empreendimento a alcançar o certificado de Green Building LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) foi a agência Granja Viana do Banco Real em Cotia, SP. Esta, que é até hoje o único Green Building certificado do Brasil, teve a gerência do projeto de sustentabilidade realizada pela SustentaX – Engenharia de Sustentabilidade, membro do USGBC.

A NewmarEnergia, empresa do Grupo SustentaX, pioneira no Brasil na implantação de projetos de geração em empreendimentos comerciais a base de gás natural e em gestão energética integrada, começa a oferecer, este mês para os escritórios de arquitetura, incorporadores e construtoras, o serviço de Otimização Energética para Edificações com o intuito de fazer com que os seus empreendimentos imobiliários atendam os requisitos de eficiência energética mínima dos critérios de sustentabilidade ambiental. Por meio de simulação computacional a equipe de profissionais altamente especializados em envelope, energia, climatização e iluminação estará ajudando os projetistas a encontrar o ótimo equilíbrio entre custos e eficiência energética. A NewmarEnergia com esse trabalho estará contribuindo para integrar, de forma otimizada, os conceitos arquitetônicos, térmicos, de iluminação e elétricos dos projetos e o cumprimento das metas de conforto ambiental e eficiência energética.

"Estamos dando mais um passo importante para que possamos conceber, construir e operar Green Buildings cada vez com mais produtividade e menores custos. Antes, era comum que as edificações funcionassem como caixas isoladas do mundo. Hoje, os Green Buildings repensam isso, oferecendo conforto, qualidade de vida e integração dos diversos projetos na busca por um empreendimento eficiente. Com a disponibilização para o mercado desta nova ferramenta, somos capazes verificar, sugerir e auxiliar as equipes de concepção com muito mais velocidade, atendendo a uma demanda real pela busca por empreendimentos cada vez mais eficientes com forte impacto na produtividade dos ocupantes” explica Paola Figueiredo, Diretora do Grupo SustentaX e LEED AP, acreditada pelo U.S. Green Building Council (USGBC).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um projeto iluminado

Por Elisa Corrêa, para a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, maio 2009

Foto: Por Omar Paixão de José Lepri

As lâmpadas fluorescentes sempre foram desprezadas pela indústria da reciclagem. José Lepri descobriu um jeito de reaproveitá-las e ganhar dinheiro com isso.

Uma lâmpada apagada também pode ser sinônimo de uma boa ideia. Foi pensando assim que a Lepri, uma pequena empresa de revestimentos cerâmicos, conseguiu chamar a atenção de um gigante: o McDonald's, que acaba de inaugurar o primeiro restaurante ecológico da rede na América Latina, em Bertioga, no litoral paulista. Na construção foram usadas as Ecopastilhas feitas com lâmpadas fluorescentes recicladas, desenvolvidas pela empresa. Como a Lepri chegou lá? Pensando diferente. 'Se a nossa empresa é pequena, por que produzir algo que as grandes já fazem?', questiona o proprietário, José Lepri. 'O pequeno empreendedor tem que fabricar seu produto com uma qualidade melhor que o da grande corporação e ainda oferecer um diferencial.'

A Lepri descobriu um excelente filão num elo desprezado pela indústria de reciclagem. Estima-se que, dos 100 milhões de lâmpadas fluorescentes descartadas por ano no Brasil, apenas 6% sejam reciclados. O índice de reaproveitamento de outros materiais é bem superior: 44% em embalagens de vidro; 73% em alguns tipos de papéis; 87% em embalagens de alumínio. Em 2005, depois de um ano e meio de pesquisa e desenvolvimento, a Lepri lançou uma linha de pisos com vidro de lâmpadas na composição do esmalte. O sucesso da inovação deu ao empresário o estímulo para apostar em novos produtos, como as Ecopastilhas, que levam até 20% de vidro moído na massa. Hoje, a produção de revestimentos ecológicos da empresa é de 5.000 metros quadrados por mês, mas na fábrica, onde trabalham 49 funcionários, já existe capacidade instalada para produzir, mensalmente, até 120.000 metros quadrados de Ecopastilhas em 2009.

Para tocar a produção, todo mês a Lepri compra cinco toneladas de vidro de uma empresa que recicla lâmpadas fluorescentes em Paulínia, interior de São Paulo. Apesar de ser mais barato, esse vidro não é padronizado e exige da Lepri investimentos em testes de laboratório para adequar o material à linha de produção. Mas há compensações: o vidro adicionado à massa diminui a temperatura de queima da cerâmica e permite a redução de até 15% no consumo de gás durante a produção.

As Ecopastilhas chegam às lojas com um preço similar aos produtos convencionais da mesma faixa de mercado (de alto padrão). 'Nosso atrativo está em vender nosso produto a um preço normal, com o diferencial ecológico', diz José Lepri. O empresário não revela o faturamento, mas afirma que, no ano passado, a Lepri cresceu 9% em relação a 2007. A promessa para o futuro continua verde: 'Daqui para a frente, todo novo produto criado pela Lepri será ecológico.' E lucrativo.

Da Lâmpada à Cerâmica

1>>> Uma lâmpada fluorescente tem cerca de 40 elementos químicos, com diferentes graus de toxicidade, como mercúrio, chumbo e zinco.

2>>> Quase todas as lâmpadas acabam descartadas nos aterros sanitários e podem contaminar o ambiente.

3>>> Quando reciclados, os componentes da lâmpada são separados e descontaminados. Depois eles podem ser reutilizados como matéria-prima.

4>>> Depois de moído e trabalhado em laboratório, o vidro das lâmpadas é usado na massa e no esmalte dos revestimentos da Lepri.

O Brasil é um celeiro na área de produtos de construção sustentáveis e a maioria deles é criada por micro e pequenas empresas. É o que afirma o consultor em ecoprodutos e sócio-proprietário do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (IDHEA), Márcio Augusto Araújo, que dá algumas dicas para os empresários que querem conquistar o mercado.

- Prepare-se para enfrentar profissionais bem informados, que exigem normas e especificações técnicas do produto.

- Pratique a sustentabilidade para poder entender o universo do seu cliente.

- Invista em tecnologia e melhoramento. Não basta ser ecológico, tem que ter qualidade.

Acrescento o documentário sobre o assunto gravado pela Globo News:
video

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Energia a partir do trânsito

Por Bruno Bertante de Moraes

Novos sistemas para produção energética estão sendo testados, e serão freqüentes em pouco tempo. Neste caso temos uma situação similar ao sistema da Balada Sustentável que a partir do movimento das pessoas, é gerado energia.

No entanto, se essa nova tecnologia captação e transformação energética for uma solução economicamente viável e eficientemente energético comparado as outras formas de produção de energia encontradas hoje, será uma grande solução para aplicá-la nas malhas urbanas, nos projetos arquitetônicos, dentro de transportes de massa, como metros.Imagine a fila para compra o ticket do cinema, já gerando energia para o filme que será exibido, em shoppings toda a circulação de clientes pelos corredores, gerando energia para a iluminação interna e assim por diante.

Não estamos mais falando de utopias, mas de um sistema que foi criado e em breve será usado em escalas maiores, agora cabe nossa criatividade para desenvolvê-lo e aplicá-lo no dia-a-dia.

A empresa israelense Innowattech encontrou uma maneira de produzir energia a partir da pressão dos veículos no piso

Por Revista Sustenta Foto: Reuters

Ficar preso no trânsito prejudica a todos. Gera mais poluição, causa stress, perda de tempo e de dinheiro. Mas a empresa Israelense Innowattech encontrou uma maneira de produzir algo positivo dessa catástrofe dos tempos modernos: energia a partir da pressão dos veículos no piso.
“Nós podemos produzir eletricidade em qualquer lugar onde haja uma estrada agitada usando energia que normalmente é desperdiçada”, explicou à agência britânica Reuters Uri Amit, presidente da Innowattech. Com uma equipe de 12 pessoas e o investimento privado de US$ 3 milhões, a empresa pretende instalar geradores embaixo de calçadas, malhas viárias e ferroviárias capazes de armazenar energia a partir do movimento e peso por meio do processo de “piezeletricidade”. Assim, quanto mais congestionado o trânsito estiver, melhor.

Ligada ao Instituto de Tecnologia Technion de Israel, a Innowattech deve implantar o projeto a partir de 2010 nas principais cidades do mundo, começando pelas israelenses e norte-americanas. A empresa trabalha atualmente em um programa piloto para instalar os geradores em shoppings e no metrô de Nova York, por exemplo, para captar a energia do movimento de pedestres.


Empresa pretende instalar geradores embaixo de calçadas e ferrovias capazes de armazenar energia
O professor Haim Abramovich, fundador da organização, explica que uma avenida com menos de 1,6 quilômetro (uma milha), quatro faixas e por onde cerca de mil veículos circulam por hora pode criar aproximadamente 0.4 megawatts de potência, o suficiente para alimentar 600 casas. No futuro, os cientistas do projeto desejam aprimorar a tecnologia para armazenar mais energia e distribuí-la em escala nacional.
O custo de implantação atual dos geradores israelenses é de US$ 650 mil por quilômetro, o que equivale a US$ 6,5 mil por kilowatt. Entretanto, o presidente da empresa, Amid, observa que o custo deve cair 60% quando alcançarem a produção em massa, tornando o sistema mais barato do que a energia solar. “O lado bom é que o sistema não demanda muito espaço como a energia solar”, afirmou o professor Abramovich para a agência de notícias israelense Israel21c. “Nós podemos produzir energia onde ela é necessária, sem a necessidade de usar cabos para transportar essa potência.
”Grandes empresas já demonstraram interesse no empreendimento da Innowattech. A multinacional Mc Donald’s, por exemplo, teve a idéia de instalar o sistema em suas filas, para que os consumidores gerem energia enquanto esperam para comer um Big Mac. “Acredito que as pessoas vão começar a pular e dançar sabendo que ao fazer isso vão criar energia. Vai ser bom para a saúde delas”, defende Abramovich.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Roger E. Frechette projetando com eficiência .

Roger E. Frechette, Sustentabilidade no SOM

O Skidmore, Owings & Merryl LLP é um dos maiores escritórios de arquitetura do mundo, com milhares de arquitetos em escritórios espalhados em 4 continentes.
Frechette Roger é o diretor responsável pela área de Construção Sustentável do SOM, baseado em Chicago. Em suas palestras, Roger defende a idéia que a o partido da edificação é conseqüência de sua perfomance.
Nós teremos a satisfação de assistir uma de suas apresentações aqui no Brasil em julho. Roger Frechette confirmou o aceite a nosso convite e virá compartilhar suas experiências na edição de São Paulo do Fórum EcoTech, em 15 de julho de 2009.

O grupo coordenado por Frechette concentra a sua concepção sustentável em quatro áreas principais: redução (redução da energia consumida), regeneração (recuperação de calor e água de sistemas na construção), a absorção (tocando em fluxos energéticos naturais na região como vento e sol) e geração ( utilizando micro turbinas e células combustível para gerar energia para a construção no local).

Frechette defende a idéia de que devemos aproveitar e absorver elementos como vento e chuva, os quais em muitas situações na maioria das edificações, não são tratados com importância e são muito mal aproveitados.
Veja a seguir casos singulares de grandes projetos coordenados pela equipe de Frechette pelo SOM: o primeiro pretende se tornar o primeiro grande edifício zero net energy, ou seja, a ser capaz de produzir energia equivalente à que consome. O segundo, alcançou este mês de maio de 2009 o posto de mais alta estrutura já construída pelo Homem, portanto, o maior edifício do mundo.


Pearl River Tower
Guangzhou, China Guangzhou, China

Em 2005, a OMS apresentou planos para uma nova sede em Guangzhou torre que incorporam as mais recentes tecnologias e engenharia sustentável know-how, o projeto baseia-se em subir uma torre que poderia reduzir significativamente a sua dependência do infra-estrutura da cidade, ou, se possível, eliminá-la.
Programado para a sua conclusão em 2010, com 71 andares, sua obra inclui um grupo diversificado de projetos que vão desde laboratórios, aeroportos, hospitais, edifícios acadêmicos, e escritórios corporativos para edifícios públicos e museus.

A construção é orientada para favorecer a coleta do vento predominante pelas aberturas na fachada, onde turbinas eólicas geram energia para aquecimento e ventilação. O edifício prioriza a utilização de iluminação natural, usa células solares na fachada para coletar a energia solar, e teto radiante nos pavimentos tipo, para controle de temperaturas internas. O edifício terá uma redução de 58 % no consumo de energia do edifício, com o uso destas tecnologias.
Dados do Projeto:
Conclusão Ano: 2010
Área do terreno: 10,635 m 2
Área do projeto: 214,100 m 2
Altura: 309,60 m
Número de pavimentos: 71

Dubai, Emirados Árabes Unidos

O Burj Dubai está no centro de um grande empreendimento imobiliário que está sendo desenvolvido em Dubai e será o edifício mais alto de todo o mundo, com conclusão em 2009 (este mês suas estruturas alcançaram o ponto mais alto).
O design combina influências culturais com tecnologia de ponta, que apresenta índices de baixo consumo energético, atingindo alto desempenho. Seu partido foi dimensionado na vertical para minimizar o impacto do vento sobre a torre.

O Fórum EcoTech é o maior evento técnico voltado para a sustentabilidade na construção de edifícios já realizado no Brasil. Além de Roger Frechette, participarão da edição de São Paulo Manuel Martins, Marcelo Roméro, Nelson Faversani Jr., Nelson Kawakami e Roberto Loeb.
Por Bruno Bertante de Moraes e Antonio Macêdo Filho, com referência nos sites: http://www.som.com/, http://www.mccormick.northwestern.edu/

Calculadora de emisões de CO2.

Mais uma calculadora de emissões de CO2 está disponível para consultas

Escrito por Fernanda Dalla Costa — Revista Sustentabilidade

A empresa de consultoria Keyassociados, disponibilizou em seu site uma calculadora para contagem das emissões de CO2, que tem como finalidade apresentar aos indivíduos o impacto diário que cada pessoa causa no meio ambiente, a empresa informou em comunicado à imprensa
O método calcula a pegada de carbono com base no consumo de energia elétrica, gás liquefeito de petróleo (GLP), gás natural, gastos de combustíveis em automóveis e viagens aéreas, e produção de lixo.

Estes itens são considerados fatores de emissão de CO2 equivalente de metodologias do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da fundação GHG Protocol e do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Na conclusão, a calculadora indica a quantidade de árvores nativas de Mata Atlântica necessárias para compensar essas emissões, considerando que uma árvore desse ecossistema seqüestra 312,4 Kg de CO2 em 20 anos, cálculo baseado em pesquisas da própria empresa e da SOS Mata Atlântica.

Outras instituições também disponibilizam calculadoras de emissões de CO2, entre elas as ONGs Florestas do Futuro e Iniciativa Verde.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Edifício da Serasa

Por Bruno Bertante de Moraes

Hoje escutamos falar bastante em certificações para edifícios, como é o caso do LEED, que é a mais conhecida. No entanto novos modelos de certificações estão sendo aplicados no mercado brasileiro como é o caso da certificação AQUA e a Etiqueta Procel para Edificações.


Uma grande confusão ainda ocorre, um edifício pode ser sustentável, e não necessariamente precisa ser certificado, existem casos de edificações que se forem certificadas iriam atingir um alto índices na pontuação, porem por decisão de seus donos, eles não foram certificados.


Com isso quero demonstrar que todos nós podemos tomar iniciativas sustentáveis em nossas próprias casas, você pode ter uma casa sustentável! O importante é termos a consciência de nossos atos, que irão refletir sobre sociedade em um futuro muito próximo.


Um exemplo de edifício que não é certificado, porem tem iniciativas muito interessantes para diminuir seu impacto ambiental, é o edifício da Serasa.


Para entender melhor como é a Serasa aqui em São Paulo, acrescendo um vídeo gravado pela Rede Globo de televisão:

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Veja como são as casas ecológicas nos Estados Unidos

Tradução da Globo, reportagem da New York Times

Painéis solares geram eletricidade e água quente.
Vídeo do New York Times mostra a aceitação do mercado imobiliário.


Apesar da crise imobiliária, que atinge os Estados Unidos, uma alternativa ecológica pode ser a nova tendência de mercado. As “casas verdes” ainda têm custo inicial alto, mas o imóvel pode ser um ótimo negócio, ao considerar a economia futura de energia pelo uso de painéis solares.

Acrescento o vídeo do NY Times sobre o assunto:

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Os primeiros modelos foram construídos no condado de Franklyn, no estado americano de Massachusetts, e fazem uso quase zero da rede elétrica. “Se as famílias que comprarem estas casas forem realmente econômicas, elas vão acabar não pagando qualquer conta de luz ao longo do ano inteiro”, explica a construtora responsável pelo projeto, Anne Perkins.

As 20 unidades, de dois a quatro quartos, têm de 250 a 350 metros quadrados. Dois tipos de painéis solares, um para eletricidade e outro para água quente, ficam no telhado e conseguem gerar uma voltagem de 2,8 a 3,4 kilowatts, atendendo a 80% da demanda total. As construções são tão bem vedadas, que mesmo no inverno, só precisam de um pequeno aquecedor de 12 mil BTUs (Unidade Térmica Britânica) para a calefação. O abastecimento por gás natural também está previsto.

O valor de mercado de uma “casa verde” deste tipo fica em torno de US$ 240 mil. Onze unidades foram financiadas para famílias americanas de média e baixa renda por US$ 110 mil a US$ 210 mil. O restante será colocado à venda ou alugado.

Em um imóvel ecológico, o valor da construção fica US$ 38 mil acima do custo médio dos modelos tradicionais. Somente os gastos com equipamentos específicos, como os painéis solares, saem por US$ 25 mil. Já nas casas comuns os construtores só precisam atender aos requisitos definidos pelo governo.

Ainda é cedo para afirmar que o modelo sustentável de residência é uma tendência nos Estados Unidos. Mas o conceito chamou a atenção do mercado. De acordo com Perkins, já foram vendidas mais casas, do que construídas.

sábado, 9 de maio de 2009

Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo

Semana da Construção Sustentável, março de 2009
Por Antonio Macêdo Filho


Muito tem se falado a respeito dos chamados “Green Buildings”. Em São Paulo, como em outras grandes cidades do mundo, como Nova York por exemplo, novos empreendimentos têm se destacado dos demais por seu apelo pela sustentabilidade. Muitos são certificados. Muitos outros estão buscando a certificação.

Mas, afinal, como é um Green Building? O que tem de diferente? Foi esta pergunta que muito provavelmente motivou quase 5 dezenas de colegas arquitetos e engenheiros de diversas partes do Brasil a participarem desta primeira edição das Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo, muitos aproveitando também a ocasião da Feicon Batimat 2009, em março passado (a segunda edição das visitas já tem data marcada: 25 de julho de 2009).

Em um dia de intensa atividade, visitamos alguns dos mais significativos casos de edifícios chamados sustentáveis em São Paulo, com orientação adequada, sempre com acompanhamento de profissionais envolvidos com os seus projetos ou sua administração.

Após uma breve uma apresentação na sede da A+C feita por mim e pela colega Arq. Daniela Corcuera, também especialista e professora em Arquitetura e Construção Sustentável, a respeito das obras que seriam visitadas naquele dia, seguimos para cumprir a agenda:

Edifício Harmonia, 57

Com o projeto do escritório franco-brasileiro Triptyque, o edifício Harmonia, 57 se destaca por sua interessante fachada vegetada, com sistema de controle automatizado da umidade, provando que boas idéias podem ser simples e boa arquitetura se faz com o bom uso de conceitos elementares, como o que define que os edifícios devem interagir com o meio e o clima.



Laboratório Delboni Auriemo - Unidade Santana

A visita à unidade Santana dos laboratórios Delboni Auriemo foi bem elucidativa, no que se refere aos procedimentos a serem adotados pelos que buscam a certificação LEED. Fomos muito bem recebidos pela equipe responsável pelo empreendimento, que, em uma apresentação sobre o projeto, compartilhou a experiência acumulada no processo de certificação, que envolveu inclusive a gestão cuidadosa do canteiro, desde o início das obras.


Eldorado Business Tower

Maior obra certificada até então no país, o Eldorado Business Tower, projetado pelo escritório paulistano Aflalo e Gasperini, é um edifício referencial, seja por sua imponência na paisagem da Marginal do rio Pinheiros, seja pelo pioneirismo na busca pela certificação, processo que foi adotado no decorrer do desenvolvimento dos diversos projetos, como soubemos.
Tivemos oportunidade de conhecer os sistemas de fachadas e de ar condicionado (que utiliza splits), ter acesso a uma das plantas livres do edifício, e inclusive ao heliponto, de onde se pode ver boa parte da cidade (embora o tempo não tenha colaborado muito naquele sábado de março).

Rochaverá Corporate Towers

No elegante complexo de escritórios Rochaverá, também de Aflalo e Gasperini, duas torres estão já concluídas. O empreendimento deve alcançar a certificação LEED ouro. Além da solução de fachadas, uma delas em cada torre em inclinação negativa, o projeto destaca-se ainda pelo sistema de geração de energia, a gás, que permite ao prédio total independência em relação à rede pública de energia elétrica.


Complexo JK, Torre São Paulo

A torre principal do Complexo JK, conhecido “antigo esqueleto da Eletropaulo” é um projeto impressionante. Com projeto contrato ao Arquitectonica, escritório estadunidense, plantas de quase 3.000 m2, e obras em fase de conclusão quando visitamos, o edifício será ocupado por um único usuário, instituição bancária internacional, que pretende incorporar a idéia de sustentabilidade à sua própria imagem institucional, com um enorme green building em sua sede no país, o que, inclusive, ajudou a viabilizar o empreendimento.


W Torre Nações Unidas

As duas torres do WTorre Nações Unidas, recém concluídas, projetadas pelo escritório Edo Rocha, estão também buscando a certificação LEED. Para tanto, dentre outros sistemas, utiliza equipamentos de iluminação e ar condicionado eficientes, com insuflamento pelo piso, e captação e reuso de água, contando inclusive com cobertura vegetal e piso drenante em áreas descobertas.

Com isto, após um dia cheio, concluímos estas I Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo. Acredito que a turma que as acompanhou pôde apreender um pouco de informação útil em cada uma delas e saiu enriquecida. Se assim foi, teremos cumprido o objetivo original e contribuído para a sustentabilidade da construção.




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Edifício Harmonia

A primeira edição das Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo foi um sucesso. Uma das edificações estudadas foi o Harmonia 57, com a orientação da Arq. Carolina Bueno do escritório Triptyque, autora do projeto.

Na visita, os participantes puderam ver de perto as soluções propostas e entenderam como funcionam os sistemas que compõe o Harmonia, que fazem o edifício, segundo a arquiteta, se assemelhar a um organismo vivo, de certa forma.

Fotos da visita ao Harmonia 57





Reproduzo a seguir matéria a respeito do projeto, piblicada em AU:

Corpo vivo

Harmonia, nome do novo edifício comercial do Triptyque Arquitetos, significa mais do que a simples referência à rua onde fica. Reflete o espírito intercambiável e fluido de sua Arquitetura
Por Simone Sayegh. Fotos: Nelson Kon, para AU












A primeira pergunta a um dos autores do projeto de arquitetura do edifício Harmonia, na Vila Madalena, foi: "Por que um prédio assim? Alguém pediu?" A resposta traduz a certeza de que uma boa e significativa parte da construção da imagem da cidade está nas mãos dos arquitetos e na sua habilidade de propor soluções e lançar idéias. "Não, ninguém pediu. A proposta era apenas um simples prédio comercial, e tudo isso veio junto com nossa maneira de ver o mundo e nosso sistema de projetação", explicam os integrantes do Triptyque, jovem escritório de arquitetura de São Paulo, responsável por arejar, literal e simultaneamente, a construção e o conceito de um edifício comercial. O "tudo isso" dos arquitetos certamente refere-se à integração harmônica (apesar do clichê, não há palavra melhor) entre concreto, metal e matéria orgânica.

Os dois blocos suspensos de dois pavimentos cada alinham-se transversalmente à rua, e conformam volumes vazados, semivazados e edificados, em um estratégico jogo de cheios e vazios. A fachada frontal é protegida por imensas venezianas móveis de madeira de eucalipto, como brises, que quando abertas revelam toda a transparência sustentada pelo concreto. O espaço da garagem salta para fora, em desalinho com a calçada inclinada que encontra uma pequena escada e entra no conjunto por entre os pilotis do primeiro bloco.

Até aí tudo bem, arquitetura inteligente e bela. No entanto, ao entrar no espaço livre comum dos volumes e caminhar por uma pequena praça de convívio entre os blocos unidos por uma passarela, aparecem fachadas recobertas por vegetação e uma profusão de tubos metálicos, amarelos e cinzas, formando um engenhoso e ao mesmo tempo delicado desenho de aparência fabril.

A pergunta salta inevitável: o que é tudo isso (bingo!)? Ora, de novo, nada mais que arquitetura inteligente e bela. "O discurso não é ecológico, simplesmente queríamos fazer um prédio que vivesse, que se renovasse e se transformasse. Esse é o conceito que faz parte da projetação", explica um dos integrantes da trupe. Simples assim. Na verdade, as paredes das fachadas laterais e posterior são duplas e recobertas por uma densa camada vegetal que, como uma pele, respira e cria matéria viva. Toda a vegetação é alimentada por uma rede vertical de delgados tubos metálicos que carrega água e adubo líquido e, na hora certa, libera o necessário ao crescimento das espécies cuidadosamente escolhidas por um especialista. Uma outra rede hidráulica transporta a água da chuva coletada na cobertura permeável até o sistema de tratamento e reutilização de água, também aparente, que por sua vez devolve água pura para a irrigação do edifício e consumo interno. É uma engrenagem perfeitamente ajustada, interconectada e cíclica, na qual tecnologia e sistemas ecológicos estão a serviço da arquitetura, e não o contrário. O resultado é que as entranhas do edifício estão expostas na fachada, como veias e artérias de um corpo vivo, enquanto o interior é perfeitamente bem acabado, com superfícies limpas e claras, como se a obra estivesse às avessas. Por fora, não há desgaste, não há envelhecimento, somente transformação.

"A história é entregar um prédio que vai evoluir com o tempo, de acordo com as estações do ano. A arquitetura no dia seguinte já está envelhecendo, já está estragando, esse prédio, ao contrário, vai começar a viver e a se renovar", explicam.

A idéia de formação de um ecossistema próprio e o criterioso desenho das tubulações das fachadas, sua geometria e interconectividade, remetem a alguns dos conceitos que permeavam os trabalhos do grupo Archigram, do início dos anos de 1960. A nova cultura de massas que se formava na época vivia o desenvolvimento da tecnologia eletrônica e da robótica, e de uma maior agilidade nas redes de comunicação. Todo esse turbilhão de informações serviu de pano de fundo para a criação do grupo formado por arquitetos ingleses que se propuseram a romper com a tradição e padrões preestabelecidos. Para isso criaram uma revista que ilustrava por meio de desenhos, colagens, ilustrações e textos, idéias sobre arquitetura e sistemas industrializados que remetiam muitas vezes ao conceito do futuro utópico do século 21, e entrava em choque com os conceitos e mecanismos da arquitetura da época. As idéias mostravam a busca por incorporar novas tecnologias, muitas vezes tiradas de um imaginário de ficção científica, ao ambiente construído. Essa experimentação, mais do que simplesmente transformar a construção em um depositário de engenhocas motorizadas, quebrava com os conceitos de rigidez e estabilidade da arquitetura da época e trazia novos princípios como adaptabilidade, mutabilidade, transformação, obsolescência e até reciclagem, em uma clara tentativa de antever o futuro e entender o presente. Seus projetos experimentais eram carregados de redes que se intercambiavam, como uma rede virtual de comunicação.

Um claro exemplo de apropriação dos desenhos futuristas do grupo, principalmente o desenho plug in, mostrando uma imensa interconectividade entre tubos metálicos, pode ser visto na polêmica arquitetura high tech do Centro Georges Pompidou, concebido dez anos mais tarde pelos arquitetos Jean Nouvel e Richard Rogers, onde as tubulações de ar-condicionado são expostas cruamente, muitas vezes com megaequipamentos que se mostraram inúteis ao longo do tempo, em um edifício mais estético que conceitual. Longe de qualquer alusão às robustas e até acintosas estruturas do Pompidou, no edifício Harmonia é possível encontrar razão e inteligência nas delgadas instalações hidráulicas que se entremeiam perfeitamente na fachada, reutilizam a água e dão vida ao promissor verde que já se forma.

FACHADAS VERDES

No edifício Harmonia, como em todo o paisagismo, a insolação e o vento influenciaram na escolha básica das espécies que foram utilizadas nas paredes. A maioria das plantas do edifício é epífita, que costuma crescer em cima de pedras na Mata Atlântica, ou são oriundas da África ou Índia, onde as variações do tempo são similares às do Brasil. "Essas plantas precisam agüentar flutuações radicais de temperatura e umidade, pois a vida pendurada na parede de um prédio não é moleza", explica Peter Webb, responsável pelo projeto de paisagismo.

Um dos conceitos que balizam todos os plantios é a associação de plantas diferentes para formar ecossistemas, um conjunto de plantas que se ajudam mutuamente. Algumas espécies criam sombra enquanto outras rastejam sobre a superfície do prédio provendo um banco de umidade disponível para as vizinhas. Além de insetos e pássaros ajudarem na adubação de todas as outras espécies. A massa utilizada para encravar as plantas é composta de cimento e sais minerais, propicia a retenção de umidade, além de ser isolante térmica e acústica. Foram utilizadas plantas como Asparago, Russelia, Callisia, Zebrina, Bulbine, Pilea, ao sol, enquanto que na sombra foram utilizadas Impatiens, Avenca, Samambaia de Metro, Pilea, Hoya e Rhipsalis. Já os tetos verdes são formados por uma camada de argila expandida, bidim (um geotêxtil), entulho limpo de metal, madeira, plástico e terra, e uma camada de terra. As águas captadas por esse sistema são redirecionadas para cisternas para reutilização, e já saem parcialmente filtradas pela sua passagem pela terra e argila expandida. No caso do Harmonia, além da grama há plantas pendentes nas bordas que amortecem as linhas retas da construção. "O resultado desse conjunto verde reduz os efeitos do calor excessivo, filtra a água, reduz o barulho dos helicópteros e embeleza o edifício com várias espécies de pássaros", explica Webb.

Para ajudar a manter a vitalidade das plantas ao longo do ano, algumas borrifações são feitas com um adubo orgânico líquido dentro do próprio sistema de irrigação. A irrigação de tantas espécies vegetais é baseada na utilização de um sistema de alta pressão e baixa vazão que, de acordo com o engenheiro Guilherme Silva Coelho, da Hidrosistemas, responsável pelo projeto, permite uma grande economia de água. Ele é composto por nebulizadores distribuídos em tubulações de PVC em dois setores verticais - duas fachadas - e sistema de sprays escamoteáveis para irrigação de dois setores horizontais, os tetos verdes. A água borrifada pelos microaspersores forma uma névoa úmida que confere um caráter ainda mais intrigante ao edifício. O sistema é pressurizado por um conjunto motobomba que também ajuda a manter a vitalidade das plantas ao longo do ano, pois possibilita a injeção de fertilizantes líquidos oriundos de um reservatório especial.

O gerenciamento é totalmente automatizado por um controlador eletrônico onde se programam o tempo e a freqüência de irrigação, além de dispor de um sensor de chuva regulado para desligar a programação de irrigação a partir de determinada faixa de precipitação.










SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA

Os alagamentos periódicos que acontecem na região onde está implantado o edifício Harmonia resultaram no desejo de reduzir ao máximo a área impermeável do empreendimento. O projeto baseou-se no aproveitamento de 1,3 mil mm de chuva que cai por ano: 234 mil litros anuais de água de boa qualidade. De acordo com o engenheiro responsável pelo projeto, Guilherme Neves Castagna, essa precipitação é suficiente para atender boa parte da demanda anual do empreendimento por água não-potável. O problema maior seria manter os níveis aceitáveis mesmo em tempos de seca, já que 60% do volume de chuva anual acontece entre os meses de dezembro e março. "Praticamente 2/3 de chuva cai somente em 1/3 de ano", explica Castagna. De acordo com o engenheiro, um projeto que armazenasse esse grande volume de água geraria alto custo de infra-estrutura e poderia tornar a empreitada economicamente inviável. Dessa maneira, foi desenvolvido um projeto mais amplo de incorporação da água da chuva, com a utilização do telhado verde e da infiltração de parte dessa água no lençol freático. Castagna explica que no design ecológico, mais precisamente na permacultura, os sistemas naturais sempre têm funções específicas regidas por vários elementos que, por sua vez, também cumprem várias funções. Isso se traduz na criação de sistemas estáveis, que conseguem se manter mesmo quando algum elemento importante deixa de atuar. "O termo mais apropriado para essa estabilidade é resiliência. Essa característica permite o planejamento de sistemas flexíveis, que podem lidar com imprevistos e ainda assim atender as necessidades locais", explica.

No Harmonia, um desses elementos seria o telhado verde, que além de gerar ar fresco e umidade para a atmosfera proporciona boas condições térmicas no interior do edifício, o que reduz a necessidade de aparelhos de ar-condicionado, além de reter boa parte da água de chuva que cai sobre o telhado e reduzir a colaboração para as cheias urbanas. Essa absorção das águas pelo telhado pode ser medida pelo coeficiente de runoff (escorrimento superficial de água). Um nível de escorrimento que mostra uma solução mais ecológica chega a 50%, ou seja, metade da água que cai sobre a superfície de um telhado fica retida, a outra segue pelos condutores pluviais. Numa cobertura de telhas cerâmicas o coeficiente gira por volta de 85%. "Na pele impermeabilizada da cidade, com seus quilômetros de ruas asfaltadas e lajes de concreto, o coeficiente fica entre 95% e 100%, ou seja, em se tratando de chuva em São Paulo, nada se perde, tudo se transforma: em enchente", calcula Castagna. "Nesse contexto, reter a água de chuva é tão importante quanto aproveitá-la", conclui.

Assim, o excedente de água dos telhados é coletado e direcionado para armazenamento em três reservatórios no térreo, que têm um volume que evita o escoamento para a rua mesmo nos períodos de chuva intensa. Ao final do terceiro reservatório, a água segue para um reservatório maior, onde é periodicamente recirculada pelo sistema de ozônio, e então bombeada para caixas elevadas, de onde segue para o abastecimento de vasos sanitários, irrigação e limpeza externa. Já a água infiltrada nos canteiros do andar térreo é direcionada para uma lenta infiltração no subsolo local, o que ajuda a manter alto o nível do lençol freático. "É importante não só pensar em reutilizar a água mas em restabelecer o ciclo hidrológico local, ou seja, infiltrar ao menos parte da água ao lençol freático", ressalta. A estimativa é que sejam consumidos por volta de 3 mil litros por dia para usos não-potáveis, com essa demanda suprida pela água de chuva durante parte do ano. "Sendo gentis com a água, com certeza receberemos sua dose certa de gentileza nos tempos ressecados da cidade da garoa", finaliza.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Construções verdes do futuro têm até "casa-camaleão"

Jornal americano convidou escritórios de arquitetura a projetar casas com menos impacto ambiental. Uma das ideias é usar um material que se adapta à temperatura ambiente para economizar energia.
Por revista Época.
Associar uma grande caminhonete gastando combustível com os efeitos do aquecimento global é algo evidente. O que pouca gente imagina é o potencial de poluição de um imóvel. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, as construções são responsáveis por 39% de todo o consumo energético e por um porcentual semelhante de emissão de gases do efeito-estufa. Diante disso, o diário americano The Wall Street Journal convidou quatro escritórios de arquitetura a projetar o que eles entenderiam como as casas ecologicamente corretas do futuro. Não era preciso se preocupar com questões como custo, estética e o modo como as pessoas estão habituadas a morar.

A ideia era apresentar projetos inovadores, mas não impraticáveis. E surgiram propostas muito curiosas, como a "casa-camaleão". Confira abaixo a proposta de cada escritório.

Casa-camaleão
Imagine uma residência que se "adapte" ao clima externo. Esta é a proposta do escritório Cook and Fox, de Nova York, que desenhou a casa-camaleão: suas paredes são cobertas por uma camada "biomórfica" que reage às mudanças climáticas. Ela escurece quando o sol está forte, para isolar a construção do calor, e se torna mais clara nos dias nublados para absorver a maior quantidade possível de luz. A fachada é projetada para captar a água da chuva para suprir as necessidades de água da casa - mais um paralelo com o réptil, que absorve pequenas gotas de orvalho pelo nariz e as leva para a boca. Essas inovações fazem parte do conceito de biomimetismo. Apesar de suas soluções modernas, a casa-camaleão é planejada para não destoar de residências vizinhas tradicionais.
Casa-coméstivel
Não é à toa que o escritório Rios Clementi Hale denominou seu projeto de "A Incrível Casa Comestível".A fachada da residência de três andares é dominada por uma horta vertical, que inclui grão-de-bico e tomate e chá-verde, entre outros vegetais. Além de alimentar os moradores e fornecer sombra constante, absorve o calor de forma mais eficiente que os materiais tradicionais. O telhado funciona como um reservatório que armazena água e mantém a temperatura interna agradável. Certamente não é uma casa bonita pelos padrões estéticos convencionais, mas chama a atenção.
Casa-árvore
A casa projetada pelo escritório McDonough and Partners tem várias fatores de eficiência energética. A superfície da residência, tal qual uma folha, contém uma camada fotossintética que captura a luz do sol. Ao contrário dos painéis solares convencionais, retangulares e obrigatoriamente instalados num espaço plano, esses receptores podem ter formato maleável, numa cobertura em curva. Além de aquecer a água e gerar energia para a casa, liberam oxigênio para a atmosfera, compensando as emissões de gás carbônico de outras áreas do imóvel. O "tronco" da casa-árvore, ou seja, sua sustentação, dispensaria a madeira ou metais; no lugar deles, estruturas de carbono, mais leves. E as "raízes" seriam um sistema de troca de calor do solo com o ar do entorno da casa, que permite deixar a residência mais quente no inverno e mais fresca no verão.
A casa do passado
Para os arquitetos do escritório Mouzon, olhar para o futuro não significa necessariamente dispensar técnicas antigas. A casa verde projetada por eles contém ideias conhecidas há muito tempo para a redução do uso de energia. Uma delas é o efeito-chaminé. A residência explora bastante esse recurso, que funciona assim: a diferença de pressão faz com que o ar mais quente da chaminé suba e "empurre" para baixo o ar mais fresco do ambiente externo, fazendo com que ele entre na casa pelas portas e janelas e deixe a casa mais ventilada, com uma temperatura agradável. Outra proposta simples é colocar tanques com tilápias nos jardins ao redor da casa para fornecer alimento de forma simples ao proprietário. "Está entre os meios mais energeticamente eficientes de produzir proteína animal", diz Steve Mouzon, chefe do escritório.

Nasce o primeiro ZEB da América Latina.

Projeto de edifício Zero Energy Building pode marcar o Brasil como pioneiro no assunto.

Por Redação AECweb

O mercado vai conhecendo aos poucos, em apresentações como a ocorrida no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, o projeto do primeiro edifício ZEB – Zero Energy Building – da América Latina. Com o início das obras previsto para 2010, no campus da universidade, o CECAS - Centro de Estudos de Clima e Ambientes Sustentáveis – terá 8 mil m2 de área construída e deverá adotar sistemas e tecnologias que garantam sua autonomia energética.

Por sua complexidade, o projeto reúne equipes multidisciplinares da própria FAU, da Escola Politécnica e do Instituto de Engenharia e Eletrotécnica, coordenadas pelo professor Marcelo Romero, vice-diretor da FAU. Ele e os demais profissionais envolvidos buscam o apoio financeiro da iniciativa privada, especialmente na forma de doações de produtos e serviços.

(Prof. Dr. Marcelo Roméro)

“O projeto está orçado em cerca de R$ 20 milhões, sendo que o poder público arcará com R$ 5,7 milhões e os R$ 14,3 milhões virão do setor da construção civil”, afirma Romero, que assina o projeto arquitetônico junto com o arquiteto Eduardo Rodrigues. Segundo ele, não há patrocinadores para a maioria dos itens, mas estão sendo negociadas parcerias junto a empresas nacionais e internacionais. Até mesmo a execução da obra poderá surgir entre “potenciais candidatos do mercado”. Afinal, a expectativa é de que o CECAS venha a alcançar grande visibilidade, no país e no exterior.“

Acreditamos que esta seja a primeira edificação com o conceito de ZEB a ser construída na América Latina e, portanto, seu impacto será muito grande. Esta edificação servirá como ponto de partida para outras iniciativas semelhantes no Brasil e nos países vizinhos”, prevê o professor Alberto Hernandez, da POLI/USP, pesquisador responsável pela climatização do prédio. Ele comenta que os membros do parlamento europeu já discutem legislação que obrigará as novas construções do continente a produzir sua própria energia a partir de 2019, devendo alcançar um percentual mínimo de edificações energia-zero até 2020. “Isto mostra que este conceito de edificação se tornará cada vez mais frequente e o Brasil terá um papel marcante como pioneiro neste sentido com a construção desta edificação”, diz.

O EDIFÍCIO

O CECAS será construído em terreno situado ao lado do atual prédio do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas. Abrigará um laboratório de Ciências Climáticas, a Rede de Pesquisas Climáticas e o Laboratório de Sustentabilidade e Eficiência Energética. “O corpo docente e de pesquisadores entendeu que a USP teria condições de projetar um edifício exemplo de baixo consumo, e que englobaria diversas tecnologias de ponta, de forma a promover os conceitos de eficiência energética e sustentabilidade”, explica Romero. O passo seguinte foi reunir as equipes, divididas em função dos diversos aspectos e sistemas que envolvem o projeto de um ZEB. “Os pesquisadores e docentes atuam, muitas vezes, em mais de uma equipe”, observa Hernandez que cita as seis principais áreas: Geração de energia solar; Climatização e ventilação; Materiais e proteção da envoltória; Uso racional de água; Reciclagem; Geração de energia por biomassa e célula combustível.

“Há vários níveis de Zero Energy Building. Escolhemos manter o prédio conectado à rede elétrica, sabendo que haverá momentos em que ele doará energia e, em outros, consumirá aquela oferecida pela distribuidora. Na média anual, nossa meta é que ele seja superavitário, ou seja, produza mais energia do que vai consumir”, enfatiza o professor Hernandez. São cerca de 72 sistemas, parte deles já existentes no Brasil. Outras tecnologias deverão ser importadas, como o sistema de climatização solar, células fotovoltaicas e células combustível. Um edifício ZEB utiliza tecnologias passivas, ativas e pró-ativas, e a especificação está em fase de detalhamento.

Em princípio, estão sendo analisadas as seguintes tecnologias:


- Uso da inércia térmica das paredes para redução do ganho de calor;

- Orientação da edificação e posicionamento das aberturas para fazer uso da ventilação natural;

- Proteção exterior para sombreamento das áreas envidraçadas para redução da entrada de calor;

- Uso de sistemas de resfriamento do ar, por meio de geotermia com trocadores de calor posicionados no solo próximos a edificação;

-Isolamento das envolventes opacas nos ambientes condicionados para minimizar a carga térmica, a ser retirada pelo sistema de climatização;

- Controle automático de persianas para aproveitamento da iluminação natural, com redução do consumo do sistema de iluminação artificial;

- Sistema de gerenciamento do consumo dos diversos usos finais e medição da energia consumida e gerada na edificação;- Uso de sistemas com células fotovoltaicas para geração de energia;

- Uso de sistema de climatização por absorção, utilizando coletores solares e geração de calor com biomassa;- Uso de coletores solares para fornecimento de água quente para a edificação;- Geração de energia elétrica por meio de células a combustível;

-Uso de biodigestor com biomassa gerada no campus da USP para produção de metano, que será utilizado na iluminação externa da edificação.

Para ser um edifício sustentável, não adianta apenas ser ZEB. Daí que o CECAS está sendo planejado para incorporar os conceitos de sustentabilidade. “O objetivo é reunir todas as boas práticas de projeto, construção e operação que servirá de laboratório e referência dos conceitos de eficiência energética e sustentabilidade”, destaca o engenheiro. Segundo Marcelo Romero, inicialmente serão buscadas as certificações LEED-NC V.2.2 e a etiquetagem proposta pela ELETROBRAS dentro do programa PROCEL-Edifica. Está sendo negociada, também, a certificação com o selo energético proposto pelo IPT.

Carregando tanta e tão diversa tecnologia, a operação do prédio promete ser complexa. “Até porque, todos os sistemas deverão operar de forma otimizada e responder às mudanças climáticas a que a edificação está sujeita. Para tanto, será projetado um sistema específico de gerenciamento que deverá conter, na sua estrutura, a hierarquia de estratégias a serem utilizadas. O objetivo é que não haja excessos de consumo e, também, possa ser feita a monitoração do consumo da edificação e da energia por ela produzida. Este é um dos grandes desafios deste projeto e servirá de base para diversas análises referentes à operação racional de edificações sustentáveis”, conclui.
Dia 15 de julho, teremos O Fórum EcoTech em São Paulo, que será o melhor evento técnico relacionados à sustentabilidade na construção de edifícios.
O Prof. Dr. Marcelo Romero será um dos palestrantes do evento.